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Questão de Medicina — Endocrinologia — Avança SP 2026

MedicinaEndocrinologia
Código
qg654457
Banca
Avança SP
Órgão
Prefeitura de Vinhedo - SP
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico Endocrinologista
Uma paciente de 34 anos investiga amenorreia e cefaleia. A RM de sela túrcica evidencia um macroadenoma hipofisário de 2,8 cm com compressão do quiasma óptico. A dosagem de prolactina sérica é de 85 ng/mL (Valor de referência: até 25 ng/mL), sem diluição. Considerando a discordância entre o volume tumoral e o nível de prolactina, o diagnóstico etiológico mais provável é:
  1. AProlactinoma gigante com efeito gancho (hook effect) na dosagem laboratorial.
  2. BAdenoma hipofisário clinicamente não funcionante com compressão da haste hipofisária.
  3. CMacroprolactinemia por predomínio de isoformas de alto peso molecular (big-big PRL).
  4. DCarcinoma hipofisário secretor de prolactina com baixa atividade biológica.
  5. EHipofisite linfocítica com destruição autoimune seletiva de lactotrofos.
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GabaritoB — Adenoma hipofisário clinicamente não funcionante com compressão da haste hipofisária.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Macroadenoma hipofisário com hiperprolactinemia discreta: pseudoprolactinoma vs. prolactinoma

Gabarito: letra B. A paciente apresenta um macroadenoma de 2,8 cm com prolactina de apenas 85 ng/mL (sem diluição). Essa discordância entre o grande volume tumoral e o nível apenas moderadamente elevado de prolactina é a chave do diagnóstico: trata-se de um adenoma hipofisário clinicamente não funcionante que, por compressão da haste hipofisária, interrompe o tônus dopaminérgico inibitório e causa hiperprolactinemia secundária — o chamado pseudoprolactinoma. O raciocínio se baseia na relação entre o tamanho do tumor e o nível de prolactina, conforme a literatura endocrinológica.

O que está em jogo é o diagnóstico diferencial da hiperprolactinemia em pacientes com lesão selar. A prolactina é secretada pelos lactotrofos da hipófise anterior, que normalmente são inibidos pela dopamina hipotalâmica. Quando uma lesão comprime a haste hipofisária, essa inibição é perdida, e a prolactina sobe — mas de forma proporcional à desconexão, não à produção tumoral. Por isso, tumores não secretores que comprimem a haste costumam elevar a prolactina a níveis moderados, geralmente abaixo de 100-150 ng/mL. Já os prolactinomas verdadeiros, que são tumores secretores de prolactina, produzem níveis muito mais altos, frequentemente acima de 250 ng/mL, e a magnitude da elevação costuma ser proporcional ao tamanho do tumor.

A regra prática que decide esta questão é a seguinte: quanto maior o macroadenoma, maior deve ser a prolactina se for um prolactinoma. Um macroadenoma de 2,8 cm (quase 3 cm) deveria produzir níveis de prolactina na casa dos milhares de ng/mL. Um valor de 85 ng/mL é incompatível com um prolactinoma desse tamanho — é baixo demais. Essa discrepância aponta para duas possibilidades principais: (1) o efeito gancho (hook effect), uma falha laboratorial que subestima a prolactina em tumores muito grandes, ou (2) um pseudoprolactinoma, ou seja, um tumor não funcionante que comprime a haste. A distinção é feita pela diluição da amostra: se após a diluição a prolactina subir drasticamente, é efeito gancho; se permanecer semelhante, é pseudoprolactinoma.

No caso apresentado, a prolactina foi dosada sem diluição e o tumor tem 2,8 cm. O enunciado destaca a "discordância entre o volume tumoral e o nível de prolactina" e pede o diagnóstico etiológico mais provável. Como o valor de 85 ng/mL é apenas moderadamente elevado e o tumor é grande, a explicação mais provável é a compressão da haste por um tumor não funcionante. O efeito gancho é uma possibilidade, mas é menos provável porque o tumor tem menos de 3 cm (o limiar clássico para suspeitar do efeito gancho é 3 cm ou mais) e o valor de 85 ng/mL, embora não seja alto para um macroadenoma, não é tão baixo quanto o esperado no efeito gancho típico. Além disso, a questão pede o diagnóstico "mais provável", e a compressão da haste é a causa mais comum de hiperprolactinemia moderada em macroadenomas não secretores.

Guarde a fronteira decisiva: prolactinoma verdadeiro = prolactina proporcional ao tamanho do tumor; pseudoprolactinoma = prolactina desproporcionalmente baixa para o tamanho da lesão. É exatamente nessa fronteira que as alternativas se dividem.

Critério

Prolactinoma verdadeiro

Pseudoprolactinoma (adenoma não funcionante)

Natureza do tumor

Adenoma secretor de prolactina (lactotrofo)

Adenoma clinicamente não funcionante

Mecanismo da hiperprolactinemia

Secreção tumoral autônoma de prolactina

Compressão da haste hipofisária → perda do tônus inibitório dopaminérgico

Relação prolactina × tamanho tumoral

Proporcional (níveis muito altos, geralmente > 250 ng/mL, podendo chegar a milhares)

Desproporcionalmente baixa para o volume tumoral (geralmente < 100–150 ng/mL)

Nível típico de prolactina em macroadenoma (≥ 1 cm)

Muito elevado (ex.: > 250 ng/mL, frequentemente milhares)

Moderadamente elevado (ex.: 85 ng/mL em tumor de 2,8 cm)

Conduta diagnóstica diferencial

Dosagem com diluição da amostra (para excluir hook effect)

Dosagem com diluição (se prolactina permanecer baixa, confirma pseudoprolactinoma)

Hiperprolactinemia em macroadenoma
  • 1Prolactina proporcional ao tumor
    • Prolactinoma verdadeiro
  • 2Prolactina desproporcionalmente baixa
    • Pseudoprolactinoma (compressão da haste)
    • Hook effect (falha laboratorial)
      • Suspeitar se ≥ 3 cm
      • Confirmar com diluição
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Alternativa A — ❌ Incorreta

O efeito gancho (hook effect) é uma falha laboratorial em que níveis extremamente altos de prolactina saturam o ensaio e resultam em leitura falsamente baixa. Ele deve ser suspeitado em macroadenomas com 3 cm ou mais e prolactina ≤ 200 ng/mL. Aqui, o tumor tem 2,8 cm (menos de 3 cm) e a prolactina é de 85 ng/mL. Embora seja uma hipótese a considerar, não é a mais provável, pois o limiar de 3 cm não foi atingido. Além disso, a questão pede o diagnóstico etiológico mais provável, e a compressão da haste é mais comum. O efeito gancho seria confirmado pela diluição da amostra, que não foi realizada.

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Esta é a resposta. O macroadenoma de 2,8 cm com prolactina de apenas 85 ng/mL é típico de um adenoma hipofisário clinicamente não funcionante que comprime a haste hipofisária, causando hiperprolactinemia por desconexão do tônus dopaminérgico inibitório. Esse quadro é chamado de pseudoprolactinoma. A prolactina moderadamente elevada (85 ng/mL) é compatível com a compressão da haste, e não com um prolactinoma verdadeiro, que produziria níveis muito mais altos para um tumor desse tamanho.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A macroprolactinemia é a predominância de isoformas de alto peso molecular (big-big PRL) da prolactina, que têm baixa atividade biológica e causam hiperprolactinemia assintomática. O diagnóstico é feito pelo teste de precipitação com polietilenoglicol (PEG), com recuperação menor que 30%. No entanto, a macroprolactinemia não explica a presença de um macroadenoma de 2,8 cm com compressão do quiasma óptico. A paciente tem sintomas (amenorreia e cefaleia) e um tumor grande, o que não é compatível com a macroprolactinemia isolada, que geralmente é assintomática e não causa tumores hipofisários.

Alternativa D — ❌ Incorreta

O carcinoma hipofisário é um tumor maligno extremamente raro, definido pela presença de metástases à distância. Não há evidência de malignidade no caso (a RM mostra apenas um macroadenoma, sem sinais de invasão ou metástases). Além disso, a descrição de "baixa atividade biológica" não se aplica a um carcinoma secretor de prolactina, que produziria níveis muito altos do hormônio. A hipótese é implausível e não se sustenta com os dados apresentados.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A hipofisite linfocítica é uma doença autoimune que causa destruição da hipófise, geralmente levando a hipopituitarismo. A destruição seletiva de lactotrofos causaria hipoprolactinemia (prolactina baixa), não hiperprolactinemia. Além disso, a hipofisite linfocítica não costuma se apresentar como um macroadenoma de 2,8 cm com compressão do quiasma óptico; tipicamente causa espessamento difuso da glândula, não um nódulo bem definido. A apresentação clínica e os achados de imagem não são compatíveis com essa hipótese.

Gabarito: letra B

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