Questão de Medicina — Doenças Infecto-Parasitárias — Avança SP 2026
Medicina›Doenças Infecto-Parasitárias
Código
qg654633
Banca
Avança SP
Órgão
Prefeitura de Vinhedo - SP
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico Reumatologista
A artrite gonocócica é a artrite bacteriana mais comum em adultos jovens sexualmente ativos. A forma clínica disseminada caracteriza-se pela tríade clássica de poliartralgia migratória, lesões cutâneas e:
ATenossinovite.
BUveíte anterior bilateral.
CNefrite intersticial aguda.
DMiocardite fibrosante crônica.
EHepatoesplenomegalia maciça.
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GabaritoA — Tenossinovite.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Artrite gonocócica disseminada: a tríade clássica
Gabarito: letra A. A forma disseminada da artrite gonocócica caracteriza-se pela tríade clássica de poliartralgia migratória, lesões cutâneas e tenossinovite — esta é a manifestação que completa o quadro típico da infecção disseminada por Neisseria gonorrhoeae. As demais alternativas descrevem manifestações de outras doenças (uveíte anterior bilateral é típica de espondiloartrites, nefrite intersticial aguda pode ocorrer em outras infecções, miocardite fibrosante crônica é da doença de Chagas, hepatoesplenomegalia maciça sugere leishmaniose visceral ou outras doenças sistêmicas), não fazendo parte da tríade clássica da artrite gonocócica.
A artrite gonocócica é a artrite bacteriana mais comum em adultos jovens sexualmente ativos, particularmente em mulheres. A infecção ocorre pela disseminação hematogênica da Neisseria gonorrhoeae após transmissão sexual, podendo se manifestar de duas formas principais: a forma localizada (monoarticular, acometendo joelho, punho, tornozelo e cotovelo, em ordem decrescente de frequência) e a forma disseminada, que é o tema desta questão.
A forma disseminada, também chamada de síndrome da artrite-dermatite, apresenta a tríade clássica composta por:
Poliartralgia migratória — dor em múltiplas articulações que "migra" de uma para outra;
Lesões cutâneas — presentes em cerca de 75% dos casos, tipicamente pústulas, vesicopústulas, pápulas ou máculas hemorrágicas;
Tenossinovite — inflamação dos tendões e suas bainhas, frequentemente acometendo punhos, dedos e tornozelos.
A tenossinovite é um achado tão característico que, na prática clínica, a presença de tenossinovite em um adulto jovem sexualmente ativo com poliartralgia e lesões cutâneas é fortemente sugestiva de infecção gonocócica disseminada. O diagnóstico é frequentemente clínico, complementado por cultura em meio seletivo (meio de Thayer-Martin) ou testes de PCR em amostras urogenitais, retais ou de orofaringe.
O tratamento da artrite gonocócica é feito com ceftriaxona, geralmente 1 g intramuscular ou intravenoso por 2 dias, seguido de mais 5 dias para completar 7 dias de esquema, associado à azitromicina 1 g via oral em dose única para cobertura de coinfecção por clamídia. É fundamental também avaliar e tratar outras infecções sexualmente transmissíveis e os parceiros sexuais.
A distinção entre a artrite gonocócica e outras artrites bacterianas é importante: enquanto a artrite séptica por Staphylococcus aureus costuma ser monoarticular e com derrame purulento, a artrite gonocócica disseminada é tipicamente poliarticular, com tenossinovite proeminente e lesões cutâneas — características que ajudam no diagnóstico diferencial. A febre e os sintomas constitucionais podem estar ausentes ou serem discretos, o que pode atrasar o diagnóstico.
Guarde a tríade: poliartralgia migratória + lesões cutâneas + tenossinovite. É exatamente nessa combinação que as alternativas se separam — as demais opções trazem manifestações de outras doenças que não compõem a tríade clássica da artrite gonocócica disseminada.
Artrite gonocócica disseminada: Tríade clássica (Poliartralgia migratória, Lesões cutâneas (pústulas, vesicopústulas), Tenossinovite (punhos, dedos, tornozelos)); Perfil do paciente (Adulto jovem sexualmente ativo, Mais comum em mulheres); Diagnóstico (Clínico, Cultura (meio Thayer-Martin), PCR); Tratamento (Ceftriaxona (1 g IM/IV), Azitromicina (1 g VO dose única))
Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A tenossinovite é o terceiro elemento da tríade clássica da artrite gonocócica disseminada, ao lado da poliartralgia migratória e das lesões cutâneas. A inflamação das bainhas tendíneas, especialmente de punhos, dedos e tornozelos, é um achado tão característico que sua presença em um adulto jovem sexualmente ativo com quadro articular agudo deve levantar imediatamente a suspeita de infecção gonocócica disseminada. O material de apoio confirma: a artrite gonocócica "pode ser monoarticular (joelho, punho, tornozelo e cotovelo, em ordem decrescente) ou poliarticular com tenossinovite importante".
Alternativa B — ❌ Incorreta
A uveíte anterior bilateral é uma manifestação típica das espondiloartrites, como a espondilite anquilosante, a artrite reativa e a artrite psoriásica — não faz parte da tríade da artrite gonocócica. A banca troca uma manifestação ocular característica de doenças reumatológicas inflamatórias por um componente da tríade gonocócica. A uveíte anterior está associada ao HLA-B27 e não à disseminação hematogênica do gonococo.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A nefrite intersticial aguda é uma condição que pode ser causada por medicamentos, infecções ou doenças autoimunes, mas não integra a tríade clássica da artrite gonocócica disseminada. Embora a infecção gonocócica possa, em casos raros, cursar com comprometimento renal, a nefrite intersticial aguda não é uma manifestação característica da forma disseminada da doença e não compõe a tríade descrita no enunciado.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A miocardite fibrosante crônica é uma manifestação clássica da doença de Chagas, causada pelo Trypanosoma cruzi, e não tem relação com a infecção gonocócica. A banca utiliza uma complicação cardíaca de outra doença infecto-parasitária para confundir o candidato. A artrite gonocócica não cursa com miocardite fibrosante crônica — essa é uma complicação tardia da cardiopatia chagásica.
Alternativa E — ❌ Incorreta
A hepatoesplenomegalia maciça é uma manifestação que pode ser encontrada em doenças como leishmaniose visceral, esquistossomose hepatoesplênica ou doenças hematológicas, mas não faz parte da tríade da artrite gonocócica disseminada. A infecção gonocócica disseminada não cursa com aumento importante do fígado e do baço; as manifestações são predominantemente articulares, cutâneas e tendíneas.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a confusão entre a artrite gonocócica e outras doenças reumáticas e infecciosas. A uveíte anterior bilateral (espondiloartrites), a miocardite fibrosante crônica (doença de Chagas) e a hepatoesplenomegalia maciça (leishmaniose visceral) são manifestações de outras doenças que o candidato pode confundir. A tenossinovite é o achado que diferencia a artrite gonocócica — decore a tríade completa para não cair nessas trocas.
PEGA ESSA DICA!
Para questões de artrite gonocócica, memorize a tríade: poliartralgia migratória + lesões cutâneas + tenossinovite. Na prova, quando o enunciado mencionar "adulto jovem sexualmente ativo" com quadro articular agudo, a resposta quase sempre envolve tenossinovite ou lesões cutâneas pustulares. Compare com a artrite séptica por Staphylococcus aureus, que é monoarticular e sem tenossinovite característica.