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Questão de Medicina — Pediatria e Neonatologia — Avança SP 2026

MedicinaPediatria e Neonatologia
Código
qg654597
Banca
Avança SP
Órgão
Prefeitura de Vinhedo - SP
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico Plantonista de Pronto-Atendimento - Pediatra
Durante uma consulta pediátrica, uma criança de 4 anos apresenta queixa de ardência ao urinar e aumento da frequência urinária. Está em bom estado geral, sem febre, sem vômitos e consegue ingerir líquidos normalmente. A médica considera a hipótese de infecção do trato urinário (ITU).Com base nesse cenário e nas informações clínicas descritas, como essa ITU deve ser classificada?
  1. AGrave, pois toda infecção urinária em crianças deve ser tratada com internação.
  2. BLeve, pois a criança apresenta sintomas urinários sem sinais de comprometimento geral.
  3. CGrave, devido à presença de disúria e aumento da frequência urinária.
  4. DAssintomática, pois a criança está em bom estado geral.
  5. ECrônica, pois a dor urinária indica infecção recorrente.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoB — Leve, pois a criança apresenta sintomas urinários sem sinais de comprometimento geral.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Infecção do trato urinário (ITU) em pediatria: classificação clínica

Gabarito: letra B. A ITU deve ser classificada como leve, pois a criança apresenta apenas sintomas urinários (disúria e polaciúria) sem sinais de comprometimento sistêmico — está afebril, em bom estado geral, sem vômitos e hidratada. A classificação da ITU em pediatria considera a presença de sintomas sistêmicos (febre, toxemia) e o comprometimento do estado geral para definir gravidade e necessidade de internação, conforme as diretrizes de manejo da infecção urinária na infância.

A infecção do trato urinário (ITU) é a infecção bacteriana mais comum na infância e pode ser classificada de diversas formas: por localização anatômica (baixa — cistite/uretrite; alta — pielonefrite), por sintomatologia (assintomática ou sintomática) e por presença de alterações estruturais ou funcionais (complicada ou não complicada). No cenário apresentado, a criança de 4 anos tem sintomas clássicos de ITU baixa (cistite): ardência ao urinar (disúria) e aumento da frequência urinária (polaciúria). A ausência de febre, vômitos e o bom estado geral indicam que não há comprometimento sistêmico, o que afasta a pielonefrite e define o quadro como leve.

A classificação de gravidade em pediatria não se baseia apenas na presença de sintomas urinários, mas sim na presença de sinais de alerta: febre alta, toxemia, vômitos que impedem hidratação oral, prostração, ou sinais de sepse. Crianças com ITU febril, especialmente menores de 2 anos, têm maior risco de pielonefrite e necessidade de investigação com exames de imagem e, em alguns casos, internação. Já a criança maior, com sintomas urinários isolados, sem febre e em bom estado geral, pode ser manejada ambulatorialmente com antibioticoterapia oral, após coleta de urina para urocultura.

É importante destacar que a ITU sintomática é definida pela presença de sintomas decorrentes do processo infeccioso, diferenciando-se da bacteriúria assintomática, em que há crescimento bacteriano na urina sem sintomas. No caso, a criança apresenta sintomas urinários, portanto não se trata de ITU assintomática. A classificação de crônica ou recorrente exige história de múltiplos episódios, o que não é mencionado no enunciado. A alternativa A está incorreta ao afirmar que toda ITU em crianças deve ser tratada com internação — isso é falso, pois a maioria dos casos é leve e tratada ambulatorialmente.

A pegadinha desta questão está em associar a presença de disúria e polaciúria à gravidade, quando na verdade esses são sintomas de ITU baixa (cistite), que é a forma mais comum e leve. A banca explora a confusão entre ITU baixa (leve, sintomas urinários) e ITU alta (pielonefrite, com sintomas sistêmicos como febre e toxemia). O critério decisivo para classificar a gravidade é a presença ou ausência de comprometimento sistêmico, não a presença de sintomas urinários.

ITU em pediatria
  • 1Classificação por localização
    • Baixa (cistite/uretrite)
      • Sintomas urinários (disúria, polaciúria)
      • Sem comprometimento sistêmico
    • Alta (pielonefrite)
      • Febre, toxemia
      • Comprometimento do estado geral
  • 2Classificação por gravidade
    • Leve
      • Manejo ambulatorial
    • Grave
      • Internação
  • 3Classificação por sintomatologia
    • Sintomática
    • Assintomática (bacteriúria)
  • 4Classificação por recorrência
    • Aguda
    • Crônica/recorrente
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Alternativa A — ❌ Incorreta

Afirma que toda ITU em crianças deve ser tratada com internação. Isso é falso: a maioria das ITUs em crianças é leve e tratada ambulatorialmente com antibiótico oral. A internação é reservada para casos com comprometimento sistêmico, toxemia, vômitos que impedem hidratação oral, ou complicações. A criança do caso está em bom estado geral, sem febre e hidratada, portanto não há indicação de internação.

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A criança apresenta apenas sintomas urinários (disúria e polaciúria), sem febre, sem vômitos, em bom estado geral e hidratada. Isso caracteriza ITU baixa (cistite), que é uma forma leve, sem comprometimento sistêmico. A classificação de gravidade leva em conta a presença de sintomas sistêmicos, e a ausência deles define o quadro como leve, passível de manejo ambulatorial.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Afirma que a ITU é grave devido à presença de disúria e aumento da frequência urinária. Esses são sintomas de ITU baixa (cistite), que é a forma mais comum e leve. A gravidade é determinada pela presença de sintomas sistêmicos (febre, toxemia, vômitos), não pela presença de sintomas urinários. A banca troca o critério de gravidade: sintomas urinários não indicam gravidade, mas sim localização baixa da infecção.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Classifica a ITU como assintomática, mas a criança apresenta sintomas urinários (disúria e polaciúria). ITU assintomática (bacteriúria assintomática) é definida pela presença de bactérias na urina sem sintomas. Como há sintomas, não se trata de ITU assintomática. A alternativa confunde a ausência de sintomas sistêmicos com ausência de sintomas urinários.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Classifica a ITU como crônica, mas não há história de infecções recorrentes. ITU crônica ou recorrente é definida por múltiplos episódios (geralmente 2 ou mais em 6 meses, ou 3 ou mais em 1 ano). O enunciado descreve um episódio agudo isolado. A dor urinária (disúria) não indica recorrência, mas sim infecção atual.

Gabarito: letra B

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