Questão de Medicina — Envenenamentos e Acidentes — Avança SP 2026
Medicina›Envenenamentos e Acidentes
Código
qg655380
Banca
Avança SP
Órgão
SES - SP
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico I
Na avaliação primária de um paciente politraumatizado, observa-se sangramento arterial ativo em membro inferior direito, com jato pulsátil e perda sanguínea volumosa. Segundo o ATLS 10ª edição, a conduta imediata correta é:
AIniciar reposição volêmica enquanto prepara curativo compressivo.
BAplicar torniquete o mais distal possível, após falha da compressão direta.
CControlar o sangramento com torniquete o mais proximal possível, antes da avaliação das vias aéreas.
DElevar o membro e aguardar estabilização hemodinâmica.
ERealizar o controle manual da artéria femoral até o transporte.
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GabaritoC — Controlar o sangramento com torniquete o mais proximal possível, antes da avaliação das vias aéreas.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Controle de hemorragia externa no trauma: o papel do torniquete
Gabarito: letra C. No paciente politraumatizado com sangramento arterial ativo e volumoso em membro, a prioridade imediata é o controle da hemorragia — e o ATLS 10ª edição preconiza o uso de torniquete o mais proximal possível, aplicado antes mesmo da avaliação das vias aéreas, pois a exsanguinação mata mais rápido que a obstrução de via aérea. A letra C é a única que reflete essa sequência: primeiro estancar o sangue, depois cuidar do resto.
O ATLS (Advanced Trauma Life Support) é o protocolo mundial de atendimento inicial ao trauma, e sua lógica é a da "hora de ouro": o paciente morre primeiro por aquilo que o mata mais rápido. No politraumatizado, a tríade clássica de causas de morte precoce é: hemorragia exsanguinante, obstrução de via aérea e pneumotórax hipertensivo. Entre elas, a hemorragia externa ativa — como o jato pulsátil descrito no enunciado — é a que exige intervenção mais imediata, porque a perda volêmica é contínua e progressiva. Por isso, o ATLS estabelece que o controle de hemorragia externa grave vem antes da avaliação das vias aéreas: primeiro estancar o sangue, depois cuidar do resto.
O torniquete é a medida definitiva para sangramento arterial de extremidade que não cede à compressão direta. A regra do ATLS é clara: aplicar o mais proximal possível (ou seja, o mais perto do tronco, acima da lesão), e não distal. Isso porque o objetivo é interromper o fluxo arterial que chega ao ferimento — e, quanto mais distal, maior a chance de o torniquete não conseguir ocluir completamente o vaso lesado, além de aumentar a área isquêmica. A compressão direta com curativo é a primeira medida, mas, quando falha ou não é aplicável (como no sangramento arterial volumoso), o torniquete é a conduta imediata.
Na prática, o cenário é: paciente chega com sangramento arterial em membro inferior, jato pulsátil, perda volumosa. O socorrista não perde tempo tentando compressão direta que não vai segurar um jato arterial — aplica o torniquete proximal, registra o horário de aplicação, e só então segue o ABCDE (vias aéreas, respiração, circulação, etc.). O ATLS 10ª edição reforça que o uso precoce do torniquete em lesões de extremidades com sangramento ativo reduz mortalidade. Detalhes técnicos importantes: usar dispositivos comerciais (não elásticos), pressurizar membro inferior a pelo menos 400 mmHg, e evitar uso contínuo por mais de 1 hora — mas isso é manejo posterior; a conduta imediata é aplicar o torniquete.
A pegadinha desta questão está na ordem de prioridades e na localização do torniquete. O candidato que decora "compressão direta primeiro" marca a letra B, mas esquece que o sangramento arterial volumoso é exceção — a compressão direta não é eficaz, e o torniquete é aplicado de imediato. E o candidato que sabe do torniquete, mas não lembra se é proximal ou distal, erra a letra C. A banca explora exatamente essas duas inversões: distal em vez de proximal, e "após falha da compressão" em vez de "antes da avaliação das vias aéreas".
NÃO CAIA NESSA!
A banca inverte dois pontos do ATLS: (1) o torniquete deve ser proximal, não distal — distal é o erro clássico; (2) no sangramento arterial volumoso, o torniquete vem antes da avaliação das vias aéreas, não depois de tentar compressão direta. O candidato que decora "compressão primeiro" cai na letra B; o que sabe do torniquete mas erra a posição cai na letra C. Com treino, você enxerga essas inversões de longe 💪.
1Aplicar torniquete proximal
2Registrar horário de aplicação
3Seguir ABCDE (vias aéreas, etc.)
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Alternativa A — ❌ Incorreta
Iniciar reposição volêmica enquanto prepara curativo compressivo. A reposição volêmica é parte do atendimento, mas não é a conduta imediata diante de sangramento arterial ativo — primeiro se controla a hemorragia, depois se repõe volume. Além disso, o curativo compressivo isolado não é eficaz para um jato arterial volumoso; o torniquete é a medida imediata. A alternativa inverte a prioridade: controle da fonte de sangramento antes de qualquer outra coisa.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Aplicar torniquete o mais distal possível, após falha da compressão direta. Dois erros: (1) o torniquete deve ser proximal, não distal — distal aumenta a área isquêmica e pode não ocluir o vaso; (2) no sangramento arterial volumoso, o torniquete é aplicado de imediato, sem aguardar falha da compressão direta, pois esta não é eficaz para jato arterial. A compressão direta é a primeira medida para sangramentos venosos ou de pequeno calibre, não para hemorragia arterial exsanguinante.
Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Controlar o sangramento com torniquete o mais proximal possível, antes da avaliação das vias aéreas. Esta é a conduta do ATLS 10ª edição: hemorragia externa grave é a prioridade máxima, e o torniquete proximal é a medida imediata. A sequência correta é: aplicar o torniquete (proximal, registrar horário), e só então seguir o ABCDE. A letra C espelha exatamente a regra: controle do sangramento antes de tudo, com torniquete proximal.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Elevar o membro e aguardar estabilização hemodinâmica. Elevação do membro é medida coadjuvante, não controle de hemorragia ativa — e "aguardar estabilização" é o oposto do que se faz: o paciente está exsanguinando, e a conduta é ativa (torniquete), não expectante. A estabilização hemodinâmica só virá depois que o sangramento for controlado.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Realizar o controle manual da artéria femoral até o transporte. O controle manual (compressão digital do vaso) é uma medida temporária de curto prazo, mas não é a conduta imediata recomendada pelo ATLS para sangramento arterial de extremidade — o torniquete é superior e mais eficaz. Além disso, "até o transporte" sugere manter compressão manual prolongada, o que é inviável e inferior ao torniquete. A alternativa subestima a gravidade: jato arterial volumoso exige torniquete, não compressão manual.
Gabarito: letra C — controle do sangramento com torniquete proximal, antes da avaliação das vias aéreas, conforme o ATLS 10ª edição.