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Questão de Medicina — Angiologia — Avança SP 2026

MedicinaAngiologia
Código
qg654640
Banca
Avança SP
Órgão
Prefeitura de Vinhedo - SP
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico Vascular
Em deformidade vascular congênita do tipo malformação venosa de baixo fluxo em membro, o achado clínico-radiológico típico é:
  1. AMassa pulsátil, com sopro audível e enchimento rápido em exame angiográfico.
  2. BLesão cutânea em “porto de vinho” associada a hipertrofia óssea ipsilateral.
  3. CLesão compressível, de consistência mole, com flebólitos visíveis em radiografia simples.
  4. DTumoração eritematosa proliferativa de evolução rápida no primeiro ano de vida.
  5. EVeias varicosas secundárias a insuficiência valvar pós-trombótica adquirida.
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GabaritoC — Lesão compressível, de consistência mole, com flebólitos visíveis em radiografia simples.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Malformações Vasculares Congênitas: Malformação Venosa de Baixo Fluxo

Gabarito: letra C. A malformação venosa (MV) de baixo fluxo é uma lesão compressível, de consistência mole, que frequentemente apresenta flebólitos (calcificações) visíveis em radiografia simples — achado clínico-radiológico típico e praticamente patognomônico dessa condição. As demais alternativas descrevem outras entidades: fístula arteriovenosa (A), síndrome de Sturge-Weber (B), hemangioma infantil (D) e insuficiência venosa crônica adquirida (E).

As malformações vasculares congênitas são divididas em dois grandes grupos: malformações de alto fluxo (como fístulas e malformações arteriovenosas) e malformações de baixo fluxo (como malformações venosas, capilares e linfáticas). Essa distinção é fundamental porque determina a apresentação clínica, os achados de imagem e a conduta terapêutica.

A malformação venosa é a mais comum das malformações vasculares, composta por veias ectásicas e displásicas que não regridem espontaneamente. Clinicamente, manifesta-se como uma massa ou lesão compressível, de consistência mole (semelhante a uma esponja), que aumenta com a posição dependente (gravidade) e pode ser esvaziada à compressão manual. Ao contrário das lesões de alto fluxo, não há pulsação, sopro ou frêmito — sinais que indicariam componente arterial.

O achado radiológico mais característico é a presença de flebólitos — pequenas calcificações arredondadas, decorrentes de trombos organizados e calcificados dentro das veias displásicas. Na radiografia simples, esses flebólitos aparecem como opacidades puntiformes ou ovais, frequentemente múltiplas, e são considerados um sinal clássico de malformação venosa. Na ultrassonografia com Doppler, a lesão é compressível, com fluxo venoso de baixa velocidade ou ausente; na ressonância magnética, apresenta hipersinal em T2 e realce tardio e heterogêneo após contraste.

A confusão mais comum é com o hemangioma infantil, que é um tumor vascular verdadeiro (proliferação endotelial), com fase proliferativa no primeiro ano de vida e regressão espontânea posterior — comportamento totalmente diferente da malformação venosa, que é estática ou lentamente progressiva. Outra distinção importante é com a fístula arteriovenosa, que tem alto fluxo e, portanto, apresenta massa pulsátil, sopro e enchimento rápido na angiografia.

A banca explora exatamente essa fronteira entre tumor vascular (hemangioma) e malformação vascular (MV), além de confundir baixo fluxo com alto fluxo. Guarde o par: MV de baixo fluxo = compressível + mole + flebólitos; MAV/fístula = pulsátil + sopro + enchimento rápido. É nesse critério que as alternativas se dividem.

Malformações vasculares
  • 1Baixo fluxo
    • Malformação venosa
      • compressível e mole
      • flebólitos na radiografia
    • Malformação capilar
      • mancha "porto de vinho"
  • 2Alto fluxo
    • Fístula/MAV
      • pulsátil com sopro
      • enchimento rápido
  • 3Tumor vascular
    • Hemangioma infantil
      • proliferação no 1º ano
      • regressão espontânea
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Alternativa A — ❌ Incorreta

Descreve uma lesão de alto fluxo: massa pulsátil, com sopro audível e enchimento rápido em exame angiográfico são características de fístula arteriovenosa (FAV) ou malformação arteriovenosa (MAV), não de malformação venosa de baixo fluxo. Na MV, o fluxo é lento, não há pulsação nem sopro, e a angiografia mostra enchimento tardio e lento das veias displásicas.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A lesão cutânea em "porto de vinho" (mancha vinho do Porto) associada a hipertrofia óssea ipsilateral descreve a síndrome de Sturge-Weber (angiomatose encefalotrigeminal), uma malformação capilar facial com envolvimento leptomeníngeo e ocular. Embora seja uma malformação vascular de baixo fluxo (capilar), não é uma malformação venosa e não apresenta flebólitos. A hipertrofia óssea ipsilateral também pode ocorrer na síndrome de Klippel-Trénaunay, mas a mancha em "porto de vinho" é o marcador clínico da Sturge-Weber.

Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A malformação venosa de baixo fluxo é tipicamente uma lesão compressível, de consistência mole, que se esvazia à compressão e enche lentamente. Os flebólitos visíveis em radiografia simples são o achado radiológico mais característico e específico, presentes em cerca de 30-50% dos casos. Essa combinação — lesão mole e compressível + flebólitos — é praticamente diagnóstica de malformação venosa.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A "tumoração eritematosa proliferativa de evolução rápida no primeiro ano de vida" descreve o hemangioma infantil, que é um tumor vascular (não malformação), com fase proliferativa nos primeiros 12 meses e regressão espontânea posterior. O hemangioma é uma lesão de alto fluxo na fase proliferativa, com crescimento rápido, e não apresenta flebólitos. A malformação venosa, ao contrário, é congênita, cresce proporcionalmente ao paciente e não regride.

Alternativa E — ❌ Incorreta

As "veias varicosas secundárias a insuficiência valvar pós-trombótica adquirida" descrevem a insuficiência venosa crônica (IVC) ou síndrome pós-trombótica, uma condição adquirida (não congênita), decorrente de trombose venosa profunda prévia que danifica as válvulas venosas. Embora possa haver varizes, não há flebólitos característicos nem se trata de malformação vascular congênita. A distinção crucial é: congênita (malformação) × adquirida (IVC).

NÃO CAIA NESSA!

A banca mistura três eixos de confusão: (1) tumor × malformação — hemangioma (D) é tumor, não malformação; (2) alto fluxo × baixo fluxo — fístula/MAV (A) tem pulsação e sopro, MV não; (3) congênita × adquirida — IVC pós-trombótica (E) é adquirida, não congênita. A alternativa B (Sturge-Weber) é uma malformação capilar, não venosa. O candidato que decora apenas "malformação venosa = flebólitos" acerta; quem confunde com hemangioma ou FAV erra.

PEGA ESSA DICA!

Para diferenciar na prova, use o fluxo como guia: alto fluxo (FAV/MAV) → pulsátil, sopro, frêmito, enchimento rápido; baixo fluxo (MV, capilar, linfática) → compressível, mole, sem sopro, enchimento lento. E lembre: flebólito = MV (é o marcador radiológico). Monte uma tabela mental:

Característica

Malformação Venosa (baixo fluxo)

Fístula/MAV (alto fluxo)

Hemangioma (tumor)

Pulsação

Ausente

Presente

Variável (fase proliferativa)

Sopro/frêmito

Ausente

Presente

Pode estar ausente

Consistência

Mole, compressível

Firme, tensa

Firme, lobulada

Flebólitos

Presentes (típico)

Ausentes

Ausentes

Evolução

Estática/lenta

Estável

Proliferação → regressão

Natureza

Malformação congênita

Malformação congênita

Tumor vascular

Gabarito: letra C — malformação venosa de baixo fluxo: lesão compressível, mole, com flebólitos na radiografia.

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