Questão de Medicina — Doenças Infecto-Parasitárias — Avança SP 2026
Medicina›Doenças Infecto-Parasitárias
Código
qg654594
Banca
Avança SP
Órgão
Prefeitura de Vinhedo - SP
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico Plantonista de Pronto-Atendimento - Pediatra
Um paciente é levado ao serviço de urgência com um quadro grave. Durante a avaliação, os familiares relatam que ele iniciou com febre elevada e cefaleia. Ao exame físico, o médico identifica náuseas, vômitos, rigidez de nuca e observa que o paciente apresenta alteração do estado mental.Pergunta: Considerando apenas as alternativas apresentadas, qual é o diagnóstico mais provável?
AMeningite bacteriana aguda.
BEncefalite viral crônica.
CHipotireoidismo subclínico.
DCrupe.
EEstenose subglótica.
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GabaritoA — Meningite bacteriana aguda.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Gabarito: letra A. O quadro descrito — febre elevada, cefaleia, náuseas, vômitos, rigidez de nuca e alteração do estado mental — é a apresentação clássica da meningite bacteriana aguda, uma emergência infecciosa do sistema nervoso central. A combinação de síndrome toxi-infecciosa (febre, prostração), síndrome de irritação meníngea (rigidez de nuca) e síndrome de hipertensão intracraniana (cefaleia, vômitos) aponta diretamente para o diagnóstico, conforme a semiologia das meningites.
A meningite é a inflamação das meninges — as membranas que envolvem o cérebro e a medula espinhal. Quando causada por bactérias, o quadro é agudo e grave, evoluindo em horas a poucos dias, muitas vezes seguindo o modelo de uma sepse. Os principais agentes variam com a idade: em recém-nascidos, estreptococos do grupo B; em crianças e adultos, Neisseria meningitidis (meningococo), Streptococcus pneumoniae (pneumococo) e Haemophilus influenzae tipo b; em idosos e imunossuprimidos, Listeria monocytogenes.
A apresentação clínica pode ser dividida em três síndromes que se sobrepõem:
Síndrome de irritação meníngea: rigidez de nuca, sinais de Kernig e Brudzinski, opistótono nos casos graves.
Síndrome de hipertensão intracraniana: cefaleia, náuseas e vômitos (às vezes em jato).
A tríade clássica — febre, rigidez de nuca e alteração do estado mental — ocorre em apenas 41% dos casos, mas a presença de dois dos quatro sintomas (cefaleia, febre, rigidez de nuca, alteração do estado mental) está presente em 95% dos pacientes. Por isso, a banca montou o enunciado com todos os elementos que permitem o reconhecimento imediato.
O diagnóstico é essencialmente clínico e deve ser confirmado por punção lombar com análise do líquido cefalorraquidiano (LCR), que mostra pleocitose com predomínio de neutrófilos, hipoglicorraquia e hiperproteinorraquia. O atraso na antibioticoterapia empírica é uma das principais causas de mortalidade e sequelas — por isso, na suspeita, coleta-se hemoculturas e inicia-se o tratamento imediato.
A pegadinha desta questão está nas alternativas que descrevem condições crônicas ou não relacionadas ao sistema nervoso central: encefalite viral crônica, hipotireoidismo subclínico, crupe e estenose subglótica. O candidato que não domina a semiologia das meningites pode se confundir, mas a presença de rigidez de nuca + febre + alteração do estado mental é praticamente patognomônica de meningite.
NÃO CAIA NESSA!
A banca mistura condições crônicas (encefalite viral crônica, hipotireoidismo subclínico) e doenças respiratórias obstrutivas (crupe, estenose subglótica) como distratores. O aluno que não associa rigidez de nuca + febre + alteração do estado mental à meningite pode cair na armadilha de escolher uma condição que também causa febre, mas sem o comprometimento meníngeo. Lembre-se: rigidez de nuca é o sinal-chave que separa a meningite das demais.
A meningite bacteriana aguda é a única alternativa que explica todos os sintomas: febre elevada (síndrome toxi-infecciosa), cefaleia e vômitos (hipertensão intracraniana), rigidez de nuca (irritação meníngea) e alteração do estado mental (comprometimento do SNC). O curso agudo e grave descrito no enunciado é típico da etiologia bacteriana, que evolui rapidamente e exige tratamento emergencial.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A encefalite viral crônica não se encaixa: encefalite é inflamação do parênquima cerebral, com sintomas como convulsões, déficits focais e alteração do comportamento, mas a rigidez de nuca é menos proeminente. Além disso, o termo "crônica" contradiz o quadro agudo e grave descrito. A meningite bacteriana é aguda; encefalites virais crônicas (como a panencefalite esclerosante subaguda) têm evolução lenta e progressiva, não com febre alta e rigidez de nuca em horas.
Alternativa C — ❌ Incorreta
O hipotireoidismo subclínico é uma condição endócrina assintomática ou com sintomas inespecíficos (fadiga, ganho de peso, intolerância ao frio). Não causa febre, rigidez de nuca nem alteração aguda do estado mental. A presença de febre elevada e sinais meníngeos exclui completamente essa hipótese.
Alternativa D — ❌ Incorreta
O crupe (laringotraqueobronquite aguda) é uma infecção viral das vias aéreas superiores que causa tosse metálica ("tosse de cachorro"), estridor inspiratório e rouquidão, principalmente em crianças. Não há rigidez de nuca, febre alta com comprometimento do estado mental nem sinais de irritação meníngea. O quadro é respiratório, não neurológico.
Alternativa E — ❌ Incorreta
A estenose subglótica é uma obstrução da via aérea abaixo das cordas vocais, geralmente congênita ou adquirida (pós-intubação). Manifesta-se com estridor, desconforto respiratório e tiragem, sem febre, rigidez de nuca ou alteração do estado mental. Não há qualquer relação com o quadro infeccioso meníngeo descrito.
Gabarito: letra A — meningite bacteriana aguda, reconhecida pela tríade clássica de febre, rigidez de nuca e alteração do estado mental, associada a cefaleia e vômitos.