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Questão de Medicina — Cirurgia Geral — Avança SP 2026

MedicinaCirurgia Geral
Código
qg655379
Banca
Avança SP
Órgão
SES - SP
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico I
Um paciente vítima de explosão apresenta sangramento intenso em região inguinal esquerda e ausência de equipamentos de torniquete convencional no local. Segundo as recomendações do ATLS 10ª edição, qual deve ser a melhor conduta imediata?
  1. AAplicar pressão direta e tamponamento com gaze hemostática e curativo compressivo sobre o local do sangramento.
  2. BUtilizar torniquete distal improvisado com faixa de tecido.
  3. CIniciar reposição volêmica agressiva com cristaloides antes do controle do sangramento.
  4. DRealizar clampagem cirúrgica às cegas da artéria femoral.
  5. EAplicar gelo e elevação do membro até o atendimento hospitalar.
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GabaritoA — Aplicar pressão direta e tamponamento com gaze hemostática e curativo compressivo sobre o local do sangramento.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Controle de hemorragia externa no trauma: pressão direta e agentes hemostáticos

Gabarito: letra A. No sangramento externo compressível, a conduta imediata prioritária é a pressão direta sobre o ferimento, idealmente com gaze hemostática e curativo compressivo — é o que o ATLS e as diretrizes de trauma recomendam como primeira medida. A alternativa B (torniquete improvisado) é prematura, pois o torniquete é reservado para quando a pressão direta falha ou não é aplicável; a C contraria a estratégia de controle de danos (uso restritivo de cristaloides); a D é uma manobra cirúrgica às cegas, perigosa e não indicada no pré-hospitalar; e a E (gelo e elevação) não tem evidência de eficácia no controle de sangramento externo.

O sangramento externo é a principal causa de morte evitável no trauma. A abordagem moderna segue o mnemônico XABCDE, em que o "X" representa o controle do sangramento catastrófico (exsanguinação) — ou seja, ele vem antes da via aérea e da respiração. Isso reflete a mudança de paradigma: o controle imediato da hemorragia externa é a prioridade absoluta, pois cada minuto de sangramento não controlado aumenta a mortalidade.

A pressão direta é a medida mais simples e eficaz para sangramentos compressíveis (aqueles em que se consegue comprimir o vaso contra uma superfície óssea ou tecido subjacente). Ela aumenta a pressão extraluminal, reduzindo a pressão transmural e favorecendo a formação de coágulo. O material usado na compressão não deve ser retirado do local — se encharcar, adiciona-se mais gaze por cima, mantendo a pressão. Após o controle, aplica-se uma bandagem elástica para manter a compressão.

Os agentes hemostáticos (gazes impregnadas com quitosana, caulim etc.) são adjuvantes valiosos: quando a pressão direta não é suficiente ou o sangramento é de difícil acesso, a gaze hemostática é aplicada diretamente no leito da ferida, seguida de pressão manual. Eles são particularmente úteis em ambientes pré-hospitalares e militares, e seu uso tem se expandido no ambiente civil.

O torniquete é o método de escolha para sangramentos externos severos de extremidades quando a pressão direta falha ou não é aplicável (ex.: amputação traumática, múltiplas vítimas, ambiente inseguro). Prefere-se dispositivos comerciais, evitando-se os improvisados ("elásticos"), e o tempo de uso deve ser o menor possível (idealmente < 1 hora). No caso do enunciado, o sangramento é em região inguinal — uma área de transição entre o tronco e o membro, onde o torniquete convencional não se aplica bem (não há como comprimir adequadamente a raiz da coxa). Por isso, a pressão direta com gaze hemostática é a conduta mais adequada.

A reposição volêmica no trauma hemorrágico segue a estratégia de controle de danos: uso restritivo de cristaloides (máximo 1.000–1.500 mL), priorizando hemoderivados e hipotensão permissiva. Repor volume agressivamente antes de controlar o sangramento aumenta a pressão arterial, desloca coágulos e dilui fatores de coagulação, piorando a hemorragia — o chamado "paradoxo da ressuscitação".

A clampagem cirúrgica às cegas é uma manobra de exceção, realizada apenas em ambiente hospitalar, por cirurgião experiente, quando há sangramento exsanguinante e o campo está sendo preparado para exploração cirúrgica. No pré-hospitalar, é contraindicada pelo risco de lesão de estruturas adjacentes (nervo femoral, veia femoral, artéria femoral profunda).

Por fim, gelo e elevação do membro são medidas que não têm evidência de eficácia no controle de sangramento externo, conforme estudos comparativos. A elevação pode até reduzir o fluxo arterial local, mas não controla a hemorragia ativa; o gelo causa vasoconstrição, mas não é suficiente para estancar um sangramento importante.

A pegadinha central desta questão é a hierarquia das medidas: o aluno pode ser tentado a escolher o torniquete (B) por ser um método "forte", mas o ATLS preconiza a pressão direta como primeira linha para sangramentos compressíveis, reservando o torniquete para falha ou impossibilidade daquela. Além disso, a região inguinal é um local onde o torniquete é tecnicamente difícil e menos eficaz. Guarde a sequência: pressão direta → gaze hemostática → torniquete (se falhar ou não aplicável) → controle cirúrgico.

  1. 1Pressão direta
  2. 2Gaze hemostática
  3. 3Torniquete (se falhar)
  4. 4Controle cirúrgico
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Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A alternativa descreve exatamente a conduta de primeira linha: pressão direta sobre o sangramento, com gaze hemostática (agente hemostático) e curativo compressivo para manter a pressão. Isso está alinhado com o ATLS e com as diretrizes de trauma, que recomendam a compressão local imediata de ferimentos abertos com sangramento evidente. A gaze hemostática é um adjuvante que potencializa a hemostasia, e o curativo compressivo mantém a pressão após a compressão manual inicial.

Alternativa B — ❌ Incorreta

O torniquete improvisado (faixa de tecido) é desaconselhado: a preferência é por dispositivos comerciais, e os improvisados podem não aplicar pressão suficiente, causar lesão de tecidos moles ou não ser eficazes. Além disso, o sangramento é em região inguinal, onde o torniquete não é a primeira escolha — a pressão direta é preferível. O torniquete seria indicado se a pressão direta falhasse ou não fosse aplicável, e mesmo assim com dispositivo adequado.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A reposição volêmica agressiva com cristaloides antes do controle do sangramento contraria a estratégia de controle de danos (uso restritivo de cristaloides, hipotensão permissiva). Repor volume sem estancar a hemorragia aumenta a pressão arterial, desloca coágulos e dilui fatores de coagulação, agravando o sangramento. A prioridade é controlar o sangramento primeiro; a reposição volêmica é feita de forma controlada, com cristaloides limitados e hemoderivados quando disponíveis.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A clampagem cirúrgica às cegas da artéria femoral é uma manobra de exceção, realizada apenas em ambiente hospitalar, por cirurgião experiente, quando há sangramento exsanguinante e o campo está sendo preparado para exploração. No pré-hospitalar, é contraindicada pelo alto risco de lesão de estruturas adjacentes (nervo femoral, veia femoral, artéria femoral profunda) e pela falta de condições assépticas e de visualização adequada.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Gelo e elevação do membro não têm evidência de eficácia no controle de sangramento externo, conforme estudos comparativos. A elevação pode reduzir o fluxo arterial local, mas não controla a hemorragia ativa; o gelo causa vasoconstrição, mas não é suficiente para estancar um sangramento importante. Essas medidas podem ser adjuvantes, mas nunca substituem a pressão direta.

Gabarito: letra A

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