Recém-nascido a termo apresenta fraqueza de membro superior direito, braço em rotação interna e adução, antebraço em pronação, reflexo de preensão palmar preservado. O quadro é sugestivo de:
AParalisia facial periférica traumática.
BParalisia braquial obstétrica tipo Erb– Duchenne (C5–C6).
CLesão de plexo lombossacro por apresentação pélvica.
DComprometimento isolado de nervo radial por compressão.
EMiopatia congênita com padrão cintural.
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GabaritoB — Paralisia braquial obstétrica tipo Erb– Duchenne (C5–C6).
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Gabarito: letra B. O quadro descrito — recém-nascido a termo com fraqueza do membro superior direito, braço em rotação interna e adução, antebraço em pronação e reflexo de preensão palmar preservado — é a apresentação clássica da paralisia braquial obstétrica do tipo Erb-Duchenne, que compromete as raízes C5-C6 do plexo braquial. A preservação da preensão palmar é o dado-chave: ela indica que a mão está poupada, o que afasta lesões mais baixas (C7-C8-T1, paralisia de Klumpke) e confirma o comprometimento alto do plexo.
A paralisia braquial obstétrica é uma lesão traumática do plexo braquial que ocorre durante o parto, geralmente por estiramento exagerado do pescoço do recém-nascido, mais comum em partos difíceis, como distocia de ombro ou apresentação pélvica. O plexo braquial é formado pelas raízes de C5 a T1, que se organizam em troncos, divisões, cordões e nervos terminais que inervam o membro superior. A depender da topografia da lesão, o quadro clínico varia: quando as raízes altas (C5-C6) são afetadas, comprometem-se os músculos do ombro e do cotovelo, poupando a mão — é a paralisia de Erb-Duchenne. Quando a lesão atinge as raízes baixas (C7-C8-T1), a mão é afetada e o ombro é poupado — é a paralisia de Klumpke. Na lesão total, todas as raízes são lesadas e o membro fica balouçante.
A postura típica da paralisia de Erb-Duchenne é exatamente a descrita no enunciado: o braço fica em adução e rotação interna (por paralisia dos abdutores e rotadores externos do ombro, como o deltoide e o supraespinhal), o antebraço em pronação (por paralisia do bíceps e supinador), e a mão preservada, com reflexo de preensão palmar presente. Essa postura é tão característica que recebe o nome de "posição de gorjeta de garçom" ou "ponta de gorjeta". O diagnóstico é essencialmente clínico, baseado no exame físico do recém-nascido, e deve-se sempre descartar fratura de clavícula ou de úmero proximal, que pode coexistir com a lesão neurológica ou simulá-la.
A gravidade da lesão varia: na neuropraxia (a forma mais comum), há edema da raiz e a recuperação completa ocorre em 1 a 2 semanas; na axonotmese, há ruptura das fibras nervosas e a recuperação é mais lenta e incompleta; na neurotmese, há ruptura completa da raiz e a recuperação nunca ocorre. O tratamento envolve fisioterapia precoce para evitar contraturas e, em casos selecionados, cirurgia.
A banca explora aqui a associação entre o padrão clínico (postura do membro) e a topografia da lesão (raízes C5-C6). O candidato precisa reconhecer que a preservação da mão é o elemento que diferencia a lesão alta da lesão baixa do plexo braquial. Guarde essa fronteira: lesão alta (C5-C6) = ombro e cotovelo comprometidos, mão poupada; lesão baixa (C7-C8-T1) = mão comprometida, ombro poupado.
Paralisia braquial obstétrica: Erb-Duchenne (C5-C6) (Braço em adução e rotação interna, Antebraço em pronação, Mão poupada (preensão preservada)); Klumpke (C7-C8-T1) (Mão comprometida, Ombro poupado); Lesão total (Membro balouçante)
Alternativa A — ❌ Incorreta
A paralisia facial periférica traumática compromete o nervo facial (VII par craniano) e se manifesta com assimetria facial, impossibilidade de fechar o olho e queda da comissura labial do lado afetado. Não há relação com a postura do membro superior descrita no enunciado. O quadro apresentado é de membro superior, não de face.
Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A postura do membro superior — braço em adução e rotação interna, antebraço em pronação, com mão preservada e reflexo de preensão palmar presente — é a descrição clássica da paralisia de Erb-Duchenne, que compromete as raízes C5-C6 do plexo braquial. A preservação da preensão palmar é o dado que confirma o comprometimento alto, poupando a mão.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A lesão do plexo lombossacro por apresentação pélvica comprometeria os membros inferiores, não o membro superior. O quadro descrito é de membro superior direito, o que aponta para lesão do plexo braquial, não lombossacro.
Alternativa D — ❌ Incorreta
O comprometimento isolado do nervo radial por compressão causaria, tipicamente, a "mão caída" (queda do punho e dos dedos), por paralisia dos extensores. O quadro descrito — braço em rotação interna e adução, antebraço em pronação — não corresponde à lesão isolada do radial, que pouparia a musculatura do ombro e do cotovelo.
Alternativa E — ❌ Incorreta
A miopatia congênita com padrão cintural se manifesta com fraqueza proximal e simétrica, geralmente acometendo a cintura pélvica e escapular, sem a postura típica de um membro em rotação interna e pronação. Além disso, é uma condição não traumática, enquanto o quadro descrito é de um recém-nascido com lesão obstétrica, o que aponta para etiologia traumática do parto.
NÃO CAIA NESSA!
A banca descreve a postura clássica da paralisia de Erb-Duchenne e o candidato pode confundir com lesão de nervo periférico isolado (alternativa D) ou com miopatia (alternativa E). O segredo é reconhecer que a preservação da preensão palmar indica lesão alta do plexo (C5-C6), poupando a mão. A lesão baixa (C7-C8-T1, Klumpke) comprometeria a mão, e a lesão isolada do radial causaria mão caída, não a postura descrita.