Questão de Medicina — Pneumologia — Avança SP 2026
Medicina›Pneumologia
Código
qg654609
Banca
Avança SP
Órgão
Prefeitura de Vinhedo - SP
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico Pneumologista
Para a estratificação de risco inicial de um paciente com embolia pulmonar aguda confirmada, o escore clínico validado que integra parâmetros como idade, frequência cardíaca, saturação de oxigênio e histórico de câncer ou cirurgia recente, categorizando o paciente como de baixo, intermediário ou alto risco de mortalidade precoce, é o:
AEscore de Padua.
BEscore CURB-65.
CEscore de Wells.
DEscore de Geneva revisado.
EEscore PESI (Índice de Gravidade da Embolia Pulmonar).
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GabaritoE — Escore PESI (Índice de Gravidade da Embolia Pulmonar).
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Escore PESI na estratificação de risco da embolia pulmonar
Gabarito: letra E. O escore PESI (Pulmonary Embolism Severity Index) é o instrumento clínico validado que integra variáveis como idade, sexo, frequência cardíaca, saturação de oxigênio, histórico de câncer, cirurgia recente e outras, categorizando o paciente com embolia pulmonar aguda em classes de risco de mortalidade precoce (baixo, intermediário e alto). A alternativa correta é a letra E, pois descreve exatamente o PESI, conforme o guideline da Sociedade Europeia de Cardiologia (ESC) de 2014.
O PESI é um escore prognóstico desenvolvido especificamente para pacientes com tromboembolismo pulmonar (TEP) confirmado. Ele foi criado para estimar o risco de mortalidade em 30 dias, permitindo ao médico decidir o local de tratamento (ambulatorial, enfermaria ou UTI) e a intensidade da investigação. O escore original é composto por 11 variáveis clínicas, cada uma com pontuação própria: idade (em anos), sexo masculino (+10 pontos), câncer (+30 pontos), insuficiência cardíaca crônica (+10 pontos), doença pulmonar crônica (+10 pontos), frequência cardíaca ≥ 110 bpm (+20 pontos), pressão arterial sistólica < 100 mmHg (+30 pontos), frequência respiratória > 30 ipm (+20 pontos), temperatura < 36°C (+20 pontos), alteração do nível de consciência (+60 pontos) e saturação arterial < 90% (+20 pontos). A soma desses pontos classifica o paciente em cinco classes: Classe I (≤ 65 pontos, mortalidade 0-1,6%), Classe II (66-85 pontos, mortalidade 1,7-3,5%), Classe III (86-105 pontos, mortalidade 3,2-7,1%), Classe IV (106-125 pontos, mortalidade 4,0-11,4%) e Classe V (> 125 pontos, mortalidade 10-24,5%). Na prática, as classes I e II são consideradas de baixo risco, a classe III de risco intermediário e as classes IV e V de alto risco. Existe também a versão simplificada, o sPESI, que usa apenas 6 variáveis dicotômicas (idade > 80 anos, câncer, insuficiência cardíaca/doença pulmonar crônica, frequência cardíaca ≥ 110 bpm, PAS < 100 mmHg e SpO2 < 90%), cada uma valendo 1 ponto; sPESI = 0 indica baixo risco e sPESI ≥ 1 indica risco intermediário ou alto.
A razão de ser do PESI é a necessidade de uma ferramenta objetiva e validada para substituir a impressão clínica subjetiva na decisão sobre o manejo do TEP. O guideline da ESC de 2014 recomenda explicitamente o uso do PESI ou do sPESI para estratificar pacientes sem instabilidade hemodinâmica, pois a presença de hipotensão ou choque já define, por si só, o alto risco. Nos pacientes estáveis, o escore ajuda a identificar quem precisa de internação, quem pode ser tratado em casa e quem exige monitorização mais intensiva com exames de imagem do ventrículo direito e biomarcadores cardíacos. Por exemplo, um paciente de 70 anos, com câncer ativo, FC de 115 bpm e SpO2 de 88% teria uma pontuação alta (idade 70 + câncer 30 + FC 20 + SpO2 20 = 140 pontos), sendo classificado como Classe V, ou seja, alto risco de mortalidade precoce, o que justificaria internação em UTI e consideração de reperfusão.
A distinção crucial que a banca explora nesta questão é entre os escores de probabilidade clínica (pré-teste) e os escores prognósticos (pós-diagnóstico). O escore de Wells e o de Geneva revisado são ferramentas de probabilidade pré-teste, usadas para estimar a chance de o paciente ter TEP antes da confirmação diagnóstica — eles não avaliam gravidade nem mortalidade. Já o PESI é um escore prognóstico, aplicado após o diagnóstico confirmado, para estimar o risco de morte precoce. O escore de Padua, por sua vez, é um preditor de risco de tromboembolismo venoso em pacientes clínicos hospitalizados, ou seja, avalia a chance de desenvolver TEP/TVP, não a gravidade de um TEP já estabelecido. O CURB-65 é um escore de gravidade para pneumonia adquirida na comunidade, completamente fora do contexto do TEP. A pegadinha está em confundir o papel de cada escore: o enunciado pede um escore que "integra parâmetros como idade, frequência cardíaca, saturação de oxigênio e histórico de câncer ou cirurgia recente" e que "categoriza o paciente como de baixo, intermediário ou alto risco de mortalidade precoce" — essa é a definição exata do PESI, não dos escores de probabilidade pré-teste.
Guarde a fronteira entre escore de probabilidade clínica (Wells, Geneva) e escore prognóstico (PESI, sPESI): é exatamente nela que as alternativas se dividem. O PESI é o único que combina as variáveis citadas no enunciado com a finalidade de estratificar mortalidade precoce.
Alternativa A — ❌ Incorreta
O escore de Padua é um preditor de risco de tromboembolismo venoso (TEV) em pacientes clínicos hospitalizados, utilizado para decidir sobre profilaxia farmacológica. Ele avalia fatores como câncer ativo, DTV prévia, mobilidade reduzida, condição trombofílica, trauma ou cirurgia recente, idade avançada, insuficiência respiratória/cardíaca, IAM/AVC, infecção, obesidade e tratamento hormonal, dividindo os pacientes em baixo risco (< 4 pontos) e alto risco (≥ 4 pontos). Não é usado para estratificar mortalidade precoce em pacientes com TEP já confirmado — seu papel é prevenir a ocorrência do evento, não avaliar a gravidade de um evento estabelecido.
Alternativa B — ❌ Incorreta
O escore CURB-65 é um instrumento de gravidade para pneumonia adquirida na comunidade, criado pela British Thoracic Society. Ele avalia confusão mental, ureia > 50 mg/dL, frequência respiratória ≥ 30 irpm, pressão arterial sistólica < 90 mmHg ou diastólica ≤ 60 mmHg e idade ≥ 65 anos. Não tem nenhuma relação com embolia pulmonar — é um escore de pneumonia, e a banca o inclui como distrator para testar se o candidato sabe diferenciar os escores por doença.
Alternativa C — ❌ Incorreta
O escore de Wells é uma ferramenta de probabilidade clínica pré-teste para TEP, ou seja, estima a chance de o paciente ter embolia pulmonar antes da confirmação diagnóstica. Ele avalia sinais clínicos de TVP, frequência cardíaca > 100 bpm, imobilização ou cirurgia recente, TEP/TVP prévia, hemoptise, câncer ativo e a possibilidade de diagnóstico alternativo ser menos provável que TEP. O resultado classifica o paciente em baixa, moderada ou alta probabilidade de ter TEP — não em risco de mortalidade precoce após o diagnóstico confirmado.
Alternativa D — ❌ Incorreta
O escore de Geneva revisado, assim como o de Wells, é um escore de probabilidade clínica pré-teste para TEP. Ele avalia idade > 65 anos, TEP/TVP prévia, cirurgia ou fratura recente, câncer ativo, dor unilateral em membro inferior, hemoptise, frequência cardíaca de 75-94 bpm ou ≥ 95 bpm e dor à palpação venosa profunda. O resultado também classifica a probabilidade de o paciente ter TEP (baixa, intermediária ou alta), não o risco de mortalidade precoce. A confusão entre probabilidade pré-teste e prognóstico é a armadilha central desta questão.
Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO
O escore PESI (Pulmonary Embolism Severity Index) é exatamente o que o enunciado descreve: um escore clínico validado que integra idade, sexo, frequência cardíaca, saturação de oxigênio, histórico de câncer, cirurgia recente, entre outras variáveis, e categoriza o paciente com TEP confirmado em classes de risco de mortalidade precoce (baixo, intermediário e alto). O guideline da ESC de 2014 recomenda seu uso para estratificar pacientes sem instabilidade hemodinâmica, e a versão simplificada (sPESI) também é validada. As classes I e II correspondem a baixo risco, a classe III a risco intermediário e as classes IV e V a alto risco.
NÃO CAIA NESSA!
A banca mistura escores de probabilidade clínica pré-teste (Wells, Geneva) com escores prognósticos pós-diagnóstico (PESI). O candidato que decora os nomes sem entender a função de cada um cai na armadilha: Wells e Geneva dizem "qual a chance de ser TEP?", enquanto o PESI diz "se é TEP, qual o risco de morrer?" — o enunciado pede exatamente o segundo.
NÃO CAIA NESSA!
Para não confundir, organize os escores por função: (1) probabilidade pré-teste de TEP → Wells e Geneva revisado; (2) prognóstico/mortalidade no TEP confirmado → PESI e sPESI; (3) risco de desenvolver TEV em paciente clínico → Padua; (4) gravidade de pneumonia → CURB-65 e PSI. Na prova, leia o enunciado com atenção: se pede "estratificação de risco de mortalidade precoce" em TEP, a resposta é PESI.