A hidrocefalia classifica-se conforme o mecanismo fisiopatológico. A hidrocefalia caracterizada por obstrução do fluxo liquórico dentro do sistema ventricular (aqueduto de Sylvius, forames de Monro ou Luschka/Magendie), com dilatação ventricular a montante, denomina-se hidrocefalia:
ANão comunicante obstrutiva.
BComunicante arreabsortiva.
CEx-vacuo por atrofia cerebral.
DNormotensiva idiopática do adulto.
EHipersecretora por papiloma plexo coroide.
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GabaritoA — Não comunicante obstrutiva.
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Hidrocefalia: classificação fisiopatológica
Gabarito: letra A. A hidrocefalia causada por obstrução do fluxo liquórico dentro do sistema ventricular (aqueduto de Sylvius, forames de Monro ou Luschka/Magendie), com dilatação ventricular a montante, é denominada hidrocefalia não comunicante obstrutiva. Essa é a definição clássica que contrapõe a hidrocefalia comunicante (arreabsortiva), na qual não há obstrução intraventricular, mas sim falha na reabsorção do líquido cefalorraquidiano (LCR) pelas granulações aracnoides.
A hidrocefalia é definida pelo aumento dos ventrículos cerebrais, e sua classificação mais importante para o raciocínio clínico é baseada no mecanismo fisiopatológico. A distinção fundamental é entre hidrocefalia comunicante e não comunicante (também chamada obstrutiva). Na forma não comunicante, há um bloqueio mecânico ao fluxo do LCR em algum ponto do sistema ventricular, impedindo que o líquido atinja o espaço subaracnóideo. Os locais clássicos de obstrução são o aqueduto de Sylvius (entre o terceiro e o quarto ventrículo), os forames de Monro (entre os ventrículos laterais e o terceiro ventrículo) e os forames de Luschka e Magendie (saídas do quarto ventrículo). Como o LCR continua sendo produzido, ele se acumula a montante da obstrução, dilatando os ventrículos. Essa dilatação é o achado tomográfico característico.
Na hidrocefalia comunicante, não há obstrução intraventricular; o LCR flui livremente pelos ventrículos e atinge o espaço subaracnóideo, mas a reabsorção está comprometida, geralmente por doença das granulações aracnoides (por exemplo, após hemorragia subaracnóidea ou meningite). O termo "arreabsortiva" é sinônimo de comunicante. Já a hidrocefalia ex-vacuo não é uma hidrocefalia verdadeira: ocorre quando há perda de parênquima cerebral (atrofia) e os ventrículos aumentam passivamente para preencher o espaço, sem aumento da pressão intracraniana. A hidrocefalia normotensiva é uma forma crônica de hidrocefalia comunicante, caracterizada pela tríade clássica de ataxia, demência e incontinência urinária, com pressão intracraniana normal. Por fim, a hidrocefalia hipersecretora é raríssima e decorre de produção excessiva de LCR, como no papiloma do plexo coroide.
Para fixar: a palavra-chave da questão é "obstrução do fluxo liquórico dentro do sistema ventricular". Isso aponta diretamente para a hidrocefalia não comunicante obstrutiva. A banca explora a confusão entre os termos "comunicante" e "não comunicante", e entre os mecanismos obstrutivo e arreabsortivo. Guarde a fronteira: obstrução intraventricular = não comunicante; falha de reabsorção = comunicante. É exatamente nessa fronteira que as alternativas se dividem.
Hidrocefalia
1Não comunicante (obstrutiva)
Obstrução intraventricular
Aqueduto de Sylvius
Forames de Monro
Luschka/Magendie
Dilatação a montante
2Comunicante (arreabsortiva)
Falha de reabsorção
Granulações aracnoides
3Ex-vacuo
Atrofia cerebral
Sem hipertensão
4Normotensiva
Forma crônica comunicante
Tríade: ataxia, demência, incontinência
5Hipersecretora
Papiloma do plexo coroide
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Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A alternativa descreve com precisão a hidrocefalia não comunicante obstrutiva: obstrução do fluxo liquórico dentro do sistema ventricular (aqueduto de Sylvius, forames de Monro ou Luschka/Magendie), com dilatação ventricular a montante. O termo "não comunicante" indica que o LCR não consegue se comunicar com o espaço subaracnóideo devido ao bloqueio, e "obstrutiva" reforça o mecanismo mecânico. É a definição clássica e corresponde exatamente ao enunciado.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A hidrocefalia comunicante arreabsortiva é caracterizada por falha na reabsorção do LCR nas granulações aracnoides, sem obstrução intraventricular. O fluxo liquórico dentro dos ventrículos está preservado. A banca troca o mecanismo: enquanto a questão descreve obstrução intraventricular, a alternativa apresenta o mecanismo arreabsortivo, que é o oposto.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A hidrocefalia ex-vacuo é consequência de atrofia cerebral, com aumento passivo dos ventrículos para preencher o espaço deixado pela perda de parênquima. Não há obstrução do fluxo liquórico nem aumento da pressão intracraniana. A alternativa confunde o mecanismo obstrutivo com o fenômeno de preenchimento por atrofia.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A hidrocefalia normotensiva idiopática do adulto é uma forma crônica de hidrocefalia comunicante, com pressão intracraniana normal, manifestada pela tríade ataxia, demência e incontinência urinária. Não se caracteriza por obstrução intraventricular aguda. A alternativa descreve uma entidade clínica distinta, não o mecanismo fisiopatológico descrito no enunciado.
Alternativa E — ❌ Incorreta
A hidrocefalia hipersecretora por papiloma do plexo coroide é uma causa raríssima, decorrente de produção excessiva de LCR pelo tumor. Não há obstrução do fluxo liquórico; o problema é a superprodução. A alternativa troca o mecanismo obstrutivo pelo secretor.
NÃO CAIA NESSA!
A banca adora inverter os mecanismos: comunicante × não comunicante, obstrutiva × arreabsortiva. O candidato que decora os nomes sem entender o mecanismo cai na alternativa B, que parece plausível. Lembre-se: obstrução intraventricular = não comunicante; falha de reabsorção = comunicante. Com treino, você enxerga essas trocas de longe 💪