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Questão de Português — Interpretação de Textos — Avança SP 2026

PortuguêsInterpretação de Textos
Código
qg655560
Banca
Avança SP
Órgão
Prefeitura de Cabreúva - SP
Ano
2026
Nível
Superior

Leia o texto a seguir para responder à questão.


O cronista anuncia a primavera


        Chega a primavera, a estação preferida de muitos cronistas, mas não deste. Enquanto a maioria vê na primavera um símbolo de esperança, representada pelo renascimento das flores, a filosofia de vida pessimista e niilista deste escrevinhador faz com que ele não espere nada de bom nesta época florida.


        Distante que está dos grandes cronistas, não consegue ter para a natureza um olhar lírico e de uma simplicidade inatingível como o de Rubem Braga, que em “Recado da primavera” viu na varanda um “tico-tico com uma folhinha seca de capim no bico” como “o sinal mais humilde da chegada da Primavera”. Tampouco chega aos pés da Cecília Meireles, que escreveu que “só os poetas, entre os humanos, sabem que uma Deusa chega, coroada de flores, com vestidos bordados de flores, com os braços carregados de flores, e vem dançar neste mundo cálido, de incessante luz”. Sente inveja da ironia certeira de Luis Fernando Veríssimo, para quem a “primavera é um descontrole glandular da Natureza”, sendo que o “outono é a única estação civilizada”. (...)


        Leon Eliachar, em crônica que ironiza os temas dos cronistas, diz que “fazer crônica não é escrever palavras bonitas” e nem, entre outras coisas, “anunciar a primavera”, o que Rubem Braga fazia costumeiramente. Pois este cronista aqui iniciou justamente como tantos outros, mas para dizer que não vê nada de bom na primavera; afinal, não sabe que roupa usar nesta época, pois ora sente calor, ora sente frio. Também não gosta do pólen das flores que suja o vidro do carro. Além disso, prefere os dias mais cinzentos do outono e do inverno, e não o colorido primaveril.


        Sim, este cronista é um chato, que reclama do frio no inverno e do calor no verão, mas também não gosta de meia estação porque não faz nem frio nem calor. É um sujeito insuportável que não espera nada da vida, pois, quando entrou neste inferno que é a Terra, viu a mesma inscrição que se lê na Divina Comédia, de Dante: “Deixai, ó vós que entrais, toda a esperança!”


        O bom deste inferno é que você, leitor, pode discordar do cronista, e aproveitar a primavera que inicia.


PETRY, Cassionei Niches. O cronista anuncia a primavera. Gazeta do Sul, 22/09/2021 Disponível em <https://cassionei.blogspot.com/2021/09/o cronista-anuncia-primavera.html>

“(...) chega, coroada de flores, com vestidos bordados de flores, com os braços carregados de flores, e vem dançar neste mundo cálido, de incessante luz”


Referindo-se à estação da primavera, o trecho sublinhado acima apresenta-se sob a seguinte figura de linguagem:

  1. Apleonasmo.
  2. Bprosopopeia.
  3. Cmetonímia.
  4. Delipse.
  5. Eironia.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoB — prosopopeia.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Prosopopeia na descrição da primavera

Gabarito: letra B. O trecho atribui à primavera ações e características humanas — "chega", "vem dançar" —, o que caracteriza prosopopeia (ou personificação). A passagem que prova está no texto: "só os poetas, entre os humanos, sabem que uma Deusa chega, coroada de flores... e vem dançar neste mundo cálido". A primavera é tratada como uma Deusa que chega e dança, comportamentos tipicamente humanos.

O comando

A questão pede que você identifique a figura de linguagem presente no trecho sublinhado. Isso é uma tarefa de conceito — você precisa reconhecer a definição de cada figura e aplicá-la ao contexto. Não é uma questão de inferência ou de compreensão global do texto; é uma questão de estilística.

O texto

O cronista, com tom pessimista, contrapõe-se à visão lírica da primavera. No trecho citado, ele reproduz a fala de Cecília Meireles, que personifica a primavera como uma Deusa: ela "chega", "vem dançar". Esses verbos indicam ações humanas atribuídas a uma estação do ano — exatamente o que define a prosopopeia.

A técnica

Prosopopeia (ou personificação) é a figura de linguagem que atribui ações, sentimentos ou características humanas a seres inanimados, animais ou entidades abstratas. No trecho, a primavera é personificada: ela "chega" (verbo de movimento humano) e "vem dançar" (ação humana). Isso é clássico de prosopopeia.

As demais figuras:

  • Pleonasmo: repetição de uma ideia para reforço (ex.: "subir para cima"). Não há repetição de sentido aqui.

  • Metonímia: substituição de um termo por outro com relação de proximidade (ex.: "li Machado de Assis" = li a obra). Não há substituição.

  • Elipse: omissão de um termo facilmente subentendido (ex.: "(Eu) quero café"). Não há omissão.

  • Ironia: dizer o contrário do que se quer comunicar. O trecho é lírico, não irônico.

1Prosopopeia (gabarito)
Atribui ação humana a ser não humano
"chega", "vem dançar"
2Pleonasmo
Repetição de ideia
3Metonímia
Substituição por proximidade
4Elipse
Omissão de termo
5Ironia
Dizer o contrário
Figuras de linguagem
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Figuras de linguagem: Prosopopeia (gabarito) (Atribui ação humana a ser não humano, "chega", "vem dançar"); Pleonasmo (Repetição de ideia); Metonímia (Substituição por proximidade); Elipse (Omissão de termo); Ironia (Dizer o contrário)

Alternativa A — ❌ Incorreta

Pleonasmo é a repetição de uma ideia com palavras diferentes (ex.: "hemorragia de sangue"). No trecho, não há repetição de sentido; há uma sequência de imagens (flores, dança), mas cada termo acrescenta informação nova. A banca tenta confundir com a repetição da palavra "flores", mas isso é anáfora (repetição de palavra no início de orações), não pleonasmo.

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A primavera é descrita como uma Deusa que "chega" e "vem dançar". Esses verbos são ações humanas atribuídas a uma estação do ano — prosopopeia. O texto confirma: "uma Deusa chega, coroada de flores... e vem dançar neste mundo cálido". A personificação é evidente.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Metonímia envolve substituição por proximidade (autor pela obra, parte pelo todo). No trecho, não há substituição; há personificação. A banca oferece metonímia como distrator porque é uma figura de palavra, mas o mecanismo é diferente.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Elipse é a omissão de um termo que o contexto permite subentender (ex.: "(Nós) vamos ao cinema"). No trecho, todos os termos estão expressos; não há omissão. A banca tenta confundir com a ausência de sujeito explícito, mas o sujeito "uma Deusa" está claro.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Ironia consiste em dizer o contrário do que se quer comunicar, com tom crítico ou humorístico. O trecho é uma descrição lírica e positiva da primavera, sem intenção irônica. A ironia aparece em outras partes do texto (quando o cronista se autodenomina "chato"), mas não neste trecho.

NÃO CAIA NESSA!

A banca mistura figuras de sintaxe (pleonasmo, elipse) e de pensamento (ironia) para testar se você reconhece a figura de palavra correta. A repetição de "flores" pode induzir ao pleonasmo, mas o que define a figura é a atribuição de ação humana à primavera.

PEGA ESSA DICA!

Para identificar prosopopeia, procure verbos de ação (chegar, dançar, falar, sorrir) atribuídos a seres não humanos. Se houver, é personificação.

Gabarito: letra B — prosopopeia, pois a primavera é personificada como uma Deusa que chega e dança.

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