Questão de Medicina — Pneumologia — Avança SP 2026
Medicina›Pneumologia
Código
qg654612
Banca
Avança SP
Órgão
Prefeitura de Vinhedo - SP
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico Pneumologista
Assinale a alternativa correta sobre neoplasias respiratórias e implicações diagnósticas/terapêuticas no câncer de pulmão:
ACarcinoma de pequenas células é tipicamente periférico e, na maior parte, ressecável ao diagnóstico, com cirurgia como modalidade padrão inicial.
BAdenocarcinoma é frequentemente central e fortemente associado a cavitação, com hemoptise maciça como manifestação dominante.
CPara lesões periféricas suspeitas, biópsia guiada por TC tende a ter bom rendimento diagnóstico, com pneumotórax como complicação relevante.
DA síndrome de Pancoast está mais associada a tumor em lobo médio, com compressão de nervo frênico e disfonia como achado clássico.
EImunoterapia com inibidores de checkpoint é reservada apenas para tumores com mutação EGFR ativadora, após falha de TKI.
Revelar gabarito e comentário▾
GabaritoC — Para lesões periféricas suspeitas, biópsia guiada por TC tende a ter bom rendimento diagnóstico, com pneumotórax como complicação relevante.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Neoplasias respiratórias: câncer de pulmão e suas implicações diagnósticas e terapêuticas
Gabarito: letra C. A biópsia guiada por tomografia computadorizada (TC) é um método consagrado para o diagnóstico de lesões pulmonares periféricas, apresentando bom rendimento diagnóstico, sendo o pneumotórax a complicação mais relevante e frequente do procedimento. As demais alternativas distorcem características fundamentais dos subtipos histológicos, da síndrome de Pancoast e da indicação de imunoterapia, como veremos em detalhe.
O câncer de pulmão é uma doença heterogênea, e o conhecimento de suas características clínicas, histológicas e moleculares é essencial para a abordagem diagnóstica e terapêutica correta. A classificação histológica divide o câncer de pulmão em dois grandes grupos: o carcinoma de pequenas células (CPPC) e o carcinoma de não pequenas células (CPNPC), sendo este último o mais comum e subdividido principalmente em adenocarcinoma, carcinoma de células escamosas e carcinoma de grandes células. Cada subtipo tem uma apresentação típica, uma localização preferencial e um comportamento biológico distinto, o que influencia diretamente a estratégia de diagnóstico e tratamento.
O adenocarcinoma, por exemplo, é o subtipo mais frequente e, ao contrário do que afirma a alternativa B, é tipicamente periférico, localizando-se no parênquima pulmonar distal. Já o carcinoma de células escamosas costuma ser central, originando-se nos grandes brônquios. O CPPC, por sua vez, é um tumor altamente agressivo, quase sempre metastático ao diagnóstico, e por isso raramente é ressecável cirurgicamente; seu tratamento padrão inicial é a quimioterapia associada à imunoterapia, e não a cirurgia. A síndrome de Pancoast, mencionada na alternativa D, é causada por tumores do ápice pulmonar (sulco superior), que invadem estruturas como o plexo braquial, o gânglio estrelado e o nervo laríngeo recorrente, levando a dor no ombro, síndrome de Horner e disfonia, respectivamente — não está associada ao lobo médio nem ao nervo frênico.
No campo terapêutico, a imunoterapia com inibidores de checkpoint (como anti-PD-1 e anti-PD-L1) é uma estratégia fundamental no tratamento do CPNPC avançado, mas sua indicação não se restringe a tumores com mutação EGFR. Na verdade, a presença de mutações driver como EGFR ou rearranjo ALK geralmente direciona o tratamento para terapias-alvo específicas (TKI), e a imunoterapia é mais frequentemente utilizada em tumores sem essas alterações, ou em combinação com quimioterapia, dependendo do perfil molecular e da expressão de PD-L1. A alternativa E, portanto, inverte completamente a lógica da medicina de precisão.
A alternativa C, correta, aborda o diagnóstico de lesões periféricas. Quando uma lesão pulmonar periférica é suspeita de malignidade, a biópsia percutânea guiada por TC é um procedimento minimamente invasivo com alta acurácia diagnóstica. A complicação mais comum é o pneumotórax, que ocorre em uma proporção significativa dos casos, embora a maioria seja pequena e não requeira intervenção. Essa é uma informação clínica prática e amplamente aceita, que contrasta com os erros conceituais das outras alternativas.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a confusão entre as localizações típicas dos subtipos histológicos: o adenocarcinoma é periférico, enquanto o carcinoma de células escamosas é central. A alternativa B inverte essa relação, e a alternativa A atribui ao CPPC características do CPNPC (periférico e ressecável). Fique atento a essas trocas clássicas.
Câncer de pulmão
1Classificação histológica
Pequenas células (CPPC)
Central
Quase sempre metastático
Cirurgia raramente é opção
Não pequenas células (CPNPC)
Adenocarcinoma
Periférico
Subtipo mais comum
Células escamosas
Central
Cavitação
2Síndrome de Pancoast
Ápice pulmonar
Plexo braquial → dor no ombro
Gânglio estrelado → Horner
Laríngeo recorrente → disfonia
3Diagnóstico de lesão periférica
Biópsia guiada por TC
Bom rendimento
Pneumotórax (complicação relevante)
4Terapêutica
Mutação EGFR/ALK → TKI
Sem mutação driver → imunoterapia (checkpoint)
LEVEL · soulevel.com.br
Alternativa A — ❌ Incorreta
O carcinoma de pequenas células (CPPC) é tipicamente central, originando-se nos brônquios proximais, e não periférico. Além disso, é um tumor extremamente agressivo, com crescimento rápido e disseminação precoce, sendo quase sempre metastático ao diagnóstico. Por isso, a cirurgia raramente é uma opção, e o tratamento padrão inicial é a quimioterapia combinada com imunoterapia, com a radioterapia desempenhando papel importante em casos de doença localizada. A alternativa erra ao afirmar que o CPPC é periférico e ressecável, confundindo-o com o adenocarcinoma.
Alternativa B — ❌ Incorreta
O adenocarcinoma é o subtipo mais comum de câncer de pulmão e, ao contrário do que afirma a alternativa, é tipicamente periférico, localizando-se no parênquima pulmonar distal. A cavitação é uma característica mais associada ao carcinoma de células escamosas, que é central e pode sofrer necrose central, formando cavidades. A hemoptise maciça, embora possa ocorrer em qualquer tipo de câncer de pulmão, não é a manifestação dominante do adenocarcinoma, que costuma se apresentar com sintomas mais inespecíficos como tosse, dispneia e dor torácica. A alternativa troca as características do adenocarcinoma com as do carcinoma de células escamosas.
Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A biópsia percutânea guiada por TC é um procedimento padrão para o diagnóstico de lesões pulmonares periféricas suspeitas. O método tem bom rendimento diagnóstico, com sensibilidade elevada, especialmente para lesões maiores e periféricas. A complicação mais relevante e frequente é o pneumotórax, que ocorre em uma proporção variável de casos, mas que na maioria das vezes é pequeno e autolimitado, podendo ser manejado conservadoramente. Essa é uma informação clínica precisa e amplamente aceita na prática pneumológica e torácica.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A síndrome de Pancoast é causada por tumores localizados no ápice do pulmão (sulco superior), e não no lobo médio. Esses tumores invadem estruturas adjacentes como o plexo braquial, o gânglio estrelado e o nervo laríngeo recorrente, resultando em dor no ombro e braço, síndrome de Horner (miose, ptose e anidrose) e disfonia (rouquidão), respectivamente. O nervo frênico, que inerva o diafragma, pode ser comprometido por tumores centrais ou mediastinais, mas não é o achado clássico da síndrome de Pancoast. A alternativa erra ao associar a síndrome ao lobo médio e ao nervo frênico.
Alternativa E — ❌ Incorreta
A imunoterapia com inibidores de checkpoint (anti-PD-1, anti-PD-L1) é uma estratégia terapêutica importante no CPNPC avançado, mas sua indicação não é restrita a tumores com mutação EGFR. Na verdade, a presença de mutações driver como EGFR ou rearranjo ALK geralmente direciona o tratamento para terapias-alvo (TKI), como osimertinibe, erlotinibe, crizotinibe, entre outros. A imunoterapia é mais frequentemente utilizada em tumores sem essas alterações, especialmente quando há alta expressão de PD-L1, ou em combinação com quimioterapia, independentemente do status mutacional. A alternativa inverte a lógica da medicina de precisão, sugerindo que a imunoterapia seria reservada para tumores com mutação EGFR, quando na verdade esses tumores são tratados preferencialmente com TKI.