Em paciente com insuficiência venosa crônica grau C6 da classificação CEAP, portador de úlcera ativa, o aparecimento de dor súbita, aumento do volume do membro e endurecimiento da panturrilha deve levantar imediatamente a suspeita de:
Aerisipela.
Btromboflebite superficial.
Cruptura de veia varicosa.
Dtrombose venosa profunda.
Enecrose cutânea.
Revelar gabarito e comentário▾
GabaritoD — trombose venosa profunda.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Trombose venosa profunda em paciente com insuficiência venosa crônica
Gabarito: letra D. Em paciente com úlcera ativa (CEAP C6), o quadro súbito de dor, aumento do volume do membro e endurecimento da panturrilha é a apresentação clássica de trombose venosa profunda (TVP) — a insuficiência venosa crônica é, por si só, um fator de risco para TVP, e o membro já comprometido torna o diagnóstico diferencial ainda mais desafiador. O quadro descrito no enunciado — dor súbita, edema e empastamento da panturrilha — é o protótipo clínico da TVP, e a urgência está em reconhecer essa complicação para iniciar anticoagulação e prevenir a embolia pulmonar.
A trombose venosa profunda é a formação de um coágulo sanguíneo no interior de uma veia do sistema venoso profundo, mais comumente nos membros inferiores. O trombo obstrui o fluxo venoso, causando aumento da pressão no território distal, o que se traduz clinicamente em dor, edema e aumento da consistência (empastamento) do membro afetado. A panturrilha é o local mais frequentemente acometido, e o endurecimento descrito no enunciado corresponde ao empastamento muscular, um sinal clássico da doença.
A tríade de Virchow — estase venosa, lesão endotelial e hipercoagulabilidade — explica a patogênese. No paciente com insuficiência venosa crônica, a estase é crônica e a úlcera ativa representa uma solução de continuidade da pele que pode estar associada a um estado inflamatório local e sistêmico, ambos favorecendo a trombose. A insuficiência venosa crônica é listada como fator de risco moderado para TVP, e a presença de varizes (presentes na maioria desses pacientes) também aumenta o risco.
O diagnóstico é essencialmente clínico na suspeição inicial, mas os achados isolados têm baixo valor preditivo. O escore de Wells para TVP é a ferramenta mais validada para estratificar a probabilidade pré-teste, combinando elementos como câncer ativo, paralisia ou imobilização recente, restrição ao leito por mais de 3 dias, dor localizada no sistema venoso profundo, edema de todo o membro, aumento do diâmetro da panturrilha (> 3 cm comparado ao membro contralateral, medido 10 cm abaixo da tuberosidade da tíbia), edema depressível maior na perna sintomática, veias colaterais superficiais e a existência de um diagnóstico alternativo com probabilidade igual ou maior. No paciente do enunciado, a presença de dor súbita, aumento do volume e endurecimento da panturrilha, somada ao fator de risco (insuficiência venosa crônica), configura alta suspeita clínica.
O grande desafio é o diagnóstico diferencial com outras condições que também cursam com dor e edema em membro inferior, especialmente em um paciente com doença venosa de base. A erisipela é uma infecção cutânea que cursa com placa eritematosa bem delimitada, calor e febre — o edema é secundário à inflamação, mas o endurecimento da panturrilha e a dor súbita não são características. A tromboflebite superficial acomete o sistema venoso superficial, manifestando-se como um cordão venoso endurecido e doloroso ao longo do trajeto da veia, sem o edema difuso do membro. A ruptura de veia varicosa causa sangramento, geralmente visível, e não edema súbito do membro. A necrose cutânea é uma complicação tardia da isquemia ou infecção grave, não se apresentando com dor súbita e edema.
A pegadinha central desta questão é que o paciente já tem uma úlcera ativa (C6), o que pode levar o candidato a pensar em complicações locais da própria úlcera, como infecção (erisipela) ou necrose. No entanto, o quadro descrito — dor súbita, aumento do volume e endurecimento da panturrilha — é sistêmico e agudo, apontando para uma complicação venosa profunda, não para um agravamento local da úlcera. A TVP é uma emergência, pois a principal complicação é a embolia pulmonar, potencialmente fatal.
Guarde a distinção entre o comprometimento do sistema venoso superficial (tromboflebite — cordão endurecido localizado) e o profundo (TVP — edema difuso, dor e empastamento): é exatamente nessa fronteira que as alternativas se dividem.
Diagnóstico diferencial
1dor + edema súbito em membro inferior
2Sistema venoso profundo
TVP
Edema difuso
Empastamento da panturrilha
Emergência (risco de embolia pulmonar)
3Sistema venoso superficial
Tromboflebite superficial
Cordão endurecido localizado
Sem edema difuso
4Pele/infecção
Erisipela
Placa eritematosa com bordas definidas
Febre
Necrose cutânea
Complicação tardia
Alteração de coloração
5Hemorrágica
Ruptura de variz
Sangramento visível
LEVEL · soulevel.com.br
Alternativa A — ❌ Incorreta
A erisipela é uma infecção bacteriana da derme e hipoderme, geralmente por estreptococo, que se manifesta com placa eritematosa, edematosa, de bordas bem definidas e elevadas, acompanhada de febre e mal-estar. Embora possa causar edema do membro, a dor é mais localizada e o endurecimento da panturrilha não é a característica principal. Além disso, o início é geralmente mais gradual, associado a sinais flogísticos evidentes, e não uma dor súbita com aumento rápido do volume. O paciente com úlcera ativa tem risco aumentado de erisipela, mas o quadro descrito não é o de uma infecção cutânea.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A tromboflebite superficial acomete o sistema venoso superficial, manifestando-se como um cordão venoso endurecido, palpável e doloroso ao longo do trajeto da veia, frequentemente com hiperemia local. O edema é localizado, não difuso, e não há o aumento do volume de todo o membro nem o empastamento da panturrilha descritos no enunciado. A distinção crucial é que a tromboflebite superficial não causa o quadro de membro edemaciado e endurecido como um todo — isso é típico do comprometimento do sistema profundo.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A ruptura de veia varicosa é uma complicação hemorrágica, manifestando-se com sangramento externo, geralmente visível, às vezes de grande monta, mas não causa edema súbito do membro nem endurecimento da panturrilha. O paciente pode ter varizes, mas o quadro descrito é de obstrução venosa profunda, não de sangramento superficial.
Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A trombose venosa profunda é a complicação mais temida em pacientes com insuficiência venosa crônica, e o quadro clínico descrito — dor súbita, aumento do volume do membro e endurecimento (empastamento) da panturrilha — é a apresentação clássica. A insuficiência venosa crônica é um fator de risco para TVP, e a presença de úlcera ativa (C6) indica doença avançada, com maior estase venosa e estado inflamatório, aumentando ainda mais o risco. O reconhecimento imediato é crucial para iniciar anticoagulação e prevenir a embolia pulmonar, a principal complicação.
Alternativa E — ❌ Incorreta
A necrose cutânea é uma complicação tardia, geralmente decorrente de isquemia arterial grave, infecção necrotizante ou, no contexto venoso, de formas extremas de TVP como a flegmasia cerulea dolens. Não é uma apresentação súbita isolada com dor e edema — ela se desenvolve ao longo de horas a dias, com alterações de coloração da pele (cianose, escurecimento) e perda de viabilidade tecidual. No quadro descrito, a necrose seria uma consequência, não a suspeita inicial.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a confusão entre complicações locais da úlcera (erisipela, necrose) e a complicação venosa profunda (TVP). O paciente com úlcera ativa (C6) tem risco aumentado de infecção, mas o quadro de dor súbita, edema difuso e empastamento da panturrilha é sistêmico e agudo — é a assinatura da TVP, não de um problema local. Lembre-se: a TVP é uma emergência, e o diagnóstico precoce salva vidas.
PEGA ESSA DICA!
Na hora da prova, monte um fluxo mental: dor + edema difuso + empastamento de panturrilha = TVP até prova em contrário. Diferencie do cordão endurecido localizado da tromboflebite superficial e da placa eritematosa com febre da erisipela. Se o enunciado descreve um membro inteiro comprometido, pense em sistema venoso profundo.