Entre as teorias biológicas do envelhecimento, a teoria que propõe acúmulo progressivo de danos oxidativos em macromoléculas celulares (DNA, proteínas, lipídios) causados por espécies reativas de oxigênio (EROs) produzidas no metabolismo mitocondrial denomina-se teoria:
ADos radicais livres.
BDa restrição calórica programada.
CDo encurtamento telomérico exclusivo.
DDa glicosilação não enzimática avançada.
EDo relógio biológico hipotalâmico.
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GabaritoA — Dos radicais livres.
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Teorias biológicas do envelhecimento: radicais livres
Gabarito: letra A. A teoria que propõe o acúmulo progressivo de danos oxidativos em macromoléculas (DNA, proteínas, lipídios) causados por espécies reativas de oxigênio (EROs) produzidas no metabolismo mitocondrial é a teoria dos radicais livres — também chamada de teoria do estresse oxidativo. O enunciado descreve exatamente o mecanismo central dessa teoria, conforme a literatura médica de geriatria (Goldman-Cecil Medicina).
As teorias biológicas do envelhecimento dividem-se em duas grandes categorias: as teorias de erros ou danos e as teorias de morte programada. As primeiras propõem que o envelhecimento resulta de ameaças ambientais acumuladas e do declínio da capacidade de reparo celular; as segundas postulam que fatores genéticos e de desenvolvimento determinam o curso da vida biológica. A teoria dos radicais livres se enquadra na primeira categoria: o metabolismo oxidativo mitocondrial gera subprodutos altamente reativos — os radicais livres de oxigênio (EROs) — que danificam proteínas, DNA e lipídios. Essa lesão molecular progressiva leva à disfunção celular e, em última instância, à degradação de tecidos e órgãos.
Na prática, o exemplo clássico é o dano cumulativo ao DNA mitocondrial e às membranas celulares (peroxidação lipídica) ao longo da vida. Quanto maior a exposição e menor a capacidade antioxidante endógena, maior o acúmulo de danos — o que explica por que o envelhecimento é progressivo e por que intervenções que reduzem o estresse oxidativo (como a restrição calórica, em modelos animais) podem retardar o processo. É importante distinguir essa teoria das demais: a teoria da glicosilação não enzimática (alternativa D) propõe que o acúmulo de moléculas de glicose ligadas a proteínas (produtos finais de glicação avançada — AGEs) compromete sua função; a teoria do encurtamento telomérico (alternativa C) foca na redução dos telômeros a cada divisão celular como limitador da replicação; a teoria do relógio biológico (alternativa E) sugere mecanismos temporais de base genética que programam o envelhecimento; e a restrição calórica (alternativa B) é uma intervenção que retarda o envelhecimento em modelos animais, não uma teoria que explica o mecanismo do dano oxidativo.
A pegadinha da banca está em confundir a teoria dos radicais livres com a teoria da glicosilação não enzimática, pois ambas envolvem dano a macromoléculas. O critério decisivo é o agente causador: na teoria dos radicais livres, o dano é causado por EROs do metabolismo mitocondrial; na glicosilação, o dano é causado pela ligação de glicose às proteínas. Guarde essa fronteira: é exatamente nela que as alternativas se dividem.
Teorias biológicas do envelhecimento: Teorias de erros/danos (Radicais livres (EROs mitocondriais), Glicosilação não enzimática (AGEs)); Teorias de morte programada (Encurtamento telomérico, Relógio biológico); Intervenção (não é teoria) (Restrição calórica)
Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A alternativa descreve com precisão a teoria dos radicais livres: acúmulo de danos oxidativos em DNA, proteínas e lipídios causados por espécies reativas de oxigênio produzidas no metabolismo mitocondrial. O texto de apoio confirma: "A teoria dos radicais livres do envelhecimento propõe que o metabolismo oxidativo resulta em um excesso de subprodutos altamente reativos, denominados radicais livres de oxigênio, que danificam as proteínas, o DNA e os lipídios." É a definição canônica da teoria do estresse oxidativo.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A restrição calórica não é uma teoria que explica o mecanismo do envelhecimento, mas sim uma intervenção que, em modelos animais, aumenta a longevidade. O texto de apoio afirma que "a restrição calórica (RC) ou redução proposital da ingestão de alimentos constitui a única intervenção que realmente aumentou, de modo reproduzível, a duração de vida máxima em determinados modelos animais de laboratório." A alternativa erra ao apresentá-la como uma teoria do envelhecimento, quando na verdade é uma estratégia que retarda o processo.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A teoria do encurtamento telomérico propõe que a redução progressiva dos telômeros a cada divisão celular limita a capacidade replicativa das células, contribuindo para o envelhecimento. O erro está no termo "exclusivo": o encurtamento telomérico é apenas um dos mecanismos moleculares do envelhecimento, não o único. Além disso, o enunciado descreve danos oxidativos por EROs, que não é o foco dessa teoria. A banca troca o mecanismo central: enquanto a teoria dos radicais livres foca no dano por estresse oxidativo, a teoria telomérica foca na limitação replicativa.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A teoria da glicosilação não enzimática avançada propõe que o acúmulo de moléculas de glicose ligadas a proteínas (produtos finais de glicação avançada — AGEs) compromete sua função e leva à degradação tecidual. O texto de apoio menciona: "Uma segunda teoria estabelece que o acúmulo de moléculas relacionadas à glicose nas proteínas contribui para a sua disfunção e degradação." A alternativa confunde o agente causador: na glicosilação, o dano é causado pela glicose; na teoria dos radicais livres, o dano é causado por EROs. O enunciado descreve explicitamente o dano oxidativo por EROs, o que exclui esta alternativa.
Alternativa E — ❌ Incorreta
A teoria do relógio biológico hipotalâmico propõe que o envelhecimento é programado por mecanismos temporais de base genética, possivelmente controlados por estruturas como o hipotálamo. Essa teoria se enquadra nas teorias de morte programada, que postulam que "os fatores genéticos e de desenvolvimento determinam de maneira mais significativa o curso da vida biológica e a idade máxima do organismo." O enunciado, porém, descreve um mecanismo de dano acumulativo (teoria de erros/danos), não um mecanismo programado. A alternativa erra ao atribuir o dano oxidativo a um relógio biológico, quando o dano é consequência do metabolismo mitocondrial.
Gabarito: letra A — a teoria dos radicais livres é a única que descreve o acúmulo de danos oxidativos por EROs mitocondriais.