Questão de Medicina — Doenças Reumatológicas e do Sistema Imunológico — Avança SP 2026
Medicina›Doenças Reumatológicas e do Sistema Imunológico
Código
qg654636
Banca
Avança SP
Órgão
Prefeitura de Vinhedo - SP
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico Reumatologista
O padrão-ouro para o diagnóstico de artrite gotosa é a análise do líquido sinovial. À microscopia de luz polarizada compensada, os cristais de monourato de sódio apresentam morfologia em agulha e uma propriedade óptica específica, caracterizada por:
Abirrefringência positiva com alongamento azul.
Bausência de birrefringência (isotropia).
Cbirrefringência positiva fraca e formato romboide.
Dbirrefringência negativa forte.
Epleocroísmo variável.
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GabaritoD — birrefringência negativa forte.
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Artrite gotosa: cristais de monourato de sódio e birrefringência
Gabarito: letra D. Os cristais de monourato de sódio (MSU), típicos da gota, apresentam birrefringência negativa forte quando examinados à microscopia de luz polarizada compensada — essa é a propriedade óptica que os distingue dos cristais de pirofosfato de cálcio di-hidratado (pseudogota), que têm birrefringência positiva fraca. O diagnóstico definitivo de artrite gotosa é feito pela artrocentese com identificação desses cristais no líquido sinovial.
A gota é uma artropatia por deposição de cristais de monourato de sódio, que se manifesta classicamente como monoartrite aguda — tipicamente no hálux (podagra) —, mas pode acometer qualquer articulação. O padrão-ouro diagnóstico é a análise do líquido sinovial obtido por artrocentese, que revela líquido inflamatório (turvo, viscosidade baixa, > 2.000 leucócitos/mm³ com predomínio de polimorfonucleares) e, crucialmente, a presença dos cristais. A dosagem sérica de ácido úrico é pouco útil no departamento de emergência, pois pode estar normal durante a crise aguda.
A microscopia de luz polarizada compensada é a técnica que permite identificar e diferenciar os cristais. O termo birrefringência refere-se à capacidade de um material de dividir um feixe de luz em dois raios com índices de refração diferentes, dependendo da orientação do cristal em relação ao eixo do polarizador. Quando o cristal é alinhado paralelamente ao eixo do compensador (filtro vermelho), a cor observada indica o sinal da birrefringência: se o cristal aparece amarelo quando paralelo ao eixo do compensador, a birrefringência é negativa; se aparece azul, é positiva. Essa distinção é fundamental na prática clínica, pois separa a gota da pseudogota.
Na prática, o examinador observa cristais em forma de agulha (alongados) com birrefringência negativa forte — ou seja, quando o cristal está alinhado com o eixo do compensador, ele aparece amarelo, e quando perpendicular, azul. Já os cristais de pirofosfato de cálcio (pseudogota) são romboides e apresentam birrefringência positiva fraca (azuis quando paralelos ao compensador). Essa diferença é o critério morfológico e óptico que permite o diagnóstico diferencial entre as duas doenças por cristais.
A pegadinha clássica desta questão é inverter as propriedades ópticas entre os dois tipos de cristais: a banca troca a birrefringência negativa forte do MSU pela positiva fraca do pirofosfato, ou atribui ao MSU características que não lhe pertencem (como ausência de birrefringência ou pleocroísmo). O candidato que decora apenas "cristais em agulha" sem fixar o sinal da birrefringência cai facilmente na alternativa C. Guarde o par: gota = agulha + birrefringência negativa forte; pseudogota = romboide + birrefringência positiva fraca.
Cristais no líquido sinovial
1Gota (monourato de sódio)
Forma: agulha
Birrefringência negativa forte
2Pseudogota (pirofosfato de cálcio)
Forma: romboide
Birrefringência positiva fraca
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Alternativa A — ❌ Incorreta
Afirma que os cristais de MSU têm birrefringência positiva com alongamento azul. Isso descreve, na verdade, o comportamento dos cristais de pirofosfato de cálcio (pseudogota), que são romboides e têm birrefringência positiva fraca. O MSU tem birrefringência negativa forte — quando alinhado ao compensador, aparece amarelo, não azul. A banca inverteu o sinal da birrefringência.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Afirma que os cristais de MSU não apresentam birrefringência (isotropia). Isso é falso: os cristais de MSU são fortemente birrefringentes — é exatamente essa propriedade que permite identificá-los à luz polarizada. A isotropia (ausência de birrefringência) não se aplica aos cristais de urato; seria um achado de outras partículas, como artefatos ou cristais não patológicos.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Afirma que os cristais de MSU têm birrefringência positiva fraca e formato romboide. Essa é a descrição clássica dos cristais de pirofosfato de cálcio di-hidratado (pseudogota), não do monourato de sódio. O MSU tem formato de agulha (alongado) e birrefringência negativa forte. A alternativa mistura as características dos dois tipos de cristais — é a pegadinha central da questão.
Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Os cristais de monourato de sódio apresentam morfologia em agulha e birrefringência negativa forte à microscopia de luz polarizada compensada. Essa é a propriedade óptica que define o diagnóstico de artrite gotosa e a distingue da pseudogota. O termo "forte" refere-se à intensidade do brilho do cristal sob luz polarizada, característica do MSU.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Afirma que os cristais de MSU apresentam pleocroísmo variável. Pleocroísmo é a propriedade de um material de exibir cores diferentes quando observado em diferentes ângulos sob luz não polarizada — não é uma característica dos cristais de urato, nem é utilizada no diagnóstico de gota. O pleocroísmo é mais relevante em mineralogia e em alguns cristais de pigmentos, não na análise de líquido sinovial.
Gabarito: letra D — cristais de monourato de sódio: agulha + birrefringência negativa forte.