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Questão de Medicina — Endocrinologia — Avança SP 2026

MedicinaEndocrinologia
Código
qg654458
Banca
Avança SP
Órgão
Prefeitura de Vinhedo - SP
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico Endocrinologista
Um lactente apresenta quadro de baixa estatura severa, hipotireoidismo central e hipoplasia hipofisária à ressonância magnética. A avaliação laboratorial revela deficiência combinada de Hormônio do Crescimento (GH), Prolactina (PRL) e Hormônio Tireoestimulante (TSH), com preservação inicial do eixo corticotrófico e gonadotrófico. O defeito molecular mais provável, considerando a ontogênese das linhagens celulares hipofisárias acometidas, envolve o fator de transcrição:
  1. ATPIT (T-box transcription factor).
  2. BSF-1 (Steroidogenic factor 1).
  3. CPOU1F1 (anteriormente PIT-1).
  4. DDAX-1 (Dosage-sensitive sex reversal).
  5. EHESX1 (Homeobox gene expressed in ES cells).
Revelar gabarito e comentário

GabaritoC — POU1F1 (anteriormente PIT-1).

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Fatores de transcrição hipofisários e deficiência combinada de hormônios

Gabarito: letra C (POU1F1). O quadro descrito — deficiência combinada de GH, PRL e TSH com preservação dos eixos corticotrófico e gonadotrófico — é a assinatura clássica da mutação no fator de transcrição POU1F1 (anteriormente PIT-1), que controla a diferenciação e a expressão gênica das linhagens somatotróficas, lactotróficas e tireotróficas da hipófise anterior. Os demais fatores listados atuam em linhagens ou estágios diferentes da ontogênese hipofisária, como veremos.

A hipófise anterior (adeno-hipófise) abriga cinco tipos celulares secretores — somatotróficos (GH), lactotróficos (PRL), tireotróficos (TSH), corticotróficos (ACTH) e gonadotróficos (LH/FSH) — cada um originado de linhagens distintas durante a embriogênese. A diferenciação dessas linhagens é orquestrada por uma cascata de fatores de transcrição que se expressam em momentos específicos do desenvolvimento. O POU1F1 (PIT-1) é um fator de transcrição da família POU que se expressa precocemente e é indispensável para a especificação e sobrevivência das células somatotróficas, lactotróficas e tireotróficas. Mutações no gene POU1F1 causam deficiência combinada de GH, PRL e TSH, com hipoplasia hipofisária visível à ressonância magnética, exatamente o padrão descrito no enunciado. A preservação dos eixos corticotrófico e gonadotrófico é esperada, pois as linhagens corticotróficas e gonadotróficas não dependem do POU1F1 para sua diferenciação.

Para entender por que as outras alternativas estão incorretas, é preciso conhecer o papel de cada fator de transcrição na ontogênese hipofisária. O TPIT (T-box) é essencial para a diferenciação das células corticotróficas produtoras de ACTH; sua deficiência causa deficiência isolada de ACTH, não afetando GH, PRL ou TSH. O SF-1 (fator esteroidogênico 1) é crucial para o desenvolvimento das gônadas e das células gonadotróficas da hipófise, além das adrenais; sua deficiência cursa com hipogonadismo hipogonadotrófico e insuficiência adrenal, não com deficiência de GH/PRL/TSH. O DAX-1 (NR0B1) está envolvido no desenvolvimento adrenal e gonadal; mutações causam hipoplasia adrenal congênita e hipogonadismo hipogonadotrófico, sem o padrão de deficiência combinada descrito. O HESX1 é um fator de transcrição homeobox que atua nos estágios mais precoces do desenvolvimento hipofisário, antes da especificação das linhagens; mutações causam displasia septo-óptica, com hipopituitarismo variável, frequentemente associado a defeitos de linha média, mas o padrão típico de deficiência de GH/PRL/TSH com preservação dos demais eixos é mais característico do POU1F1.

Na prática clínica, o diagnóstico de deficiência combinada de hormônios hipofisários por mutação no POU1F1 é feito em lactentes com baixa estatura severa, hipotireoidismo central (TSH baixo com T4 livre baixo) e hipoplasia hipofisária à RM. A confirmação laboratorial mostra GH baixo, PRL baixa e TSH baixo, com ACTH e gonadotrofinas normais. O tratamento envolve reposição de GH, levotiroxina e, se necessário, outros hormônios, conforme a evolução.

A pegadinha desta questão está em associar o padrão de deficiência hormonal ao fator de transcrição correto, sem confundir com fatores que atuam em outras linhagens ou em estágios mais precoces. O candidato que decora os nomes sem entender a função de cada fator pode facilmente trocar POU1F1 por HESX1, por exemplo, já que ambos causam hipoplasia hipofisária. A chave é lembrar que POU1F1 é específico das linhagens somatotrófica, lactotrófica e tireotrófica, enquanto HESX1 atua antes da especificação das linhagens e TPIT/SF-1/DAX-1 atuam em linhagens diferentes.

Fator de Transcrição

Linhagens Celulares Afetadas

Hormônios Deficientes

Eixos Preservados

Característica Clínica Típica

POU1F1 (PIT-1)

Somatotróficas, lactotróficas, tireotróficas

GH, PRL, TSH

Corticotrófico e gonadotrófico

Hipoplasia hipofisária, baixa estatura, hipotireoidismo central

TPIT

Corticotróficas

ACTH

GH, PRL, TSH, LH/FSH

Deficiência isolada de ACTH, hipoglicemia

SF-1

Gonadotróficas, adrenais, gônadas

LH/FSH, cortisol

GH, PRL, TSH

Insuficiência adrenal, hipogonadismo hipogonadotrófico

DAX-1

Adrenais, gônadas

Cortisol, andrógenos, LH/FSH

GH, PRL, TSH

Hipoplasia adrenal congênita, hipogonadismo

HESX1

Estágio precoce (múltiplas linhagens)

Variável (pan-hipopituitarismo)

Variável

Displasia septo-óptica, defeitos de linha média

1POU1F1 (PIT-1)
GH, PRL e TSH
Deficiência combinada
2TPIT
ACTH
Deficiência isolada de ACTH
3SF-1
LH/FSH e adrenais
Hipogonadismo + insuficiência adrenal
4DAX-1
Adrenais e gônadas
Hipoplasia adrenal congênita
5HESX1
Estágio precoce (múltiplas linhagens)
Displasia septo-óptica
Fatores de transcrição hipofisários
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Fatores de transcrição hipofisários: POU1F1 (PIT-1) (GH, PRL e TSH, Deficiência combinada); TPIT (ACTH, Deficiência isolada de ACTH); SF-1 (LH/FSH e adrenais, Hipogonadismo + insuficiência adrenal); DAX-1 (Adrenais e gônadas, Hipoplasia adrenal congênita); HESX1 (Estágio precoce (múltiplas linhagens), Displasia septo-óptica)

Alternativa A — ❌ Incorreta

O TPIT (T-box transcription factor) é essencial para a diferenciação das células corticotróficas, que produzem ACTH. Mutações no TPIT causam deficiência isolada de ACTH, com hipoglicemia e colestase neonatal, mas sem afetar GH, PRL ou TSH. O enunciado descreve deficiência de GH, PRL e TSH com preservação do eixo corticotrófico, o que exclui o TPIT como causa.

Alternativa B — ❌ Incorreta

O SF-1 (Steroidogenic factor 1) é um fator de transcrição nuclear envolvido no desenvolvimento das gônadas, adrenais e células gonadotróficas da hipófise. Mutações no SF-1 causam insuficiência adrenal e hipogonadismo hipogonadotrófico, com preservação dos eixos somatotrófico, lactotrófico e tireotrófico. O quadro descrito é o oposto: deficiência de GH, PRL e TSH com preservação dos eixos corticotrófico e gonadotrófico.

Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO

O POU1F1 (anteriormente PIT-1) é o fator de transcrição que controla a diferenciação e a expressão gênica das linhagens somatotróficas (GH), lactotróficas (PRL) e tireotróficas (TSH). Mutações no POU1F1 causam deficiência combinada de GH, PRL e TSH, com hipoplasia hipofisária à RM e preservação dos eixos corticotrófico e gonadotrófico, exatamente o padrão descrito no enunciado. A ontogênese das linhagens acometidas aponta diretamente para este fator.

Alternativa D — ❌ Incorreta

O DAX-1 (Dosage-sensitive sex reversal) é um fator de transcrição nuclear envolvido no desenvolvimento adrenal e gonadal. Mutações no DAX-1 causam hipoplasia adrenal congênita e hipogonadismo hipogonadotrófico, sem afetar GH, PRL ou TSH. O quadro descrito não envolve insuficiência adrenal nem hipogonadismo, mas sim deficiência de GH, PRL e TSH.

Alternativa E — ❌ Incorreta

O HESX1 (Homeobox gene expressed in ES cells) é um fator de transcrição homeobox que atua nos estágios mais precoces do desenvolvimento hipofisário, antes da especificação das linhagens celulares. Mutações no HESX1 causam displasia septo-óptica, com hipopituitarismo variável e frequentemente associado a defeitos de linha média (como fenda palatina e agenesia do corpo caloso). Embora possa causar hipoplasia hipofisária e deficiência de múltiplos hormônios, o padrão típico de deficiência de GH, PRL e TSH com preservação dos demais eixos é mais característico do POU1F1, que atua em um estágio mais tardio e específico da diferenciação.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre fatores de transcrição que atuam em estágios diferentes da ontogênese hipofisária. O candidato que sabe que HESX1 causa hipoplasia hipofisária pode marcá-lo, mas o padrão de deficiência de GH, PRL e TSH com preservação dos eixos corticotrófico e gonadotrófico é a assinatura do POU1F1. Lembre-se: POU1F1 é específico das linhagens somatotrófica, lactotrófica e tireotrófica; HESX1 atua antes da especificação das linhagens e causa um espectro mais amplo de malformações.

PEGA ESSA DICA!

Para questões de fatores de transcrição hipofisários, monte uma tabela mental associando cada fator à linhagem celular que ele controla: POU1F1 → GH, PRL, TSH; TPIT → ACTH; SF-1 → LH/FSH e adrenais; DAX-1 → adrenais e gônadas; HESX1 → estágio precoce, múltiplas linhagens. Essa associação direta resolve a maioria das questões do tema.

Gabarito: letra C

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