Questão de Medicina — Otorrinolaringologia — Avança SP 2026
Medicina›Otorrinolaringologia
Código
qg655398
Banca
Avança SP
Órgão
SES - SP
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico I
Durante uma variação de pressão ambiental, um paciente passou a apresentar náuseas, vômitos, zumbidos e nistagmo, além de relatar perda auditiva significativa. O quadro clínico está associado a uma condição menos prevalente, geralmente relacionada a lesões do ouvido médio.Diante das manifestações clínicas descritas, assinale a alternativa correta.
AOtite externa aguda.
BBarotrauma do ouvido externo ou interno.
CLabirintite infecciosa.
DTampão de cerúmen.
EDisfunção da articulação temporomandibular.
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GabaritoB — Barotrauma do ouvido externo ou interno.
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Barotrauma do ouvido: fisiopatologia e manifestações clínicas
Gabarito: letra B. O quadro descrito — náuseas, vômitos, zumbidos, nistagmo e perda auditiva significativa após variação de pressão ambiental — é a apresentação clássica do barotrauma do ouvido externo ou interno, condição menos prevalente e tipicamente associada a lesões do ouvido médio. O gatilho é a incapacidade de equalizar a pressão entre o ambiente e as cavidades do ouvido, o que distingue essa condição das demais alternativas.
O barotrauma é uma lesão causada pela diferença entre a pressão ambiental e a pressão dentro das cavidades do ouvido. Normalmente, a tuba auditiva (antiga trompa de Eustáquio) equaliza a pressão entre o ouvido médio e o ambiente. Quando essa equalização falha — como em mergulhos, voos ou explosões — a pressão diferencial pode causar desde congestão e dor até ruptura da membrana timpânica, lesão dos ossículos e, nos casos mais graves, lesão do ouvido interno com perda auditiva neurossensorial e vertigem.
A fisiopatologia explica os sintomas: a variação brusca de pressão distende ou rompe estruturas do ouvido médio (membrana timpânica, cadeia ossicular), e a transmissão dessa pressão ao ouvido interno (cóclea e canais semicirculares) gera os sintomas vestibulares (nistagmo, náuseas, vômitos) e auditivos (zumbido, perda auditiva). A vertigem com nistagmo indica comprometimento do labirinto posterior, enquanto a perda auditiva significativa sugere lesão coclear — ambos compatíveis com barotrauma do ouvido interno.
A distinção crucial é entre barotrauma e labirintite: o barotrauma é uma lesão mecânica desencadeada por variação de pressão, enquanto a labirintite é uma infecção/inflamação do labirinto, geralmente de origem viral ou bacteriana, sem relação com mudanças de pressão ambiental. O enunciado é explícito ao mencionar "variação de pressão ambiental", o que direciona diretamente para o barotrauma.
A pegadinha da questão está em associar os sintomas (náuseas, vômitos, zumbido, nistagmo, perda auditiva) a uma condição mais comum como a labirintite, mas o contexto de variação de pressão ambiental é o diferencial que aponta para o barotrauma. O candidato que ignora esse gatilho temporal tende a escolher a alternativa C.
Barotrauma do ouvido
1Causa
Variação de pressão ambiental
Falha na equalização da tuba auditiva
2Lesões
Ouvido médio (membrana timpânica, ossículos)
Ouvido interno (cóclea, canais semicirculares)
3Sintomas
Auditivos: zumbido, perda auditiva
Vestibulares: nistagmo, náuseas, vômitos
4Diagnóstico diferencial
Labirintite: infecciosa, sem gatilho pressórico
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Alternativa A — ❌ Incorreta
A otite externa aguda é uma infecção do conduto auditivo externo, geralmente causada por bactérias ou fungos, associada a umidade e trauma local. Seus sintomas típicos são otalgia, prurido e otorreia, sem relação com variação de pressão ambiental e sem os sintomas vestibulares (nistagmo, vertigem) descritos. A perda auditiva, quando presente, é leve e por obstrução do conduto, não neurossensorial significativa.
Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO
O barotrauma do ouvido externo ou interno é exatamente a condição descrita: ocorre durante variação de pressão ambiental (mergulho, voo, explosão), é menos prevalente que outras otopatias e está associado a lesões do ouvido médio (membrana timpânica, ossículos). Os sintomas de náuseas, vômitos, zumbido, nistagmo e perda auditiva significativa são a expressão clínica da lesão do ouvido interno (cóclea e vestíbulo) por pressão. A alternativa espelha com precisão o mecanismo e o quadro clínico.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A labirintite infecciosa é uma inflamação do labirinto, geralmente de origem viral (como complicação de infecções de vias aéreas superiores) ou bacteriana (como complicação de otite média). Embora compartilhe sintomas como vertigem, nistagmo, náuseas e perda auditiva, não há relação com variação de pressão ambiental — o que é o elemento central do enunciado. A labirintite é uma condição inflamatória/infecciosa, não mecânica.
Alternativa D — ❌ Incorreta
O tampão de cerúmen causa hipoacusia condutiva leve, plenitude auricular e, ocasionalmente, zumbido e tontura, mas não provoca nistagmo, vômitos ou perda auditiva significativa. Não há relação com variação de pressão ambiental, e o quadro clínico descrito é muito mais grave e agudo do que o esperado para um tampão de cerúmen.
Alternativa E — ❌ Incorreta
A disfunção da articulação temporomandibular (ATM) causa dor facial, estalidos, limitação de abertura bucal e, às vezes, zumbido e otalgia referida. No entanto, não provoca perda auditiva significativa, nistagmo ou vômitos, e não tem relação com variação de pressão ambiental. Os sintomas vestibulares e auditivos graves descritos não são compatíveis com essa condição.