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Questão de Medicina — Neurologia — Avança SP 2026

MedicinaNeurologia
Código
qg654505
Banca
Avança SP
Órgão
Prefeitura de Vinhedo - SP
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico Neurologista
Na síndrome de Wallenberg, o paciente apresenta síndrome de Horner ipsilateral, ataxia e hipoestesia termoalgésica contralateral no tronco. O déficit motor ausente nesta síndrome, que a diferencia de lesões mais anteriores, é devido à preservação de uma estrutura específica do tronco encefálico. Esta estrutura é:
  1. ANúcleo rubro.
  2. BPirâmide bulbar.
  3. CFascículo longitudinal medial.
  4. DLemnisco medial.
  5. EFormação reticular.
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GabaritoB — Pirâmide bulbar.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Síndrome de Wallenberg: anatomia e preservação motora

Gabarito: letra B. A síndrome de Wallenberg (infarto bulbar lateral) poupa a via motora porque a lesão atinge a porção lateral do bulbo, enquanto a pirâmide bulbar, que contém o trato corticoespinal, localiza-se na porção anterior (medial) do bulbo e permanece intacta. É essa preservação anatômica que explica a ausência de hemiparesia, diferenciando-a de síndromes como a de Dejerine (bulbo medial), que cursa com hemiparesia contralateral.

A síndrome de Wallenberg, também chamada de síndrome bulbar lateral, é uma das síndromes alternas do tronco encefálico — assim chamadas porque combinam sinais ipsilaterais (do mesmo lado da lesão) e contralaterais (do lado oposto). Ela resulta, em geral, da oclusão da artéria vertebral ou da artéria cerebelar inferior posterior (PICA), que irriga a região lateral do bulbo. O quadro clássico inclui: síndrome de Horner ipsilateral (miose, ptose e anidrose facial), perda da sensibilidade térmica e dolorosa da face ipsilateral (núcleo do trigêmeo) e do hemicorpo contralateral (trato espinotalâmico), ataxia ipsilateral (pedúnculo cerebelar inferior), disfagia e disartria (núcleo ambíguo), além de vertigem e nistagmo (núcleos vestibulares).

O ponto central da questão é entender por que não há déficit motor. O trato corticoespinal, responsável pela motricidade voluntária, desce pelo bulbo formando as pirâmides bulbares, localizadas na porção anterior (ventral) do bulbo. A lesão isquêmica na síndrome de Wallenberg atinge a porção lateral do bulbo, poupando as pirâmides. Por isso, o paciente não apresenta hemiparesia — um achado que ajuda a distinguir essa síndrome de outras lesões bulbares mais anteriores, como a síndrome de Dejerine (infarto bulbar medial), que acomete a pirâmide e o lemnisco medial, causando hemiparesia contralateral e perda da sensibilidade proprioceptiva contralateral.

Para fixar: a síndrome de Wallenberg é uma síndrome alterna sensitiva (perda de sensibilidade termoalgésica contralateral) e autonômica (Horner ipsilateral), mas não motora. A ausência de fraqueza é um dado clínico tão característico que, como mencionado na literatura, muitos infartos cerebrais — incluindo a síndrome de Wallenberg — podem passar despercebidos por um médico que pressupõe que um AVE sempre cause paralisia.

A banca explora exatamente a confusão entre as estruturas do bulbo: o aluno que não domina a anatomia topográfica pode associar o déficit motor a qualquer estrutura do tronco, mas a chave é saber que a via motora (trato corticoespinal) está na pirâmide bulbar, na porção anterior, e é poupada na lesão lateral. Guarde a fronteira entre lateral (Wallenberg — sem déficit motor) e medial (Dejerine — com hemiparesia): é nela que as alternativas se dividem.

Síndrome de Wallenberg (bulbo lateral)
  • 1Estruturas lesadas
    • Núcleo do trigêmeo (face ipsilateral)
    • Trato espinotalâmico (corpo contralateral)
    • Pedúnculo cerebelar inferior (ataxia)
    • Núcleo ambíguo (disfagia)
    • Núcleos vestibulares (vertigem)
  • 2Estruturas poupadas
    • Pirâmide bulbar (trato corticoespinal)
      • Sem hemiparesia
    • Lemnisco medial
  • 3Síndrome de Dejerine (bulbo medial)
    • Pirâmide bulbar lesada
      • Hemiparesia contralateral
    • Lemnisco medial lesado
      • Perda propriocepção contralateral
LEVEL · soulevel.com.br

Alternativa A — ❌ Incorreta

O núcleo rubro está localizado no mesencéfalo, não no bulbo, e está relacionado ao controle motor fino e à via rubroespinal. Lesões nessa estrutura não explicam a preservação motora na síndrome de Wallenberg, que é uma síndrome bulbar. A banca insere essa alternativa para testar se o aluno conhece a localização das estruturas do tronco encefálico.

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A pirâmide bulbar é a estrutura que contém o trato corticoespinal, localizada na porção anterior do bulbo. Na síndrome de Wallenberg, a lesão isquêmica atinge a porção lateral do bulbo, poupando as pirâmides. Por isso, o paciente não apresenta hemiparesia — o déficit motor está ausente. Essa preservação é o que diferencia a síndrome de lesões mais anteriores do bulbo, como a síndrome de Dejerine, que cursa com hemiparesia contralateral.

Alternativa C — ❌ Incorreta

O fascículo longitudinal medial (FLM) é um trato que conecta os núcleos oculomotores e vestibulares, localizado na porção dorsal do tronco encefálico, próximo à linha média. Sua lesão causa oftalmoplegia internuclear (alteração do olhar conjugado), não déficit motor. Não é a estrutura responsável pela preservação motora na síndrome de Wallenberg.

Alternativa D — ❌ Incorreta

O lemnisco medial é uma via sensitiva que conduz a propriocepção consciente e o tato discriminativo, localizada na porção medial do bulbo. Sua lesão causa perda da sensibilidade proprioceptiva contralateral, como ocorre na síndrome de Dejerine (bulbo medial), mas não está relacionada à preservação motora. Na síndrome de Wallenberg, o lemnisco medial também é poupado, mas a questão pergunta especificamente pela estrutura cuja preservação explica a ausência de déficit motor — e essa estrutura é a pirâmide bulbar.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A formação reticular é uma rede difusa de neurônios que se estende por todo o tronco encefálico, envolvida na regulação do ciclo sono-vigília, na consciência e em funções autonômicas. Sua lesão pode causar alteração do nível de consciência, mas não está diretamente relacionada à via motora voluntária. A preservação da formação reticular não explica a ausência de hemiparesia na síndrome de Wallenberg.

NÃO CAIA NESSA!

A banca troca a localização das estruturas do tronco encefálico para confundir o candidato. O erro mais comum é associar o déficit motor a qualquer estrutura do tronco, sem considerar a topografia. Lembre-se: a via motora (trato corticoespinal) está na pirâmide bulbar, na porção anterior do bulbo. Na síndrome de Wallenberg, a lesão é lateral, poupando as pirâmides — por isso não há hemiparesia. Com treino, você enxerga essa distinção de longe 💪.

PEGA ESSA DICA!

Para questões de síndromes do tronco encefálico, monte uma tabela mental com a localização da lesão e as estruturas envolvidas. Compare Wallenberg (bulbo lateral — sem déficit motor) com Dejerine (bulbo medial — com hemiparesia contralateral). Essa comparação é a chave para acertar questões que pedem a estrutura preservada ou lesada.

Gabarito: letra B

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