Durante o atendimento de um motorista envolvido em colisão frontal com impacto central em poste, observa-se deformação acentuada na parte anterior do veículo e dor torácica intensa. Considerando o mecanismo descrito, qual é o tipo de lesão mais provável nesse paciente?
ALesão de desaceleração de fígado e baço, associada à ruptura esplênica.
BFratura de clavícula bilateral e ruptura aórtica distal.
CLesão medular cervical por hiperextensão abrupta.
DFratura de esterno e compressão cardíaca e pulmonar por impacto torácico.
EPneumotórax hipertensivo decorrente de lesão perfurante.
Revelar gabarito e comentário▾
GabaritoD — Fratura de esterno e compressão cardíaca e pulmonar por impacto torácico.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Trauma torácico contuso: cinemática e lesões associadas
Gabarito: letra D. Em uma colisão frontal com impacto central, a energia é transferida diretamente para o esterno, podendo causar fratura esternal e compressão das estruturas mediastinais, como coração e pulmões. Esse mecanismo é classicamente associado a lesões por desaceleração do mediastino, incluindo contusão miocárdica e contusão pulmonar, conforme descrito na literatura de trauma.
A cinemática do trauma é a análise da cena do acidente para estimar as lesões potenciais. No trauma contuso, a energia se dissipa em uma área de contato maior, e o padrão de lesão depende da magnitude e orientação da mudança de aceleração. Em colisões frontais, o corpo é submetido a uma desaceleração abrupta, e a transferência de energia ocorre em três fases: a colisão do veículo, a colisão do corpo com o veículo e a colisão dos órgãos internos. A deformação da parte anterior do veículo indica que a energia foi absorvida pela estrutura, mas parte dela é transmitida ao ocupante.
No trauma torácico anterior, a energia é transferida diretamente para o esterno, podendo causar fratura esternal e lesões por desaceleração do mediastino. As estruturas mais vulneráveis são o coração, os grandes vasos e os pulmões. A contusão miocárdica pode levar a arritmias e disfunção cardíaca, enquanto a contusão pulmonar causa hemorragia e edema no parênquima, comprometendo a oxigenação. A fratura de esterno, por sua vez, pode desestabilizar a parede torácica e dificultar a ventilação.
É importante distinguir os mecanismos de lesão no trauma torácico. Quando a energia é transferida lateralmente ao esterno, a fratura de arcos costais é comum, e o tórax instável é uma preocupação. Já no impacto frontal central, a lesão mais característica é a fratura de esterno com contusão das estruturas subjacentes. A lesão aórtica, embora potencialmente fatal, é mais associada a mecanismos de desaceleração rápida, como em colisões em alta velocidade, e não é o achado mais provável neste cenário específico.
A banca explora a associação entre o mecanismo de trauma e a lesão resultante. O candidato deve correlacionar a direção do impacto com a transferência de energia para as estruturas torácicas. No impacto frontal central, a energia é transmitida diretamente ao esterno, causando fratura e compressão das estruturas mediastinais. Essa é a lesão mais provável, conforme descrito na literatura de trauma.
Trauma torácico contuso: Impacto frontal central (Fratura de esterno, Contusão cardíaca, Contusão pulmonar); Impacto lateral (Fratura de arcos costais, Tórax instável); Desaceleração rápida (Ruptura aórtica); Hiperextensão cervical (Lesão medular)
Alternativa A — ❌ Incorreta
A lesão de desaceleração de fígado e baço é mais característica de trauma abdominal contuso, como em colisões com o guidão ou impacto direto no abdome. Embora a desaceleração possa causar lesões em órgãos sólidos, o mecanismo descrito (impacto frontal central) direciona a energia para o tórax, não para o abdome. A ruptura esplênica é mais comum em traumas abdominais contusos, como em acidentes automobilísticos com impacto lateral ou frontal, mas não é a lesão mais provável neste cenário, onde a dor torácica é o sintoma predominante.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A fratura de clavícula bilateral e a ruptura aórtica distal não são as lesões mais prováveis em um impacto frontal central. A fratura de clavícula é mais comum em quedas sobre o ombro ou trauma direto, e a ruptura aórtica distal é mais associada a mecanismos de desaceleração rápida, como em colisões em alta velocidade, mas não é o achado mais característico deste mecanismo específico. A lesão aórtica pode ocorrer, mas a fratura de esterno e a contusão cardíaca/pulmonar são mais diretamente relacionadas ao impacto central.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A lesão medular cervical por hiperextensão abrupta é mais associada a mecanismos de hiperextensão do pescoço, como em colisões por trás (impacto traseiro) ou quedas. No impacto frontal central, o movimento predominante é a desaceleração, e a lesão medular cervical é menos provável. A hiperextensão abrupta é um mecanismo distinto, e a dor torácica intensa descrita no enunciado aponta para lesões torácicas, não medulares.
Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A fratura de esterno e a compressão cardíaca e pulmonar por impacto torácico são as lesões mais prováveis em uma colisão frontal com impacto central. A energia é transferida diretamente para o esterno, podendo causar fratura esternal e contusão das estruturas subjacentes, como coração e pulmões. Esse mecanismo é classicamente descrito na literatura de trauma, que associa traumas anteriores a lesões por desaceleração do mediastino, incluindo contusão miocárdica e contusão pulmonar.
Alternativa E — ❌ Incorreta
O pneumotórax hipertensivo é uma complicação que pode ocorrer em traumas torácicos, mas é mais associado a lesões penetrantes ou a fraturas de costelas que laceram o parênquima pulmonar. No impacto frontal central, a lesão mais característica é a contusão, e o pneumotórax hipertensivo não é o achado mais provável. Além disso, o enunciado descreve um trauma contuso, e o pneumotórax hipertensivo é mais comum em traumas penetrantes.