Questão de Medicina — Cardiologia e Alterações Vasculares — Avança SP 2026
Medicina›Cardiologia e Alterações Vasculares
Código
qg655359
Banca
Avança SP
Órgão
SES - SP
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico I
Em relação aos bloqueios atrioventriculares de segundo grau, assinale a alternativa correta:
AO bloqueio Mobitz tipo I é caracterizado por intervalos PR constantes e falhas súbitas de condução.
BO bloqueio Mobitz tipo II ocorre predominantemente no nó AV e apresenta intervalo PR progressivamente prolongado.
CO bloqueio Mobitz tipo I apresenta prolongamento progressivo do intervalo PR até que uma onda P não seja conduzida, caracterizando o fenômeno de Wenckebach.
DO bloqueio Mobitz tipo II é uma arritmia benigna que raramente evolui para bloqueio total.
EAmbos os tipos de bloqueio AV de segundo grau apresentam o mesmo mecanismo e localização anatômica.
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GabaritoC — O bloqueio Mobitz tipo I apresenta prolongamento progressivo do intervalo PR até que uma onda P não seja conduzida, caracterizando o fenômeno de Wenckebach.
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Bloqueios atrioventriculares de segundo grau: Mobitz I e Mobitz II
Gabarito: letra C. O bloqueio AV de segundo grau Mobitz I (fenômeno de Wenckebach) caracteriza-se pelo prolongamento progressivo do intervalo PR até que uma onda P não seja conduzida, com o intervalo PR após o bloqueio menor que o que o antecedeu. As demais alternativas invertem as características dos dois tipos de bloqueio — a banca troca o padrão eletrocardiográfico e a localização anatômica entre Mobitz I e Mobitz II.
O bloqueio atrioventricular (BAV) de segundo grau é uma arritmia em que algumas ondas P não são conduzidas aos ventrículos, ou seja, há falha intermitente da condução AV. Ele se subdivide em dois tipos principais, com mecanismos, padrões eletrocardiográficos e localizações anatômicas distintos — e é exatamente essa distinção que a questão explora.
Mobitz I (Wenckebach): há um prolongamento progressivo do intervalo PR a cada batimento, até que uma onda P não gere um QRS (o bloqueio). Após a pausa, o ciclo recomeça, com o intervalo PR voltando ao valor basal. O fenômeno de Wenckebach é o nome dado a essa periodicidade. Esse tipo de bloqueio é supra-hissiano, ou seja, ocorre no nível do nó AV. Por isso, tende a ser mais benigno, frequentemente associado a QRS estreito e com bom prognóstico — raramente evolui para bloqueio total.
Mobitz II: caracteriza-se por intervalos PR constantes e fixos, com falhas súbitas da condução — ondas P que não geram QRS, em proporções como 2:1, 3:1 etc. Diferentemente do Mobitz I, este é um bloqueio infra-hissiano, localizado no feixe de His e seus ramos. Por essa razão, é uma arritmia potencialmente maligna, com maior risco de evoluir para bloqueio AV total e bradicardia catastrófica, frequentemente exigindo marca-passo.
Na prática clínica, o ECG de superfície é a principal ferramenta para distinguir os dois tipos: o padrão de PR progressivamente prolongado aponta para Mobitz I (nó AV), enquanto o PR fixo com bloqueio súbito aponta para Mobitz II (infranodal). Essa distinção é crucial porque o manejo e o prognóstico são completamente diferentes.
A pegadinha central desta questão é a inversão sistemática das características entre os dois tipos: a banca atribui ao Mobitz I o que é próprio do Mobitz II (PR constante, falha súbita, localização infranodal) e vice-versa. Guarde a fronteira: Mobitz I = PR progressivo + nó AV (supra-hissiano) + benigno; Mobitz II = PR fixo + infranodal (infra-hissiano) + maligno. É exatamente nessa fronteira que as alternativas se dividem.
Critério
Mobitz I (Wenckebach)
Mobitz II
Intervalo PR
Progressivamente prolongado até o bloqueio
Constante/fixo, com falha súbita
Localização anatômica
Nó AV (supra-hissiano)
Feixe de His e ramos (infra-hissiano)
Prognóstico
Benigno, raramente evolui para BAV total
Maligno, alto risco de BAV total
Conduta típica
Observação clínica
Marca-passo frequentemente necessário
BAV de 2º grau
1Mobitz I (Wenckebach)
PR progressivamente prolongado
Nó AV (supra-hissiano)
Benigno
2Mobitz II
PR fixo, falha súbita
Infra-hissiano
Risco de bloqueio total
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Alternativa A — ❌ Incorreta
Afirma que o Mobitz I tem intervalos PR constantes e falhas súbitas de condução. Isso é o oposto: o Mobitz I apresenta prolongamento progressivo do PR até o bloqueio. A descrição de PR constante com falha súbita é característica do Mobitz II. A banca inverteu os padrões eletrocardiográficos.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Afirma que o Mobitz II ocorre predominantemente no nó AV e apresenta PR progressivamente prolongado. Duplo erro: o Mobitz II é um bloqueio infra-hissiano (feixe de His e ramos), não nodal, e o PR é fixo, não progressivamente prolongado. O PR progressivo é do Mobitz I, que sim ocorre no nó AV. A alternativa mistura as duas localizações e os dois padrões.
Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Descreve com precisão o Mobitz I: prolongamento progressivo do intervalo PR até que uma onda P não seja conduzida, caracterizando o fenômeno de Wenckebach. É exatamente a definição clássica do bloqueio AV de segundo grau tipo I, que ocorre no nível do nó AV (supra-hissiano).
Alternativa D — ❌ Incorreta
Afirma que o Mobitz II é uma arritmia benigna que raramente evolui para bloqueio total. É o contrário: o Mobitz II, por ser infra-hissiano, é uma arritmia potencialmente maligna, com risco significativo de evoluir para bloqueio AV total e bradicardia grave, frequentemente exigindo marca-passo. A alternativa inverte o prognóstico.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Afirma que ambos os tipos têm o mesmo mecanismo e localização anatômica. Falso: o Mobitz I ocorre no nó AV (supra-hissiano) com mecanismo de prolongamento progressivo do PR; o Mobitz II ocorre infra-hissiano (feixe de His e ramos) com falha súbita e PR fixo. São mecanismos e localizações distintos, com prognósticos diferentes.