Questão de Português — Interpretação de Textos — Avança SP 2026
Português›Interpretação de Textos
Código
qg655750
Banca
Avança SP
Órgão
Prefeitura de Jeriquara - SP
Ano
2026
Nível
Superior
Leia o texto a seguir para responder à questão.
A velocidade da história
Num de seus contos mais notáveis, Jorge
Luis Borges fala de uma equipe de cartógrafos
que imaginou um mapa tão perfeito e detalhado
que, uma vez estendido sobre a plataforma
geográfica, correspondia em extensão a cada
milímetro da região cartografada. Ou seja, o
gigantesco mapa era tão extraordinário quanto
minucioso, mas não servia para grande coisa.
Era tão vasto que se tornava impraticável
consultá-lo; e tão minudente que melhor seria
percorrer a própria região a pé ou a cavalo,
conferindo relevos, depressões, platôs e
planícies.
Borges não diz, mas é de se supor que
durante a preparação do tal mapa passaram-se
tantos e tantos anos que alguns dos cartógrafos
terão sido surpreendidos pela morte; que os
demais envelheceram a ponto de serem
substituídos por cartógrafos da nova geração; que
os estudantes que aguardavam a espantosa
novidade concluíram seus cursos, receberam
seus diplomas e decidiram conhecer a geografia
que lhes era possível sem o concurso do mapa.
Mas, principalmente, nesse entretempo,
havia acontecido um sem número de revoluções
e a geografia já era outra.
As fronteiras tinham-se alargado aqui e
estreitado ali, novas cidades haviam surgido, rios
tinham sido desviados e grandes represas
construídas na esteira da expansão industrial e da
demanda urbana.
Enfim, antes mesmo de dar-se por
terminado e impresso, o grande mapa já era um
documento de arquivo, uma relíquia do passado.
Se tivesse sobrevivido à derrocada do
sistema soviético a partir de 1989, Borges teria
talvez sorrido à ideia quase surreal de que todos
os mapas-múndi se desatualizavam de uma só
vez, como o fantástico (porém inútil) mapa de
seus cartógrafos. (...)
A velocidade da história parece sugerir,
muito borgianamente, que os novos mapas
cheguem a seu destino – isto é, a seus leitores –
no bojo de veículos que demonstrem ser tão
rápidos quanto a própria história. (...)
MARTINS FILHO, José. A velocidade da história. Folha
de S. Paulo. Disponível em
<https://www1.folha.uol.com.br/fsp/1994/8/14/painel/2.ht
ml>.
De acordo com o texto “A velocidade da história”, a ideia de construir um mapa que “correspondia em extensão a cada milímetro da região cartografada” era:
Ainútil, pois era mais fácil percorrer a própria região do que seguir o mapa.
Bmuito útil, pois o usuário acabava tendo uma visão completa sobre a região.
Cimprescindível para os estudantes de geografia.
Dimprescindível para os estudantes de história.
Emuito prático, pois o usuário poderia ter, em suas mãos, uma boa visão sobre a região.
Revelar gabarito e comentário▾
GabaritoA — inútil, pois era mais fácil percorrer a própria região do que seguir o mapa.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
A velocidade da história: a inutilidade do mapa perfeito
Gabarito: letra A. A ideia de construir um mapa que correspondia a cada milímetro da região era inútil, pois o próprio texto afirma que "melhor seria percorrer a própria região a pé ou a cavalo" do que consultá-lo. A alternativa A é a única que parafraseia essa passagem, enquanto as demais contradizem o texto ao atribuir utilidade ou imprescindibilidade ao mapa.
O comando: compreensão, não inferência
O enunciado pede "De acordo com o texto", ou seja, uma questão de compreensão/recorrência: a resposta deve estar explícita no texto, bastando localizar a passagem que a sustenta. Não se trata de inferir, deduzir ou interpretar além do escrito — é encontrar a paráfrase fiel da ideia central. Por isso, qualquer alternativa que acrescente opinião ou informação externa deve ser descartada.
O texto: a tese da inutilidade
O texto narra a parábola de Borges sobre cartógrafos que criaram um mapa tão detalhado que se tornou impraticável. A tese central está no primeiro parágrafo: o mapa "não servia para grande coisa" e "melhor seria percorrer a própria região a pé ou a cavalo". O restante do texto desenvolve essa ideia, mostrando que o mapa se desatualiza com a velocidade da história. A resposta mora exatamente nessa passagem inicial.
A técnica: localizar a paráfrase
Para resolver, basta confrontar cada alternativa com o trecho:
"Era tão vasto que se tornava impraticável consultá-lo; e tão minudente que melhor seria percorrer a própria região a pé ou a cavalo, conferindo relevos, depressões, platôs e planícies."
A alternativa A diz exatamente isso: "inútil, pois era mais fácil percorrer a própria região do que seguir o mapa". É uma reescritura fiel — troca "melhor seria" por "mais fácil" e "percorrer a própria região" por "percorrer a própria região", mantendo o sentido. As demais invertem o juízo do autor: em vez de inútil, dizem útil, imprescindível ou prático.
Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A alternativa A é a única que reproduz o sentido do texto. O autor afirma que o mapa "não servia para grande coisa" e que "melhor seria percorrer a própria região a pé ou a cavalo". A alternativa parafraseia: "inútil, pois era mais fácil percorrer a própria região do que seguir o mapa". A palavra "inútil" é sinônimo de "não servia para grande coisa", e "mais fácil" corresponde a "melhor seria". Não há acréscimo nem supressão de informação.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A alternativa B diz que o mapa era "muito útil, pois o usuário acabava tendo uma visão completa sobre a região". Isso contradiz o texto, que afirma o oposto: "não servia para grande coisa". O texto reconhece que o mapa era "extraordinário quanto minucioso", mas essa minúcia não gerava utilidade — pelo contrário, tornava-o impraticável. A banca inverte o juízo de valor: o que era defeito (vastidão e minúcia) vira qualidade (visão completa).
Alternativa C — ❌ Incorreta
A alternativa C afirma que o mapa era "imprescindível para os estudantes de geografia". O texto menciona estudantes, mas diz que eles "decidiram conhecer a geografia que lhes era possível sem o concurso do mapa" — ou seja, dispensaram o mapa. A alternativa contradiz o texto ao transformar o que foi descartado em algo essencial. Além disso, o texto não diz que o mapa era imprescindível para ninguém; pelo contrário, era inútil.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A alternativa D diz que o mapa era "imprescindível para os estudantes de história". O texto não menciona estudantes de história — fala apenas em "estudantes" que "concluíram seus cursos" e "decidiram conhecer a geografia que lhes era possível sem o concurso do mapa". A alternativa extrapola ao especificar uma área (história) que não está no texto e, ainda, atribui imprescindibilidade onde o texto nega utilidade. É duplamente infiel: acrescenta informação e inverte o sentido.
Alternativa E — ❌ Incorreta
A alternativa E afirma que o mapa era "muito prático, pois o usuário poderia ter, em suas mãos, uma boa visão sobre a região". O texto diz exatamente o contrário: "tão vasto que se tornava impraticável consultá-lo". A palavra "prático" é antônima de "impraticável". A alternativa contradiz o texto ao trocar o adjetivo central. A banca explora a ideia de que um mapa detalhado seria bom, mas o autor mostra que o excesso de detalhe o tornava inútil.
NÃO CAIA NESSA!
A banca inverte o sentido do texto: as alternativas B, C, D e E atribuem utilidade ou imprescindibilidade ao mapa, enquanto o texto afirma explicitamente que ele era inútil e impraticável. A pegadinha está em trocar o juízo de valor do autor.
PEGA ESSA DICA!
Em questões de compreensão, grife no texto a passagem que responde ao enunciado e compare com cada alternativa. A correta é a que parafraseia o texto, sem acrescentar nem contradizer. Desconfie de palavras absolutas como "imprescindível", "muito útil" e "muito prático" — elas costumam inverter o sentido.