Um paciente de 24 anos é trazido ao prontosocorro após um evento em seu local de trabalho. Testemunhas relatam que ele parou de falar subitamente, ficou com o olhar fixo e começou a mexer nas roupas de forma repetitiva (automatismos manuais) por cerca de 1 minuto. Durante o evento, não respondeu aos chamados. Ao final, apresentou confusão mental por 10 minutos. Ele descreve que sentiu um "medo intenso e injustificado" segundos antes de perder a memória do ocorrido. Com base na Classificação Operacional das Crises Epilépticas da ILAE (2017/vigente), a classificação correta deste evento é:
ACrise de início focal, perceptiva, com sintomas emocionais, evoluindo para crise focal disperceptiva.
BCrise de início generalizado não motora (ausência atípica), dado o componente de parada comportamental e automatismos.
CCrise de início desconhecido, com características de lobo temporal mesial, classificada como discognitiva complexa.
DCrise de início focal, com comprometimento da percepção (disperceptiva), de início não motor (emocional).
ECrise de início não motor, perceptiva, classificada como crise de ausência típica devido à parada comportamental.
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GabaritoD — Crise de início focal, com comprometimento da percepção (disperceptiva), de início não motor (emocional).
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Classificação Operacional das Crises Epilépticas da ILAE (2017)
Gabarito: letra D. O evento descrito é uma crise de início focal, com comprometimento da percepção (disperceptiva), iniciando com sintoma não motor (emocional — medo intenso), seguida de automatismos e confusão pós-ictal. A classificação da ILAE (2017) substituiu o termo "disperceptiva" por "com comprometimento da percepção" e abandonou a expressão "discognitiva complexa". A alternativa D é a única que reflete corretamente a classificação vigente.
A Classificação Operacional das Crises Epilépticas da ILAE (2017) é o sistema atualmente utilizado para categorizar as crises epilépticas. Ela se baseia em três níveis: o tipo de início (focal, generalizado ou desconhecido), o nível de percepção (perceptiva ou com comprometimento da percepção) e as características semiológicas (motoras ou não motoras). Este sistema substituiu a classificação anterior de 1981, que usava termos como "crise parcial simples", "crise parcial complexa" e "crise discognitiva".
No caso clínico apresentado, o paciente tem 24 anos e apresenta um evento com início súbito, caracterizado por:
Aura emocional: "medo intenso e injustificado" segundos antes da perda de memória — este é um sintoma não motor, típico de crises focais originadas no lobo temporal (especialmente na amígdala).
Comprometimento da percepção: não respondeu aos chamados, ficou com olhar fixo e não se lembra do ocorrido — indica perda de consciência durante a crise.
Automatismos manuais: mexer nas roupas de forma repetitiva — comportamento automático, comum em crises focais com comprometimento da percepção.
Duração: cerca de 1 minuto, seguido de confusão pós-ictal de 10 minutos — típico de crises focais disperceptivas.
A classificação correta, portanto, é: crise de início focal, com comprometimento da percepção (disperceptiva), de início não motor (emocional). A alternativa D captura exatamente essa sequência: o início é focal (aura emocional), evolui para comprometimento da percepção (automatismos e falta de resposta) e o sintoma inicial é não motor (emocional).
A pegadinha central desta questão é a terminologia. A banca explora a confusão entre os termos antigos e novos da classificação da ILAE. O termo "disperceptiva" foi substituído por "com comprometimento da percepção" na classificação de 2017, mas a alternativa D usa "disperceptiva" entre parênteses, o que é aceitável como sinônimo. Já a alternativa C usa "discognitiva complexa", um termo obsoleto da classificação de 1981, que não é mais utilizado. Além disso, a alternativa C classifica a crise como "início desconhecido", o que é incorreto, pois há clara evidência de início focal (aura emocional).
Outra distinção importante é entre crise focal com comprometimento da percepção e crise de ausência (generalizada). A ausência típica é uma crise generalizada não motora, com duração de 2 a 20 segundos, sem aura e sem confusão pós-ictal prolongada. No caso, a duração de 1 minuto, a aura emocional e a confusão pós-ictal de 10 minutos apontam claramente para uma crise focal, não para uma ausência. A alternativa E erra ao classificar como "ausência típica", e a alternativa B erra ao classificar como "ausência atípica".
A alternativa A também está incorreta, pois afirma que a crise evolui de "perceptiva" para "disperceptiva". No caso, a crise já inicia com comprometimento da percepção (o paciente não responde aos chamados e não se lembra do ocorrido), não havendo uma fase perceptiva inicial. A aura emocional é um sintoma focal não motor, mas não significa que a percepção esteja preservada — ela é o sintoma inicial da crise, que rapidamente evolui para comprometimento da percepção.
Guarde a fronteira entre os termos da classificação da ILAE (2017): início focal vs. generalizado, perceptiva vs. com comprometimento da percepção, e motor vs. não motor. É exatamente nessa fronteira que as alternativas se dividem.
Classificação ILAE (2017): Início (Focal, Generalizado, Desconhecido); Percepção (Perceptiva, Com comprometimento); Sintomas (Motor, Não motor)
Alternativa A — ❌ Incorreta
Afirma que a crise é "perceptiva" no início, evoluindo para "disperceptiva". No caso, a crise já inicia com comprometimento da percepção — o paciente não responde aos chamados e não se lembra do ocorrido. A aura emocional (medo) é um sintoma focal não motor, mas não indica percepção preservada; ela é o sintoma inicial da crise, que rapidamente evolui para comprometimento da percepção. A alternativa erra ao sugerir uma fase perceptiva inicial.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Classifica a crise como "início generalizado não motor (ausência atípica)". A ausência atípica é uma crise generalizada, com duração geralmente mais curta e sem aura. No caso, a presença de aura emocional (medo intenso) e a duração de 1 minuto com confusão pós-ictal de 10 minutos indicam claramente uma crise focal, não uma crise generalizada. A alternativa erra ao classificar como generalizada.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Classifica a crise como "início desconhecido" e usa o termo obsoleto "discognitiva complexa". O início é claramente focal, evidenciado pela aura emocional (medo intenso). Além disso, "discognitiva complexa" é um termo da classificação de 1981, substituído por "com comprometimento da percepção" na classificação de 2017. A alternativa erra tanto na classificação do início quanto na terminologia.
Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Classifica corretamente a crise como "início focal, com comprometimento da percepção (disperceptiva), de início não motor (emocional)". A aura emocional (medo intenso) é o sintoma inicial não motor, e a evolução para automatismos, falta de resposta e confusão pós-ictal indica comprometimento da percepção. Esta é a classificação correta segundo a ILAE (2017).
Alternativa E — ❌ Incorreta
Classifica a crise como "não motor, perceptiva, ausência típica". A ausência típica é uma crise generalizada, com duração de 2 a 20 segundos, sem aura e sem confusão pós-ictal prolongada. No caso, a duração de 1 minuto, a aura emocional e a confusão pós-ictal de 10 minutos indicam uma crise focal com comprometimento da percepção, não uma ausência. A alternativa erra ao classificar como perceptiva e como ausência típica.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a confusão entre a terminologia antiga e a nova da classificação da ILAE. O termo "discognitiva complexa" (alternativa C) é da classificação de 1981 e foi substituído por "com comprometimento da percepção" em 2017. Além disso, a banca tenta confundir crise focal com ausência (generalizada), usando a parada comportamental como pista falsa. Lembre-se: a presença de aura emocional e a duração maior com confusão pós-ictal apontam para crise focal, não para ausência. Com treino, você identifica essas trocas de longe 💪.
PEGA ESSA DICA!
Para classificar uma crise segundo a ILAE (2017), siga três passos: 1) Determine o início (focal, generalizado ou desconhecido) — a aura emocional indica início focal; 2) Avalie a percepção (perceptiva ou com comprometimento) — falta de resposta e amnésia indicam comprometimento; 3) Identifique os sintomas (motor ou não motor) — medo é não motor. Aplique esses passos a cada caso clínico e você acertará a classificação.