Na síndrome de Wallenberg, o paciente apresenta síndrome de Horner ipsilateral, ataxia e hipoestesia termoalgésica contralateral no tronco. O déficit motor ausente nesta síndrome, que a diferencia de lesões mais anteriores, é devido à preservação de uma estrutura específica do tronco encefálico. Esta estrutura é:
ANúcleo rubro.
BPirâmide bulbar.
CFascículo longitudinal medial.
DLemnisco medial.
EFormação reticular.
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GabaritoB — Pirâmide bulbar.
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Síndrome de Wallenberg: anatomia e preservação motora
Gabarito: letra B. A síndrome de Wallenberg (infarto bulbar lateral) poupa a via motora porque a lesão atinge a porção lateral do bulbo, enquanto a pirâmide bulbar, que contém o trato corticoespinal, localiza-se na porção anterior (medial) do bulbo e permanece intacta. É essa preservação anatômica que explica a ausência de hemiparesia, diferenciando-a de síndromes como a de Dejerine (bulbo medial), que cursa com hemiparesia contralateral.
A síndrome de Wallenberg, também chamada de síndrome bulbar lateral, é uma das síndromes alternas do tronco encefálico — assim chamadas porque combinam sinais ipsilaterais (do mesmo lado da lesão) e contralaterais (do lado oposto). Ela resulta, em geral, da oclusão da artéria vertebral ou da artéria cerebelar inferior posterior (PICA), que irriga a região lateral do bulbo. O quadro clássico inclui: síndrome de Horner ipsilateral (miose, ptose e anidrose facial), perda da sensibilidade térmica e dolorosa da face ipsilateral (núcleo do trigêmeo) e do hemicorpo contralateral (trato espinotalâmico), ataxia ipsilateral (pedúnculo cerebelar inferior), disfagia e disartria (núcleo ambíguo), além de vertigem e nistagmo (núcleos vestibulares).
O ponto central da questão é entender por que não há déficit motor. O trato corticoespinal, responsável pela motricidade voluntária, desce pelo bulbo formando as pirâmides bulbares, localizadas na porção anterior (ventral) do bulbo. A lesão isquêmica na síndrome de Wallenberg atinge a porção lateral do bulbo, poupando as pirâmides. Por isso, o paciente não apresenta hemiparesia — um achado que ajuda a distinguir essa síndrome de outras lesões bulbares mais anteriores, como a síndrome de Dejerine (infarto bulbar medial), que acomete a pirâmide e o lemnisco medial, causando hemiparesia contralateral e perda da sensibilidade proprioceptiva contralateral.
Para fixar: a síndrome de Wallenberg é uma síndrome alterna sensitiva (perda de sensibilidade termoalgésica contralateral) e autonômica (Horner ipsilateral), mas não motora. A ausência de fraqueza é um dado clínico tão característico que, como mencionado na literatura, muitos infartos cerebrais — incluindo a síndrome de Wallenberg — podem passar despercebidos por um médico que pressupõe que um AVE sempre cause paralisia.
A banca explora exatamente a confusão entre as estruturas do bulbo: o aluno que não domina a anatomia topográfica pode associar o déficit motor a qualquer estrutura do tronco, mas a chave é saber que a via motora (trato corticoespinal) está na pirâmide bulbar, na porção anterior, e é poupada na lesão lateral. Guarde a fronteira entre lateral (Wallenberg — sem déficit motor) e medial (Dejerine — com hemiparesia): é nela que as alternativas se dividem.
Síndrome de Wallenberg (bulbo lateral)
1Estruturas lesadas
Núcleo do trigêmeo (face ipsilateral)
Trato espinotalâmico (corpo contralateral)
Pedúnculo cerebelar inferior (ataxia)
Núcleo ambíguo (disfagia)
Núcleos vestibulares (vertigem)
2Estruturas poupadas
Pirâmide bulbar (trato corticoespinal)
Sem hemiparesia
Lemnisco medial
3Síndrome de Dejerine (bulbo medial)
Pirâmide bulbar lesada
Hemiparesia contralateral
Lemnisco medial lesado
Perda propriocepção contralateral
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Alternativa A — ❌ Incorreta
O núcleo rubro está localizado no mesencéfalo, não no bulbo, e está relacionado ao controle motor fino e à via rubroespinal. Lesões nessa estrutura não explicam a preservação motora na síndrome de Wallenberg, que é uma síndrome bulbar. A banca insere essa alternativa para testar se o aluno conhece a localização das estruturas do tronco encefálico.
Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A pirâmide bulbar é a estrutura que contém o trato corticoespinal, localizada na porção anterior do bulbo. Na síndrome de Wallenberg, a lesão isquêmica atinge a porção lateral do bulbo, poupando as pirâmides. Por isso, o paciente não apresenta hemiparesia — o déficit motor está ausente. Essa preservação é o que diferencia a síndrome de lesões mais anteriores do bulbo, como a síndrome de Dejerine, que cursa com hemiparesia contralateral.
Alternativa C — ❌ Incorreta
O fascículo longitudinal medial (FLM) é um trato que conecta os núcleos oculomotores e vestibulares, localizado na porção dorsal do tronco encefálico, próximo à linha média. Sua lesão causa oftalmoplegia internuclear (alteração do olhar conjugado), não déficit motor. Não é a estrutura responsável pela preservação motora na síndrome de Wallenberg.
Alternativa D — ❌ Incorreta
O lemnisco medial é uma via sensitiva que conduz a propriocepção consciente e o tato discriminativo, localizada na porção medial do bulbo. Sua lesão causa perda da sensibilidade proprioceptiva contralateral, como ocorre na síndrome de Dejerine (bulbo medial), mas não está relacionada à preservação motora. Na síndrome de Wallenberg, o lemnisco medial também é poupado, mas a questão pergunta especificamente pela estrutura cuja preservação explica a ausência de déficit motor — e essa estrutura é a pirâmide bulbar.
Alternativa E — ❌ Incorreta
A formação reticular é uma rede difusa de neurônios que se estende por todo o tronco encefálico, envolvida na regulação do ciclo sono-vigília, na consciência e em funções autonômicas. Sua lesão pode causar alteração do nível de consciência, mas não está diretamente relacionada à via motora voluntária. A preservação da formação reticular não explica a ausência de hemiparesia na síndrome de Wallenberg.
NÃO CAIA NESSA!
A banca troca a localização das estruturas do tronco encefálico para confundir o candidato. O erro mais comum é associar o déficit motor a qualquer estrutura do tronco, sem considerar a topografia. Lembre-se: a via motora (trato corticoespinal) está na pirâmide bulbar, na porção anterior do bulbo. Na síndrome de Wallenberg, a lesão é lateral, poupando as pirâmides — por isso não há hemiparesia. Com treino, você enxerga essa distinção de longe 💪.
PEGA ESSA DICA!
Para questões de síndromes do tronco encefálico, monte uma tabela mental com a localização da lesão e as estruturas envolvidas. Compare Wallenberg (bulbo lateral — sem déficit motor) com Dejerine (bulbo medial — com hemiparesia contralateral). Essa comparação é a chave para acertar questões que pedem a estrutura preservada ou lesada.