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Questão de Medicina — Alergia e Imunologia — Avança SP 2026

MedicinaAlergia e Imunologia
Código
qg654629
Banca
Avança SP
Órgão
Prefeitura de Vinhedo - SP
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico Reumatologista
Assinale a alternativa correta sobre fisiopatologia imune em defeitos do complemento e suscetibilidade a infecções:
  1. ADeficiência de C1q aumenta opsonização de bactérias encapsuladas por deposição de C3b e reduz risco de sepse.
  2. BDeficiência de C3 reduz opsonização e depuração de patógenos encapsulados, comprometendo fagocitose dependente de complemento.
  3. CDeficiência de C5a aumenta quimiotaxia neutrofílica e melhora controle de Neisseria spp.
  4. DDeficiência do fator H reduz ativação do complemento e protege contra meningococcemia invasiva.
  5. EDeficiência de C9 aumenta deposição de IgG em cápsulas bacterianas e reduz bacteremia.
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GabaritoB — Deficiência de C3 reduz opsonização e depuração de patógenos encapsulados, comprometendo fagocitose dependente de complemento.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Defeitos do complemento e suscetibilidade a infecções

Gabarito: letra B. A deficiência de C3 compromete a opsonização e a depuração de patógenos encapsulados, pois o C3b é o principal opsonina do sistema complemento, essencial para a fagocitose dependente de complemento. As demais alternativas invertem os efeitos fisiológicos dos componentes do complemento, atribuindo consequências protetoras a deficiências que, na verdade, aumentam a suscetibilidade a infecções.

O sistema complemento é um conjunto de proteínas séricas que atuam na imunidade inata, promovendo a opsonização de microrganismos, a quimiotaxia de neutrófilos, a lise celular via complexo de ataque à membrana (MAC) e a modulação da resposta inflamatória. A ativação do complemento ocorre por três vias: clássica (dependente de anticorpos), alternativa (independente de anticorpos) e das lectinas. Todas convergem para a clivagem de C3 em C3a e C3b, sendo o C3b o fragmento central que se deposita na superfície microbiana e marca o patógeno para fagocitose (opsonização).

A deficiência de C3 é uma imunodeficiência primária rara, mas grave, que resulta em infecções recorrentes por bactérias encapsuladas, como Streptococcus pneumoniae, Haemophilus influenzae e Neisseria meningitidis. Sem C3b, a fagocitose mediada por receptores de complemento (CR1, CR3) fica comprometida, e a formação do MAC também é prejudicada. Além disso, a deficiência de C3 afeta a via alternativa e a clássica, pois o C3 é o ponto de convergência das três vias. Por isso, a alternativa B está correta ao afirmar que a deficiência de C3 reduz a opsonização e a depuração de patógenos encapsulados, comprometendo a fagocitose dependente de complemento.

As deficiências de componentes terminais do complemento (C5 a C9) estão classicamente associadas a infecções recorrentes por Neisseria spp., pois a lise mediada pelo MAC é o principal mecanismo de defesa contra essas bactérias. Já a deficiência de C1q, componente da via clássica, está associada a doenças autoimunes (como lúpus eritematoso sistêmico) e a infecções por bactérias encapsuladas, mas não aumenta a opsonização — na verdade, a reduz. O fator H é um regulador negativo da via alternativa; sua deficiência leva a ativação excessiva do complemento, consumindo C3 e predispondo a infecções por Neisseria, além de estar associada a glomerulopatias.

A pegadinha central desta questão é a inversão de causa e efeito: a banca apresenta deficiências que aumentam a suscetibilidade como se fossem protetoras. O candidato precisa dominar o papel de cada componente do complemento para identificar a única alternativa que descreve corretamente a consequência fisiopatológica. A alternativa B é a única que mantém a relação lógica entre a deficiência e o prejuízo imunológico.

Componente do complemento

Efeito real da deficiência

Consequência imunológica

C1q

Reduz ativação da via clássica

Menor deposição de C3b; maior suscetibilidade a infecções por encapsulados e doenças autoimunes

C3

Compromete opsonização e depuração

Prejuízo da fagocitose dependente de complemento; infecções por bactérias encapsuladas

C5a

Reduz quimiotaxia neutrofílica

Menor recrutamento de neutrófilos; pior controle de infecções, inclusive por Neisseria

Fator H

Aumenta ativação da via alternativa

Consumo de C3/C5; predisposição a meningococcemia invasiva

C9

Prejudica formação do MAC

Menor lise de bactérias Gram-negativas; suscetibilidade a Neisseria spp.

1Deficiência de C3
Reduz opsonização (C3b)
Compromete fagocitose
Aumenta infecções por encapsulados
2Deficiência de C1q
Reduz via clássica
Menos C3b depositado
Associa-se a autoimunidade (LES)
3Deficiência de C5-C9
Prejudica MAC
Infecções por Neisseria spp.
4Deficiência de C5a
Reduz quimiotaxia neutrofílica
5Deficiência do fator H
Ativação excessiva da via alternativa
Consome C3 e C5
Defeitos do complemento
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Defeitos do complemento: Deficiência de C3 (Reduz opsonização (C3b), Compromete fagocitose, Aumenta infecções por encapsulados); Deficiência de C1q (Reduz via clássica, Menos C3b depositado, Associa-se a autoimunidade (LES)); Deficiência de C5-C9 (Prejudica MAC, Infecções por Neisseria spp.); Deficiência de C5a (Reduz quimiotaxia neutrofílica); Deficiência do fator H (Ativação excessiva da via alternativa, Consome C3 e C5)

Alternativa A — ❌ Incorreta

A deficiência de C1q reduz a opsonização, pois o C1q é o componente inicial da via clássica, que leva à clivagem de C4 e C2 e, posteriormente, à clivagem de C3 em C3b. Sem C1q, a via clássica fica comprometida, diminuindo a deposição de C3b e, consequentemente, a opsonização de bactérias encapsuladas. Além disso, a deficiência de C1q está associada a maior risco de infecções, não a redução do risco de sepse. A alternativa inverte o efeito: a deficiência de C1q aumenta a suscetibilidade a infecções, não a reduz.

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A deficiência de C3 compromete diretamente a opsonização, pois o C3b é o principal opsonina do complemento. Sem C3b, a fagocitose mediada por receptores de complemento (CR1, CR3) fica prejudicada, e a depuração de patógenos encapsulados é reduzida. Isso aumenta a suscetibilidade a infecções por bactérias como Streptococcus pneumoniae e Neisseria meningitidis. A alternativa descreve corretamente a consequência fisiopatológica da deficiência de C3.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A deficiência de C5a reduz a quimiotaxia neutrofílica, pois o C5a é uma anafilatoxina e um potente quimioatraente para neutrófilos. Sem C5a, o recrutamento de neutrófilos para o sítio de infecção fica comprometido, piorando o controle de infecções, incluindo as por Neisseria spp. A alternativa inverte o efeito: a deficiência de C5a prejudica a quimiotaxia, não a melhora.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A deficiência do fator H aumenta a ativação do complemento, pois o fator H é um regulador negativo da via alternativa. Sem fator H, há ativação excessiva do complemento, consumindo C3 e C5, o que predispõe a infecções por Neisseria meningitidis (meningococcemia invasiva). A alternativa inverte o efeito: a deficiência do fator H aumenta a suscetibilidade, não protege contra a meningococcemia.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A deficiência de C9, componente terminal do complemento, prejudica a formação do complexo de ataque à membrana (MAC), essencial para a lise de bactérias Gram-negativas, incluindo Neisseria spp. A deficiência de C9 não aumenta a deposição de IgG em cápsulas bacterianas; a deposição de IgG é mediada por anticorpos, não por C9. A alternativa mistura conceitos: a deficiência de C9 aumenta a suscetibilidade a infecções por Neisseria, não reduz a bacteremia.

Gabarito: letra B

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