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Questão de Medicina — Endocrinologia — Avança SP 2026

MedicinaEndocrinologia
Código
qg654455
Banca
Avança SP
Órgão
Prefeitura de Vinhedo - SP
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico Endocrinologista
Um paciente apresenta bócio difuso, taquicardia e perfil laboratorial com T4 livre e T3 elevados associados a TSH não suprimido (normal ou discretamente alto). Para diferenciar um Adenoma Hipofisário Secretor de TSH (TSHoma) da Síndrome de Resistência ao Hormônio Tireoidiano (RTH), o achado que favorece fortemente o diagnóstico de TSHoma é: (A) Níveis séricos normais de Globulina Ligadora de Hormônios Sexuais (SHBG).
  1. AResposta explosiva do TSH ao teste de estímulo com TRH.
  2. BRelação molar subunidade alfa/TSH reduzida (< 1,0).
  3. CRelação molar subunidade alfa/TSH reduzida (< 1,0).
  4. DNíveis elevados de SHBG e resposta do TSH abolida ao teste com TRH.
  5. ESupressão significativa do TSH (> 50%) após teste com T3 (Triiodotironina).
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GabaritoD — Níveis elevados de SHBG e resposta do TSH abolida ao teste com TRH.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

TSHoma versus Resistência ao Hormônio Tireoidiano (RTH): diagnóstico diferencial

Gabarito: letra D. No TSHoma, o adenoma hipofisário secretor de TSH é autônomo e refratário à retroalimentação negativa, o que se traduz em níveis elevados de SHBG (marcador de ação periférica do hormônio tireoidiano) e resposta do TSH abolida ao teste com TRH. Na RTH, ao contrário, a resposta ao TRH é preservada (ou até exacerbada) e os marcadores periféricos de ação tireoidiana, como a SHBG, costumam estar normais. A distinção entre essas duas condições é um clássico da endocrinologia e exige a integração de dados clínicos, laboratoriais e de imagem.

O eixo hipotálamo-hipófise-tireoide é regulado por um mecanismo de retroalimentação negativa: o TRH hipotalâmico estimula a hipófise a secretar TSH, que por sua vez estimula a tireoide a produzir T4 e T3. O aumento dos hormônios tireoidianos inibe a secreção de TSH e de TRH. No TSHoma, um tumor hipofisário produz TSH de forma autônoma, ignorando o feedback negativo — por isso o TSH permanece normal ou elevado apesar da tireotoxicose. Na RTH, há uma mutação no receptor de hormônio tireoidiano (em geral no gene THRB), tornando os tecidos periféricos e a hipófise resistentes à ação do T3. A hipófise, por não "sentir" o hormônio, continua secretando TSH, e a tireoide, estimulada, produz mais T4 e T3. O resultado bioquímico é semelhante: TSH não suprimido com T4 livre e T3 elevados.

Para diferenciar as duas condições, a banca explora testes funcionais e marcadores de ação periférica. O teste de estímulo com TRH é um dos pilares: no TSHoma, a resposta do TSH é abolida ou atenuada, pois o tumor é autônomo; na RTH, a resposta é preservada ou exagerada, pois a hipófise ainda responde ao estímulo hipotalâmico. Outro marcador é a SHBG (globulina ligadora de hormônios sexuais), produzida no fígado sob estímulo dos hormônios tireoidianos. Na tireotoxicose, a SHBG está elevada; na RTH, como há resistência periférica, a SHBG costuma estar normal ou apenas discretamente elevada. A relação molar subunidade alfa/TSH também ajuda: no TSHoma, a subunidade alfa (comum aos hormônios glicoproteicos) costuma estar elevada, resultando em relação aumentada (> 1,0); na RTH, a relação é normal ou reduzida. O teste de supressão com T3 (Werner) mostra supressão parcial ou ausente no TSHoma, enquanto na RTH pode haver supressão significativa.

Na prática clínica, o diagnóstico diferencial entre TSHoma e RTH é desafiador e frequentemente exige a combinação de múltiplos achados. A ressonância magnética da hipófise é útil, mas a presença de um incidentaloma hipofisário (presente em até 10% da população) pode confundir. Por isso, os testes funcionais e os marcadores periféricos são essenciais. A resposta ao TRH e os níveis de SHBG são os dois principais discriminadores, e é exatamente nesses dois pontos que a questão se concentra.

Guarde a fronteira: TSHoma = autonomia hipofisária (resposta ao TRH abolida) + ação periférica aumentada (SHBG elevada); RTH = resistência periférica (SHBG normal) + hipófise ainda responsiva (resposta ao TRH preservada). É nesse contraste que as alternativas se dividem.

Critério

TSHoma

RTH (Resistência ao Hormônio Tireoidiano)

Resposta do TSH ao estímulo com TRH

Abolida ou atenuada (autonomia tumoral)

Preservada ou exagerada

Níveis de SHBG (ação periférica)

Elevados (tireotoxicose periférica)

Normais ou discretamente elevados (resistência periférica)

Relação molar subunidade alfa/TSH

Aumentada (> 1,0)

Normal ou reduzida (< 1,0)

Teste de supressão com T3 (Werner)

Supressão parcial ou ausente

Supressão significativa (> 50%)

TSHoma vs RTH
  • 1TSHoma (autonomia)
    • SHBG elevada
    • TRH: resposta abolida
    • T3: sem supressão
    • alfa/TSH: aumentada
  • 2RTH (resistência)
    • SHBG normal
    • TRH: resposta preservada
    • T3: supressão significativa
    • alfa/TSH: reduzida
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Alternativa A — ❌ Incorreta

Afirma que a resposta explosiva do TSH ao TRH favorece o TSHoma. É exatamente o oposto: no TSHoma, a resposta é abolida ou atenuada, pois o tumor é autônomo e não responde ao estímulo hipotalâmico. A resposta explosiva (ou preservada) é característica da RTH, onde a hipófise ainda é responsiva ao TRH. A banca inverte o comportamento esperado do teste.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Afirma que a relação molar subunidade alfa/TSH reduzida (< 1,0) favorece o TSHoma. No TSHoma, a subunidade alfa costuma estar elevada, resultando em relação aumentada (> 1,0). A relação reduzida é típica da RTH, onde a secreção de subunidade alfa é proporcionalmente menor. A alternativa troca o sentido da relação.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Repete o erro da alternativa B: relação molar subunidade alfa/TSH reduzida (< 1,0) é característica da RTH, não do TSHoma. No TSHoma, a relação é aumentada (> 1,0) devido à hipersecreção da subunidade alfa pelo tumor. A banca apresenta o mesmo distrator com redação ligeiramente diferente.

Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Esta alternativa combina os dois achados que favorecem fortemente o TSHoma: níveis elevados de SHBG (refletindo a ação periférica excessiva dos hormônios tireoidianos) e resposta do TSH abolida ao teste com TRH (demonstrando a autonomia do adenoma hipofisário). Na RTH, a SHBG costuma estar normal (resistência periférica) e a resposta ao TRH é preservada. A combinação desses dois achados é altamente específica para TSHoma.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Afirma que a supressão significativa do TSH (> 50%) após teste com T3 favorece o TSHoma. No TSHoma, o tumor é autônomo e não suprime (ou suprime apenas parcialmente) com a administração de T3. A supressão significativa é observada na RTH, onde a hipófise ainda responde parcialmente à retroalimentação negativa. A alternativa inverte o comportamento esperado no teste de supressão.

NÃO CAIA NESSA!

A banca adora inverter os resultados dos testes funcionais entre TSHoma e RTH. No TSHoma, tudo que indica autonomia (resposta ao TRH abolida, não supressão com T3, relação alfa/TSH aumentada) e ação periférica aumentada (SHBG elevada) é a favor. Na RTH, o que indica resistência (SHBG normal, resposta ao TRH preservada, supressão com T3) é a favor. Se você decorar essa lógica, as inversões ficam óbvias.

PEGA ESSA DICA!

Monte uma tabela mental com os dois diagnósticos e os quatro testes: TRH, SHBG, relação alfa/TSH e supressão com T3. Preencha cada célula com "aumentado/abolido/normal" e compare. Essa tabela resolve qualquer questão sobre o tema, pois a banca sempre cobra a mesma oposição.

Gabarito: letra D

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