Questão de Medicina — Traumas — Avança SP 2026
- Código
- qg655416
- Banca
- Avança SP
- Órgão
- SES - SP
- Ano
- 2026
- Nível
- Superior
- Cargo
- Médico I
- ACardiogênico
- BAnafilático
- CHipovolêmico
- DNeurogênico
- ESéptico
GabaritoC — Hipovolêmico
Gabarito: letra C (Hipovolêmico). O quadro descrito — sangramento intenso na perna após trauma, pele fria, palidez e sudorese — é a apresentação clássica do choque hipovolêmico, causado pela perda significativa de volume sanguíneo circulante. A hemorragia é a principal causa de choque e de óbitos evitáveis no paciente vítima de trauma, e os sinais clínicos de resposta adrenérgica (palidez, sudorese fria, taquicardia) são a assinatura desse estado.
O choque é uma síndrome de hipoperfusão tecidual sistêmica, na qual o aporte de oxigênio e nutrientes é insuficiente para a demanda metabólica dos tecidos. Ele se classifica em quatro grandes grupos fisiopatológicos: hipovolêmico, cardiogênico, distributivo e obstrutivo. No caso do motociclista, o mecanismo é claro: a perda sanguínea aguda reduz o volume intravascular (pré-carga), diminuindo o débito cardíaco e a perfusão tecidual. O organismo responde com ativação adrenérgica — daí a pele fria, a palidez e a sudorese — numa tentativa de compensar a hipovolemia, mantendo a pressão arterial às custas de vasoconstrição periférica e taquicardia.
A distinção entre os tipos de choque é essencial no atendimento pré-hospitalar, pois o tratamento imediato difere radicalmente: no hipovolêmico hemorrágico, a prioridade é o controle do sangramento e a reposição volêmica; no cardiogênico, o foco é a falência de bomba; no distributivo, a vasodilatação periférica; no obstrutivo, a obstrução mecânica ao fluxo. O diagnóstico sindrômico, portanto, direciona a conduta inicial e pode ser a diferença entre a vida e a morte.
A banca explora exatamente a capacidade de correlacionar o mecanismo de trauma e os sinais clínicos com a fisiopatologia do choque. O candidato que decora os nomes sem entender o mecanismo pode confundir o choque hipovolêmico com o neurogênico (que também cursa com pele quente e seca, não fria e úmida) ou com o cardiogênico (que exige disfunção miocárdica prévia). O gatilho aqui é a perda sanguínea — esse é o critério que separa a alternativa correta das demais.
O choque cardiogênico resulta de falência da bomba cardíaca, seja por infarto agudo do miocárdio, miocardiopatias ou arritmias graves. No enunciado, não há qualquer menção a dor torácica, disfunção ventricular ou evento cardíaco — o gatilho é claramente a hemorragia externa. A pele fria e a palidez podem aparecer no choque cardiogênico, mas a causa desencadeante (sangramento intenso na perna) aponta inequivocamente para a hipovolemia.
O choque anafilático é um tipo de choque distributivo, desencadeado por reação de hipersensibilidade (alimentos, medicamentos, picadas de insetos) que leva à degranulação de mastócitos e basófilos, com vasodilatação generalizada e aumento da permeabilidade capilar. O quadro típico inclui urticária, angioedema, broncoespasmo e hipotensão — nenhum desses elementos está presente no enunciado, que descreve um trauma com sangramento ativo.
O choque hipovolêmico é definido pela redução do volume sanguíneo circulante, e a hemorragia é sua causa mais comum no trauma. Os sinais descritos — sangramento intenso, pele fria, palidez e sudorese — são a expressão clínica da resposta adrenérgica compensatória à hipovolemia. A literatura é enfática: a hemorragia é a principal causa de choque e de óbitos evitáveis no paciente vítima de trauma, e a identificação precoce dos sinais de hipoperfusão é prioridade absoluta.
O choque neurogênico ocorre por lesão da medula espinhal (geralmente acima de T6), que interrompe as vias autonômicas e causa vasodilatação periférica com perda do tônus vascular. O quadro clássico é de pele quente e seca (devido à vasodilatação), bradicardia e hipotensão — o oposto do que o enunciado descreve. A pele fria e a sudorese do motociclista indicam resposta adrenérgica compensatória, típica do choque hipovolêmico, não a perda de tônus simpático do neurogênico.
O choque séptico é um choque distributivo causado por infecção grave, com resposta inflamatória sistêmica desregulada, vasodilatação e disfunção orgânica. O quadro geralmente se desenvolve ao longo de horas a dias, com febre, taquicardia e hipotensão refratária à reposição volêmica. No enunciado, não há qualquer indício de processo infeccioso — o evento é um trauma agudo com sangramento externo, o que torna o choque hipovolêmico a única hipótese coerente.
A banca explora a confusão entre os tipos de choque que cursam com hipotensão e alteração de perfusão. O candidato que memoriza apenas os nomes pode trocar o hipovolêmico pelo neurogênico, mas a pele fria e úmida (sudorese) é o diferencial: no neurogênico, a vasodilatação periférica deixa a pele quente e seca. Fique atento a esse par de sinais — ele é a chave para não cair nessa armadilha.
Para fixar, monte um quadro mental dos quatro tipos de choque com seus mecanismos e sinais cardinais: hipovolêmico (perda de volume, pele fria/úmida), cardiogênico (falência de bomba, congestão pulmonar), distributivo (vasodilatação, pele quente — séptico, anafilático, neurogênico) e obstrutivo (obstrução mecânica, TEP/tamponamento). Na prova, identifique primeiro o mecanismo desencadeante (trauma, infecção, alergia, IAM) e depois confirme com os sinais clínicos.
Gabarito: letra C
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