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Questão de Medicina — Neurologia — Avança SP 2026

MedicinaNeurologia
Código
qg654504
Banca
Avança SP
Órgão
Prefeitura de Vinhedo - SP
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico Neurologista
Um paciente de 45 anos apresenta diplopia horizontal súbita e dor retro-orbitária persistente à direita. O exame neurológico revela paresia isolada do nervo abducente (VI par) direito, sem outras alterações da motricidade ocular ou pupilares. A suspeita clínica é de uma patologia no Seio Cavernoso (ex: aneurisma de carótida interna). Do ponto de vista anatômico, essa vulnerabilidade ocorre porque o nervo abducente é o único nervo craniano que:
  1. ACorre na parede lateral dura do seio, protegido junto aos nervos troclear e oculomotor.
  2. BPossui o trajeto intracraniano mais curto, tornando-o suscetível a estiramentos.
  3. CTrafega livremente no interior do seio cavernoso, adjacente à artéria carótida interna.
  4. DPassa pelo Canal de Dorello no ápice do rochedo, longe de estruturas vasculares.
  5. ECruza a linha média na cisterna pré-pontina, comprimindo o tronco basilar.
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GabaritoC — Trafega livremente no interior do seio cavernoso, adjacente à artéria carótida interna.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Anatomia do seio cavernoso e vulnerabilidade do nervo abducente

Gabarito: letra C. O nervo abducente (VI par craniano) é o único nervo craniano que trafega livremente no interior do seio cavernoso, imerso no sangue venoso e adjacente à artéria carótida interna — diferentemente dos nervos oculomotor (III), troclear (IV) e oftálmico (V1), que estão embutidos na parede lateral do seio. Essa posição anatômica peculiar explica por que lesões expansivas do seio cavernoso, como um aneurisma da carótida interna, comprometem precocemente o VI par, causando a diplopia horizontal descrita no caso.

O seio cavernoso é um plexo venoso localizado na base do crânio, de cada lado da sela túrcica. Sua importância clínica decorre das estruturas que o atravessam: a artéria carótida interna (com seu plexo simpático) e o nervo abducente passam no interior do seio, enquanto os nervos oculomotor, troclear e os ramos oftálmico e maxilar do trigêmeo estão na parede lateral do seio, entre as duas camadas da dura-máter. Essa organização anatômica é a chave para entender por que o abducente é tão vulnerável: por estar solto dentro do seio, qualquer processo expansivo — aneurisma, fístula carótido-cavernosa, trombose séptica, tumor — comprime-o diretamente, sem a proteção da parede dural que resguarda os demais nervos.

Na prática clínica, essa vulnerabilidade se traduz em um sinal precoce: a paresia isolada do VI par com dor retro-orbitária. O paciente do enunciado apresenta exatamente esse quadro — diplopia horizontal súbita (o abducente inerva o músculo reto lateral, responsável pela abdução do olho) e dor retro-orbitária à direita, sugerindo um aneurisma da carótida interna no seio cavernoso. A ausência de comprometimento pupilar e de outros nervos oculomotores reforça a lesão isolada do abducente, pois os nervos da parede lateral (III e IV) só seriam afetados em lesões mais extensas.

A distinção crucial que a questão explora é entre os nervos que estão dentro do seio cavernoso (abducente e carótida interna) e os que estão na parede (III, IV, V1 e V2). Essa diferença anatômica tem implicações diagnósticas importantes: enquanto um aneurisma carotídeo no seio cavernoso tipicamente causa paralisia isolada do VI par, processos que acometem a parede lateral tendem a comprometer múltiplos nervos simultaneamente. A banca cobra exatamente essa distinção, invertendo a localização dos nervos nas alternativas incorretas.

NÃO CAIA NESSA!

A banca inverte a localização dos nervos no seio cavernoso. O candidato que memoriza que "os nervos estão na parede lateral" sem especificar quais, erra ao marcar a alternativa A. O detalhe que decide é: o abducente é o único que trafega livremente no interior do seio, enquanto III, IV, V1 e V2 estão na parede lateral. Guarde essa exceção — ela é o ponto mais cobrado sobre o tema.

Característica

Nervo Abducente (VI)

Nervos Oculomotor (III), Troclear (IV), Oftálmico (V1) e Maxilar (V2)

Localização no seio cavernoso

Interior do seio, imerso no sangue venoso

Parede lateral do seio, entre as camadas da dura-máter

Relação com a artéria carótida interna

Adjacente diretamente à carótida interna

Protegidos pela parede dural, sem contato direto

Vulnerabilidade a lesões expansivas (ex.: aneurisma)

Alta — comprimido precocemente, causando paresia isolada

Menor — comprometidos apenas em lesões mais extensas

Seio cavernoso
  • 1Interior do seio
    • Artéria carótida interna
    • Nervo abducente (VI)
  • 2Parede lateral
    • Nervo oculomotor (III)
    • Nervo troclear (IV)
    • Nervo oftálmico (V1)
    • Nervo maxilar (V2)
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Alternativa A — ❌ Incorreta

Afirma que o abducente corre na parede lateral dura do seio, junto aos nervos troclear e oculomotor. Erro: inverte a localização. Os nervos que estão na parede lateral são o oculomotor (III), o troclear (IV) e os ramos oftálmico (V1) e maxilar (V2) do trigêmeo. O abducente, ao contrário, trafega no interior do seio cavernoso, adjacente à carótida interna. Essa é a armadilha clássica da questão.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Afirma que o abducente possui o trajeto intracraniano mais curto, tornando-o suscetível a estiramentos. Erro: o trajeto intracraniano curto não é a razão da vulnerabilidade no seio cavernoso. Embora o abducente tenha um trajeto longo e sinuoso (do tronco encefálico até a órbita, passando pelo canal de Dorello e pelo seio cavernoso), a suscetibilidade específica no seio cavernoso decorre de sua posição intraseio, não do comprimento do trajeto. O estiramento é um mecanismo relevante em outras topografias (como na hipertensão intracraniana), mas não explica a vulnerabilidade no seio cavernoso.

Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Afirma que o abducente trafega livremente no interior do seio cavernoso, adjacente à artéria carótida interna. Correto: é exatamente essa a anatomia. O VI par é o único nervo craniano que passa dentro do seio cavernoso, imerso no sangue venoso, ao lado da carótida interna. Essa posição o torna diretamente vulnerável a aneurismas, fístulas e processos expansivos do seio, explicando a paresia isolada do abducente no caso clínico apresentado.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Afirma que o abducente passa pelo canal de Dorello no ápice do rochedo, longe de estruturas vasculares. Erro: o canal de Dorello é uma estrutura real — o abducente realmente passa por ele ao atravessar a dura-máter no ápice petroso — mas a afirmação de que fica "longe de estruturas vasculares" é falsa. Após o canal de Dorello, o nervo entra no seio cavernoso, onde fica adjacente à carótida interna. A alternativa mistura uma informação correta (o canal de Dorello) com uma conclusão incorreta (longe de vasos), induzindo o candidato a erro.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Afirma que o abducente cruza a linha média na cisterna pré-pontina, comprimindo o tronco basilar. Erro: o abducente emerge do sulco bulbopontino e segue lateralmente, não cruza a linha média. Ele passa pela cisterna pré-pontina, mas não cruza o plano mediano, e não comprime o tronco basilar — na verdade, é o contrário: estruturas vasculares (como a artéria basilar ou a carótida) podem comprimir o nervo. A alternativa inverte a relação anatômica.

Gabarito: letra C — o nervo abducente é o único que trafega livremente no interior do seio cavernoso, adjacente à artéria carótida interna.

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