Questão de Medicina — Envenenamentos e Acidentes — Avança SP 2026
Medicina›Envenenamentos e Acidentes
Código
qg655417
Banca
Avança SP
Órgão
SES - SP
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico I
Após um deslizamento de terra com dezenas de feridos em uma área de difícil acesso, a central de regulação aciona helicópteros aeromédicos para o transporte das vítimas mais graves. A equipe responsável pelo gerenciamento da cena decide organizar a distribuição dos feridos entre os hospitais da região e alguns mais distantes, visando eficiência no atendimento e melhor aproveitamento dos recursos disponíveis.Com base nas diretrizes para transporte em desastres e incidentes com múltiplas vítimas, assinale a alternativa correta:
AOs pacientes mais graves devem ser transferidos exclusivamente para os hospitais mais próximos para agilizar o atendimento.
BA utilização de helicópteros deve ser limitada apenas a regiões onde não haja hospitais próximos.
CA distribuição adequada das vítimas deve evitar a saturação dos hospitais da região, fenômeno conhecido como efeito geográfico.
DÉ preferível concentrar todas as vítimas em um único hospital de referência para facilitar a triagem hospitalar.
EO transporte aéreo deve ser reservado apenas para vítimas com lesões leves, que toleram deslocamentos mais longos.
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GabaritoC — A distribuição adequada das vítimas deve evitar a saturação dos hospitais da região, fenômeno conhecido como efeito geográfico.
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Transporte de vítimas em incidentes com múltiplas vítimas
Gabarito: letra C. Em desastres e incidentes com múltiplas vítimas, a distribuição dos feridos entre os hospitais deve ser planejada pela central de regulação para evitar a saturação de uma única unidade — fenômeno conhecido como efeito geográfico. A alternativa C está correta ao afirmar que a distribuição adequada das vítimas deve evitar a saturação dos hospitais da região, exatamente o que define esse conceito.
O transporte de vítimas em incidentes com múltiplas vítimas (IMV) é uma fase crítica do atendimento pré-hospitalar, que ocorre após a triagem inicial. A triagem, feita por protocolos como o START (Simple Triage and Rapid Treatment), classifica as vítimas em prioridades por cores: vermelho (imediata), amarelo (atrasada), verde (menor) e cinza (óbito ou PCR). O transporte deve ser organizado conforme essa prioridade, encaminhando primeiro as vítimas graves (vermelho) e moderadas (amarelo), e depois as leves (verde).
A central de regulação é o órgão responsável por definir o destino de cada vítima. Ela deve ter conhecimento dos serviços de atendimento pré-hospitalar móvel e das unidades hospitalares públicas, privadas e conveniadas ao SUS, além de planos e análise de riscos para situações de desastres. O objetivo é distribuir os feridos de forma racional, evitando que um único hospital fique sobrecarregado enquanto outros têm capacidade ociosa. Esse desequilíbrio na distribuição é o que se chama de efeito geográfico: quando a proximidade geográfica leva ao acúmulo de vítimas em um único hospital, saturando sua capacidade de atendimento e prejudicando a qualidade do cuidado.
Na prática, imagine um deslizamento com 30 feridos graves. Se todos forem levados ao hospital mais próximo, com capacidade para 10 atendimentos de emergência simultâneos, os 20 restantes ficarão aguardando, com piora clínica. A regulação deve distribuir esses pacientes entre vários hospitais, inclusive os mais distantes, considerando a capacidade de cada um e a gravidade de cada vítima. O transporte aéreo (helicópteros) é um recurso valioso exatamente para permitir essa distribuição, levando vítimas graves a hospitais de referência mais distantes, quando necessário.
A alternativa C é a única que reflete corretamente essa diretriz. As demais apresentam erros conceituais: a letra A propõe transferência exclusiva para hospitais próximos (ignorando a capacidade hospitalar); a letra B limita o uso de helicópteros a regiões sem hospitais próximos (ignorando que o transporte aéreo serve para otimizar a distribuição); a letra D propõe concentrar todas as vítimas em um único hospital (exatamente o que se deve evitar); e a letra E reserva o transporte aéreo para vítimas leves (invertendo a lógica, pois o transporte aéreo é prioritário para vítimas graves).
Guarde o conceito de efeito geográfico como o critério decisivo: é a saturação de um hospital por proximidade geográfica, e a distribuição adequada das vítimas é a medida que o evita. É exatamente nesse ponto que as alternativas se dividem.
Afirma que os pacientes mais graves devem ser transferidos exclusivamente para os hospitais mais próximos. Isso contraria a lógica da regulação, que considera a capacidade hospitalar e a gravidade das vítimas, não apenas a proximidade. O termo "exclusivamente" torna a afirmação incorreta, pois a distribuição deve ser racional, podendo incluir hospitais mais distantes para evitar a saturação.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Afirma que o uso de helicópteros deve ser limitado a regiões sem hospitais próximos. O transporte aéreo é um recurso para otimizar a distribuição das vítimas, permitindo levar pacientes graves a hospitais de referência, mesmo que existam hospitais próximos, se estes estiverem saturados ou não tiverem capacidade para o caso. A limitação proposta não encontra respaldo nas diretrizes de transporte em IMV.
Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Afirma que a distribuição adequada das vítimas deve evitar a saturação dos hospitais da região, fenômeno conhecido como efeito geográfico. Este é exatamente o conceito: a saturação de um hospital por acúmulo de vítimas devido à proximidade geográfica. A distribuição racional, feita pela central de regulação, é a medida que evita esse efeito, garantindo eficiência no atendimento e melhor aproveitamento dos recursos.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Propõe concentrar todas as vítimas em um único hospital de referência para facilitar a triagem hospitalar. Isso é o oposto do que se deve fazer: concentrar todas as vítimas em um único hospital causa exatamente o efeito geográfico, saturando a unidade e prejudicando o atendimento. A triagem hospitalar não justifica a concentração, pois a distribuição entre vários hospitais é mais eficiente.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Afirma que o transporte aéreo deve ser reservado apenas para vítimas com lesões leves, que toleram deslocamentos mais longos. Inverte a lógica: o transporte aéreo é um recurso escasso e deve ser priorizado para vítimas graves (prioridade vermelha), que necessitam de atendimento rápido em hospital de referência, mesmo que distante. Vítimas leves (verdes) podem aguardar transporte terrestre.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a inversão de prioridades no transporte. O candidato pode pensar que "mais grave = mais próximo" (letra A) ou que "aéreo = leve" (letra E), mas a lógica é oposta: a gravidade define a prioridade de transporte, e o recurso aéreo é para otimizar a distribuição, não para limitar. O conceito-chave é o efeito geográfico, que a letra C nomeia corretamente.
PEGA ESSA DICA!
Em questões sobre IMV, lembre-se da sequência: triagem (START) → transporte (prioridade: vermelho, amarelo, verde) → regulação (distribuição racional). O efeito geográfico é a saturação de um hospital por proximidade, e a distribuição adequada é a medida que o evita. Se a alternativa falar em "concentrar" ou "exclusivamente próximo", está errada.