Questão de Medicina — Medicina Intensiva — Avança SP 2026
Medicina›Medicina Intensiva
Código
qg655353
Banca
Avança SP
Órgão
SES - SP
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico I
Durante o atendimento de uma parada cardiorrespiratória por fibrilação ventricular, após a aplicação de um choque bifásico eficaz, a equipe deve:
AVerificar o pulso imediatamente para confirmar o retorno da circulação espontânea.
BAvaliar o ritmo por 30 segundos antes de continuar.
CAdministrar adrenalina antes de retomar as compressões.
DReiniciar a RCP imediatamente, começando pelas compressões torácicas, por 2 minutos.
EManter o paciente em observação, aguardando sinais de perfusão.
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GabaritoD — Reiniciar a RCP imediatamente, começando pelas compressões torácicas, por 2 minutos.
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Parada cardiorrespiratória: conduta após o choque na fibrilação ventricular
Gabarito: letra D. Após um choque bifásico eficaz em ritmo chocável (FV/TV sem pulso), a equipe deve reiniciar imediatamente a RCP, começando pelas compressões torácicas, por 2 minutos — só então o ritmo é reavaliado. Essa é a recomendação central das diretrizes de ressuscitação (AHA/SBC 2019), que priorizam minimizar o tempo sem compressões.
A parada cardiorrespiratória (PCR) é a cessação da atividade mecânica do coração, com ausência de pulso e de respiração efetiva. Na fibrilação ventricular (FV), o coração apresenta atividade elétrica caótica e desorganizada, sem contração eficaz — é um ritmo chocável, ou seja, tratável com desfibrilação. O objetivo do choque é interromper essa atividade elétrica desordenada para que o marca-passo natural do coração possa reassumir um ritmo organizado. Porém, mesmo após um choque eficaz, o miocárdio frequentemente permanece em assistolia ou com atividade elétrica sem pulso (AESP) por alguns instantes, e as compressões torácicas são essenciais para manter a perfusão cerebral e coronariana durante esse período.
A diretriz de 2019 da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC) e da American Heart Association (AHA) é clara: após cada choque, a RCP deve ser retomada imediatamente, começando pelas compressões, por 2 minutos. Somente após esse ciclo é que se faz a checagem do ritmo no monitor. Essa recomendação visa minimizar o intervalo de tempo em que as compressões não estão sendo realizadas, pois cada segundo sem compressão reduz a chance de sobrevivência. O quadro abaixo resume a sequência correta:
Etapa
Conduta
1º choque
Desfibrilação bifásica (conforme fabricante)
Imediatamente após
Reiniciar RCP com compressões torácicas
Duração
2 minutos (cerca de 5 ciclos de 30:2)
Após 2 minutos
Checar ritmo no monitor e decidir próxima conduta
A verificação de pulso não deve ser feita imediatamente após o choque, pois interrompe as compressões e o retorno da circulação espontânea (RCE) pode não ser imediato. A avaliação do pulso só é indicada se o ritmo no monitor for organizado (sugerindo possível RCE) ou se houver sinais claros de vida. A adrenalina, por sua vez, não é administrada antes de retomar as compressões no primeiro ciclo pós-choque — em ritmo de FV, a primeira droga é iniciada apenas após o segundo choque, conforme o algoritmo. A observação passiva, aguardando sinais de perfusão, é totalmente contraindicada, pois o paciente permanece em risco iminente de nova parada.
A pegadinha desta questão está na tentação de "confirmar" o sucesso do choque verificando o pulso imediatamente. O candidato que não domina o algoritmo pode achar que, após um choque eficaz, o próximo passo é checar o retorno da circulação. No entanto, a prioridade absoluta é reiniciar as compressões sem demora, pois a interrupção prolongada das compressões reduz drasticamente a sobrevida. Guarde a regra de ouro: choque → RCP imediata por 2 minutos → checagem de ritmo.
1Choque bifásico
2RCP imediata (compressões)
32 minutos (5 ciclos 30:2)
4Checar ritmo no monitor
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Alternativa A — ❌ Incorreta
Verificar o pulso imediatamente após o choque interrompe as compressões torácicas em um momento crítico. O retorno da circulação espontânea (RCE) pode não ser imediato, e a checagem de pulso só é recomendada após o ciclo de 2 minutos de RCP, se o ritmo no monitor for organizado ou se houver sinais de vida. A diretriz enfatiza a minimização do tempo sem compressões.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Avaliar o ritmo por 30 segundos antes de continuar é um erro grave. O ritmo deve ser checado apenas após 2 minutos de RCP, e a avaliação deve ser breve, para não interromper as compressões por tempo prolongado. A diretriz recomenda ciclos de 2 minutos de RCP entre as checagens de ritmo.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Administrar adrenalina antes de retomar as compressões não é a conduta correta no primeiro ciclo pós-choque. Em ritmo de FV, a adrenalina é iniciada apenas após o segundo choque, no segundo ciclo de RCP. A prioridade imediata após o choque é reiniciar as compressões torácicas.
Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Esta é a conduta preconizada pelas diretrizes de ressuscitação. Após o choque, a RCP deve ser reiniciada imediatamente, começando pelas compressões torácicas, por 2 minutos. Somente após esse ciclo é que o ritmo é reavaliado no monitor. Essa sequência minimiza o tempo sem compressões e otimiza a perfusão dos órgãos vitais.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Manter o paciente em observação, aguardando sinais de perfusão, é uma conduta passiva e totalmente contraindicada. O paciente permanece em risco iminente de nova parada, e a RCP deve ser reiniciada imediatamente após o choque. A observação passiva não oferece suporte circulatório e compromete a sobrevida.
Gabarito: letra D — após o choque, reiniciar a RCP imediatamente com compressões torácicas por 2 minutos.