Pular para o conteúdo principal

Questão de Medicina — Angiologia — Avança SP 2026

MedicinaAngiologia
Código
qg654641
Banca
Avança SP
Órgão
Prefeitura de Vinhedo - SP
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico Vascular
Em paciente com hipertensão renovascular por estenose de artéria renal, a piora súbita da função renal após início de inibidor da ECA está mais associada a:
  1. AEstenose bilateral de artérias renais ou estenose em rim único funcional.
  2. BHipertensão essencial em estágio avançado sem lesão de órgão-alvo.
  3. CEstenose leve unilateral sem impacto hemodinâmico significativo.
  4. DHipotensão sistêmica induzida por depleção volêmica aguda.
  5. ENefropatia diabética com microalbuminúria isolada.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoA — Estenose bilateral de artérias renais ou estenose em rim único funcional.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Hipertensão renovascular e piora da função renal com IECA

Gabarito: letra A. A piora súbita da função renal após início de inibidor da ECA em paciente com hipertensão renovascular está mais associada à estenose bilateral de artérias renais ou estenose em rim único funcional, pois, nesses cenários, a filtração glomerular depende criticamente da vasoconstrição da arteríola eferente mediada pela angiotensina II — exatamente o mecanismo que o IECA bloqueia. Essa é uma complicação clássica e bem documentada na literatura médica, sendo um dos indicadores clínicos de hipertensão renovascular.

A hipertensão renovascular é causada por estenose das artérias renais, que reduz a pressão de perfusão renal e ativa o sistema renina-angiotensina-aldosterona (SRAA). A angiotensina II, ao contrair preferencialmente a arteríola eferente, mantém a pressão capilar glomerular e a taxa de filtração glomerular (TFG) mesmo diante da redução do fluxo sanguíneo renal. Quando há estenose unilateral e o rim contralateral é normal, a elevação da pressão arterial sistêmica promove natriurese por pressão no rim sadio, mantendo o volume intravascular e a hipertensão dependente de vasoconstrição. Nesse caso, o uso de IECA é eficaz e geralmente seguro, pois o rim contralateral preserva a função.

O problema surge quando a estenose é bilateral ou quando existe rim único funcional (estenose em rim solitário ou rim contralateral com dano avançado). Nesses cenários, não há rim normal para compensar: a TFG de todos os néfrons funcionantes depende da vasoconstrição eferente mediada pela angiotensina II. Ao bloquear a ECA, ocorre vasodilatação da arteríola eferente, queda da pressão capilar glomerular e, consequentemente, redução abrupta da TFG, manifestada por elevação rápida da creatinina sérica. Essa é a base fisiopatológica da complicação descrita na alternativa correta.

Na prática clínica, a piora da função renal após início de IECA ou BRA é um dos indicadores clínicos de hipertensão renovascular, conforme as diretrizes brasileiras de hipertensão. O reconhecimento desse padrão é essencial para evitar dano renal irreversível e orientar a investigação diagnóstica com métodos de imagem, como Doppler de artérias renais, angiotomografia ou angiorressonância. A alternativa correta captura exatamente a situação de maior risco: estenose bilateral ou rim único funcional, em que a dependência do mecanismo eferente é máxima.

A pegadinha da questão está em distinguir os cenários em que o IECA é seguro (estenose unilateral com rim contralateral normal) daqueles em que ele é perigoso (estenose bilateral ou rim único). A banca explora justamente essa fronteira fisiopatológica, que é o critério decisivo para separar as alternativas.

1Mecanismo
Bloqueio da vasoconstrição eferente
Queda da pressão capilar glomerular
Redução abrupta da TFG
2Cenário de risco
Estenose bilateral
Rim único funcional
3Cenário seguro
Estenose unilateral com rim contralateral normal
Hipertensão essencial
Nefropatia diabética
Piora da função renal com IECA
LEVELsoulevel.com.br
Piora da função renal com IECA: Mecanismo (Bloqueio da vasoconstrição eferente, Queda da pressão capilar glomerular, Redução abrupta da TFG); Cenário de risco (Estenose bilateral, Rim único funcional); Cenário seguro (Estenose unilateral com rim contralateral normal, Hipertensão essencial, Nefropatia diabética)

Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A estenose bilateral de artérias renais ou estenose em rim único funcional é a situação clássica em que a filtração glomerular depende criticamente da vasoconstrição eferente mediada pela angiotensina II. Ao bloquear a ECA, ocorre vasodilatação eferente, queda da pressão capilar glomerular e redução abrupta da TFG, manifestada por piora súbita da função renal. Esse é o cenário de maior risco e a resposta correta.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A hipertensão essencial em estágio avançado, sem lesão de órgão-alvo, não apresenta o mecanismo de dependência da vasoconstrição eferente para manter a TFG. Nesses pacientes, o uso de IECA é seguro e não causa piora súbita da função renal, a menos que haja estenose bilateral ou rim único funcional associados — o que não é o caso descrito.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A estenose leve unilateral, sem impacto hemodinâmico significativo, não compromete a perfusão renal a ponto de tornar a TFG dependente da vasoconstrição eferente. Nesse cenário, o rim contralateral normal mantém a função e o IECA pode ser usado com segurança, sem risco de piora súbita da função renal.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A hipotensão sistêmica induzida por depleção volêmica aguda pode causar piora da função renal por redução da perfusão, mas não é a complicação mais associada ao uso de IECA em paciente com hipertensão renovascular. A piora da função renal nesse contexto é mediada pelo bloqueio do SRAA, não pela depleção volêmica em si.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A nefropatia diabética com microalbuminúria isolada não apresenta o mecanismo de dependência da vasoconstrição eferente para manter a TFG. Nesses pacientes, o IECA é, na verdade, uma das principais opções terapêuticas para retardar a progressão da doença renal, e não causa piora súbita da função renal.

Gabarito: letra A

Link permanente: /questoes/qg654641