Questão de Medicina — Pneumologia — Avança SP 2026
Medicina›Pneumologia
Código
qg654621
Banca
Avança SP
Órgão
Prefeitura de Vinhedo - SP
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico Pneumologista
Segundo o Manual de Recomendações para o Controle da Tuberculose do Ministério da Saúde, o esquema terapêutico para a meningoencefalite tuberculosa diferencia-se do esquema básico pulmonar. A duração total do tratamento e a terapia adjuvante obrigatória (salvo contraindicação) para reduzir sequelas neurológicas são, respectivamente:
A6 meses e piridoxina.
B12 meses e corticosteroide sistêmico.
C9 meses e fenitoína.
D12 meses e imunoglobulina.
E6 meses e manitol.
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GabaritoB — 12 meses e corticosteroide sistêmico.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Tuberculose meningoencefálica: esquema terapêutico e terapia adjuvante
Gabarito: letra B. Na meningoencefalite tuberculosa, o tratamento dura 12 meses (fase intensiva de 2 meses com RHZE + fase de manutenção de 10 meses com RH) e a terapia adjuvante obrigatória, salvo contraindicação, é o corticosteroide sistêmico (prednisona oral ou dexametasona IV nos casos graves), conforme o Manual de Recomendações para o Controle da Tuberculose do Ministério da Saúde. A alternativa B é a única que combina corretamente os dois elementos.
A tuberculose (TB) é uma doença infecciosa causada pelo Mycobacterium tuberculosis, que acomete principalmente os pulmões, mas pode se disseminar para outros órgãos, incluindo o sistema nervoso central, dando origem à forma meningoencefálica — a mais grave da doença, com alta morbimortalidade e risco de sequelas neurológicas permanentes. O tratamento da TB baseia-se em esquemas com associação de fármacos bactericidas, com o objetivo de eliminar rapidamente a população bacteriana, esterilizar as lesões e prevenir o desenvolvimento de resistência. O esquema básico para adultos e adolescentes (≥ 10 anos) é o 2RHZE/4RH: dois meses de fase intensiva com rifampicina (R), isoniazida (H), pirazinamida (Z) e etambutol (E), seguidos de quatro meses de manutenção com rifampicina e isoniazida, totalizando seis meses.
Na forma meningoencefálica, porém, o esquema é diferente. A barreira hematoencefálica dificulta a penetração dos fármacos, e a resposta inflamatória intensa no espaço subaracnóideo contribui para o dano neurológico. Por isso, o tratamento é prolongado: a fase intensiva permanece com 2 meses de RHZE, mas a fase de manutenção é estendida para 10 meses de RH, totalizando 12 meses de tratamento. Essa duração maior visa garantir a esterilização completa das lesões do sistema nervoso central e reduzir o risco de recidiva. Além disso, o uso de corticosteroide sistêmico é recomendado como terapia adjuvante — prednisona oral (1 a 2 mg/kg/dia) por quatro semanas ou, nos casos graves, dexametasona intravenosa (0,3 a 0,4 mg/kg/dia) por quatro a oito semanas, com redução gradual da dose. O corticosteroide atua modulando a resposta inflamatória, reduzindo o edema cerebral, a vasculite e a formação de exsudato, o que diminui a incidência de sequelas neurológicas, como hidrocefalia, déficits motores e cognitivos.
A piridoxina (vitamina B6) é um adjuvante importante no tratamento da TB, mas sua indicação está ligada à prevenção da neuropatia periférica causada pela isoniazida, e não à redução de sequelas neurológicas da meningoencefalite. Já a fenitoína é um anticonvulsivante, a imunoglobulina é usada em outras condições imunológicas e o manitol é um diurético osmótico utilizado no manejo da hipertensão intracraniana aguda, mas nenhum deles é a terapia adjuvante obrigatória preconizada pelo Ministério da Saúde para a TB meningoencefálica. A banca explora exatamente a confusão entre esses fármacos e o corticosteroide, que é a conduta correta.
Guarde a diferença entre o esquema básico (6 meses) e o da meningoencefalite (12 meses), e entre a piridoxina (prevenção de neuropatia por isoniazida) e o corticosteroide (redução de sequelas neurológicas na forma meníngea): é nesses dois eixos que as alternativas se dividem.
1Fase intensiva: 2 meses RHZE
2Fase manutenção: 10 meses RH
3Adjuvante: corticoide sistêmico
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Alternativa A — ❌ Incorreta
Erra na duração do tratamento: a meningoencefalite tuberculosa não é tratada por 6 meses, mas sim por 12 meses (2RHZE/10RH). Além disso, a piridoxina não é a terapia adjuvante para reduzir sequelas neurológicas — ela é usada para prevenir a neuropatia periférica induzida pela isoniazida, um efeito adverso do esquema básico, não específico da forma meníngea.
Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Espelha exatamente a recomendação do Ministério da Saúde: 12 meses de tratamento (2 meses de RHZE + 10 meses de RH) e corticosteroide sistêmico como terapia adjuvante obrigatória (salvo contraindicação) para reduzir sequelas neurológicas. A prednisona oral (1–2 mg/kg/dia por 4 semanas) ou a dexametasona IV (0,3–0,4 mg/kg/dia por 4–8 semanas, com redução gradual) são as opções preconizadas.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Erra na duração (9 meses não é o esquema para TB meningoencefálica) e na terapia adjuvante: a fenitoína é um anticonvulsivante, usado no controle de crises epilépticas que podem ocorrer como complicação, mas não é a terapia adjuvante obrigatória para reduzir sequelas neurológicas. O corticosteroide é que cumpre esse papel.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Acerta na duração (12 meses), mas erra na terapia adjuvante: a imunoglobulina não faz parte do tratamento da TB meningoencefálica. Ela é utilizada em outras condições, como imunodeficiências ou doenças autoimunes, e não tem papel na redução de sequelas neurológicas da meningite tuberculosa.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Erra na duração (6 meses é o esquema básico da TB pulmonar, não o da meningoencefalite) e na terapia adjuvante: o manitol é um diurético osmótico usado no manejo agudo da hipertensão intracraniana, mas não é a terapia adjuvante obrigatória e prolongada preconizada para reduzir sequelas neurológicas na TB meníngea.
NÃO CAIA NESSA!
A banca mistura dois eixos para confundir: (1) a duração do esquema básico (6 meses) com a da forma meningoencefálica (12 meses); e (2) a piridoxina, que previne neuropatia por isoniazida, com o corticosteroide, que reduz sequelas neurológicas na meningite tuberculosa. O candidato que decora o esquema básico e não estuda as particularidades da forma meníngea cai nas alternativas A ou E. Fique atento: sempre que a questão falar em "meningoencefalite tuberculosa", lembre-se de 12 meses + corticoide.
PEGA ESSA DICA!
Para fixar, compare os esquemas: TB pulmonar/extrapulmonar (exceto meníngea) = 2RHZE/4RH (6 meses); TB meningoencefálica = 2RHZE/10RH (12 meses). E associe: corticoide → meninge (reduz sequelas neurológicas); piridoxina → neuropatia periférica por isoniazida (em qualquer esquema com H). Essa distinção cai com frequência em provas de pneumologia e infectologia.