Em idoso frágil com polifarmácia, o uso crônico de benzodiazepínico de longa ação está classicamente associado à/ao:
Amaior estabilidade postural e redução de quedas.
Baumento do risco de quedas, delirium e comprometimento cognitivo.
Cmelhora sustentada da memória recente e da atenção.
Dredução do risco de depressão maior e ideação suicida.
Eproteção contra hipotensão ortostática relacionada a outros fármacos.
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GabaritoB — aumento do risco de quedas, delirium e comprometimento cognitivo.
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Benzodiazepínicos no idoso frágil: riscos e consequências
Gabarito: letra B. O uso crônico de benzodiazepínico de longa ação em idoso frágil com polifarmácia está classicamente associado ao aumento do risco de quedas, delirium e comprometimento cognitivo — exatamente o que a alternativa B afirma. Essa associação decorre da farmacodinâmica dos benzodiazepínicos (potencialização do GABA, com efeitos sedativos, hipnóticos e amnésicos) somada às alterações farmacocinéticas do envelhecimento (maior lipossolubilidade, acúmulo em tecidos periféricos e menor depuração), que prolongam e intensificam seus efeitos adversos.
Os benzodiazepínicos são fármacos que agem como moduladores alostéricos positivos do receptor GABA-A, facilitando a entrada de íons cloreto na célula neuronal e promovendo hiperpolarização da membrana — daí sua atividade sedativa, ansiolítica, anticonvulsivante e de relaxamento muscular. No idoso, porém, essa ação é potencializada: com o envelhecimento há aumento da proporção de gordura corporal e diminuição da água corporal, o que faz com que fármacos lipossolúveis, como os benzodiazepínicos, tenham efeitos prolongados. Além disso, o declínio da taxa de filtração glomerular reduz a depuração de muitos medicamentos, e a menor depuração hepática dos benzodiazepínicos e de seus metabólitos ativos prolonga ainda mais sua ação. O resultado prático é um risco aumentado de sedação excessiva, instabilidade postural, quedas, delirium e prejuízo cognitivo — todos desfechos classicamente associados ao uso crônico dessa classe em idosos.
A relação entre benzodiazepínicos e delirium é bem documentada: o uso de sedação profunda é fator predisponente importante para delirium, aumentando sua incidência em até três vezes, e os benzodiazepínicos, especialmente em infusão contínua, associam-se intimamente à ocorrência de delirium. No idoso, mesmo o uso oral crônico de benzodiazepínicos de longa ação (como diazepam, com meia-vida superior a 20 horas) mantém esse risco elevado. O comprometimento cognitivo também é consequência direta: os benzodiazepínicos impedem a aquisição de novas informações (amnésia anterógrada), e seu uso prolongado está associado a piora da memória e da atenção. Quanto às quedas, o efeito sedativo e o relaxamento muscular, somados à possível hipotensão ortostática, comprometem o equilíbrio e a marcha, tornando o idoso mais vulnerável a quedas — fator de risco reconhecido em diretrizes de prevenção de quedas, que listam os benzodiazepínicos entre os medicamentos de alto risco.
A pegadinha central desta questão é a inversão de sinais: a banca apresenta, nas alternativas incorretas, efeitos benéficos que os benzodiazepínicos não produzem (estabilidade postural, melhora de memória, proteção contra depressão ou hipotensão), quando na verdade o fármaco produz exatamente o oposto. O candidato que conhece os efeitos adversos clássicos dos benzodiazepínicos no idoso identifica imediatamente a alternativa B como a única que descreve corretamente as consequências negativas. Guarde o tripé: quedas, delirium e comprometimento cognitivo — é o padrão de dano que a banca explora.
Benzodiazepínico de longa ação no idoso frágil: Farmacocinética do envelhecimento (Maior lipossolubilidade, Acúmulo em tecidos periféricos, Menor depuração (renal e hepática)); Efeitos adversos clássicos (Quedas (sedação, relaxamento muscular, hipotensão), Delirium (fator de risco reconhecido), Comprometimento cognitivo (amnésia anterógrada)); Efeitos que NÃO produz (Estabilidade postural, Melhora de memória/atenção, Proteção contra depressão, Proteção contra hipotensão)
Alternativa A — ❌ Incorreta
Afirma que o uso crônico de benzodiazepínico de longa ação está associado a maior estabilidade postural e redução de quedas. É exatamente o oposto: os benzodiazepínicos causam sedação, relaxamento muscular e podem provocar hipotensão, comprometendo o equilíbrio e aumentando o risco de quedas. A banca inverte o efeito real do fármaco.
Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Descreve corretamente a associação clássica: aumento do risco de quedas, delirium e comprometimento cognitivo. Os benzodiazepínicos, especialmente os de longa ação no idoso, prolongam seus efeitos devido à farmacocinética alterada do envelhecimento, resultando em sedação excessiva (quedas), delirium (fator de risco reconhecido) e amnésia anterógrada/comprometimento cognitivo.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Afirma que há melhora sustentada da memória recente e da atenção. É o contrário: os benzodiazepínicos causam amnésia anterógrada (impedem a aquisição de novas informações) e prejudicam a atenção, contribuindo para o comprometimento cognitivo. Não há qualquer efeito benéfico sobre a memória.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Afirma que há redução do risco de depressão maior e ideação suicida. Não há evidência de efeito protetor dos benzodiazepínicos contra depressão ou ideação suicida; pelo contrário, o uso crônico pode estar associado a piora do humor e dependência. A banca atribui um benefício inexistente à classe.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Afirma que há proteção contra hipotensão ortostática relacionada a outros fármacos. Os benzodiazepínicos, especialmente em bolus ou em pacientes instáveis, podem causar hipotensão por perda do tônus simpático — ou seja, são um fator de risco para hipotensão, não um protetor. A alternativa inverte o efeito hemodinâmico real.
NÃO CAIA NESSA!
A banca troca os efeitos adversos por supostos benefícios: estabilidade postural (A), melhora de memória (C), proteção contra depressão (D) e contra hipotensão (E) — todos inversões do que os benzodiazepínicos realmente fazem no idoso. O candidato que memoriza o tripé quedas + delirium + comprometimento cognitivo enxerga a pegadinha de longe. 💪