Eu estava diante duma banca de jornais na
Avenida, quando a mão do mendigo se estendeu.
Dei-lhe uma nota tão suja e tão amassada quanto
ele. Guardou-a no bolso, agradeceu com um seco
obrigado e começou a ler as manchetes dos
vespertinos. Depois me disse:
— Não acredito um pingo em jornalistas.
São muito mentirosos. Mas tá certo: mentem para
ganhar a vida. O importante é o homem ganhar a
vida, o resto é besteira.
Calou-se e continuou a ler notícias
eleitorais:
— O Brasil ainda não teve um governo
que prestasse. Nem rei, nem presidente. Tudo
uma cambada só.
Reconheceu algumas qualidades nessa ou
naquela figura (aliás, com invulgar pertinência
para um mendigo), mas isso, a seu ver, não queria
dizer nada:
— O problema é o fundo da coisa: o caso
é que o homem não presta. Ora, se o homem não
presta, todos os futuros presidentes também serão
ruínas. A natureza humana é que é de barro
ordinário. Meu pai, por exemplo, foi um homem
bastante bom. Mas não deu certo ser bom durante
muito tempo: então ele virou ruim.
Suspeitando de que eu não estivesse
convencido da sua teoria, passou a demonstrar
para mim que também ele era um sujeito
ordinário como os outros:
— O senhor não vê? Estou aqui pedindo
esmola, quando poderia estar trabalhando. Eu
não tenho defeito físico nenhum e até que não
posso me queixar da saúde.
Tirei do bolso uma nota de cinquenta e
lhe ofereci pela sua franqueza. (...)
CAMPOS, Paulo Mendes. Mendigo. In: Para Gostar de
Ler. 12 ed. São Paulo: Ática, 1992. p. 70-71. (Volume 2 -
Crônicas)
“Suspeitando de que eu não estivesse convencido da sua teoria, passou a demonstrar para mim que também ele era um sujeito ordinário como os outros”O parágrafo do texto transcrito acima está reescrito com concordância correta na alternativa:
ASuspeitando de que eles não estivessem convencido da sua teoria, passaram a demonstrar para eles que também eles era sujeitos ordinários como os outros.
BSuspeitando de que nós não estivessem convencidos da sua teoria, passou a demonstrar para nós que também eles eram um sujeitos ordinários como os outros.
CSuspeitando de que nós não estivéssemos convencidos da teoria deles, passaram a demonstrar para nós que também eles eram uns sujeitos ordinários como os outros.
DSuspeitando de que nós não estivéssemos convencido da sua teoria, passamos a demonstrar para nós que também eles eram um sujeito ordinários como os outros.
ESuspeitando de que vós não estivésseis convencidos da sua teoria, passaste a demonstrar para vós que também tu era uns sujeitos ordinário como os outros.
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GabaritoC — Suspeitando de que nós não estivéssemos convencidos da teoria deles, passaram a demonstrar para nós que também eles eram uns sujeitos ordinários como os outros.
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Concordância Verbal e Nominal na Reescritura
Gabarito: letra C. A única alternativa que reescreve o trecho com concordância plenamente correta é a C, pois mantém a coerência das pessoas do discurso (nós/eles) e flexiona corretamente verbo e nomes: "Suspeitando de que nós não estivéssemos convencidos da teoria deles, passaram a demonstrar para nós que também eles eram uns sujeitos ordinários como os outros." A passagem original do texto — "Suspeitando de que eu não estivesse convencido da sua teoria, passou a demonstrar para mim que também ele era um sujeito ordinário como os outros" — exige que a reescritura preserve as relações de sujeito e objeto, o que a letra C faz com precisão.
O comando pede uma reescritura com concordância correta, ou seja, uma paráfrase que mantenha o sentido original, mas ajuste as flexões verbais e nominais às novas pessoas do discurso. Isso não é uma questão de interpretação de texto, mas de aplicação das regras de concordância verbal e nominal em um contexto dado. O foco está em identificar qual alternativa respeita a norma culta ao trocar as pessoas gramaticais.
No trecho original, temos: "eu" (narrador) suspeita, "ele" (mendigo) demonstra, e "ele" é "um sujeito ordinário". A reescritura deve manter essa lógica: quem suspeita é o narrador (que pode virar "nós"), quem demonstra é o mendigo (que pode virar "eles"), e quem é "sujeito ordinário" são os mendigos ("eles"). A alternativa C faz exatamente isso, convertendo "eu" em "nós", "ele" em "eles" e ajustando os verbos e nomes de acordo.
A técnica para resolver é simples: identifique as pessoas do discurso em cada alternativa e verifique se verbos, pronomes e nomes estão flexionados de acordo com elas. Desconfie de alternativas que misturam pessoas (ex.: "nós não estivessem") ou que mantêm o singular quando o sujeito virou plural (ex.: "eles era"). A concordância exige harmonia entre sujeito e verbo, e entre substantivo e adjetivo/artigo.
Concordância na reescritura: Verbal (sujeito → verbo) (Mesma pessoa e número, Ex.: "nós estivéssemos"); Nominal (substantivo → artigo/adjetivo) (Mesmo gênero e número, Ex.: "uns sujeitos ordinários"); Coerência das pessoas (Quem suspeita → "nós", Quem demonstra → "eles")
Alternativa A — ❌ Incorreta
Erro de concordância verbal: "eles não estivessem convencido" — o verbo "estivessem" concorda com "eles" (3ª pessoa do plural), mas o adjetivo "convencido" deveria concordar com o sujeito "eles", ficando "convencidos". Além disso, "eles era sujeitos" — o verbo "era" está no singular, mas o sujeito "eles" é plural, o correto seria "eram". A alternativa restringe a concordância ao verbo, ignorando o predicativo.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Erro de concordância verbal: "nós não estivessem" — o verbo "estivessem" está na 3ª pessoa do plural, mas o sujeito "nós" exige a 1ª pessoa do plural "estivéssemos". Além disso, "eles eram um sujeitos" — o artigo "um" no singular não concorda com "sujeitos" no plural; o correto seria "uns sujeitos". A alternativa contradiz a regra de concordância verbal ao usar a pessoa errada.
Alternativa C — ✅ Correta
Apresenta concordância perfeita: "nós não estivéssemos" (1ª pessoa do plural), "passaram a demonstrar" (3ª pessoa do plural, referindo-se a "eles"), "para nós" (1ª pessoa do plural), "eles eram" (3ª pessoa do plural) e "uns sujeitos ordinários" (artigo, substantivo e adjetivo no plural). A reescritura mantém o sentido original, apenas adaptando as pessoas do discurso. É a única que não comete nenhum desvio de concordância.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Erro de concordância nominal: "nós não estivéssemos convencido" — o adjetivo "convencido" deveria concordar com "nós", ficando "convencidos". Além disso, "eles eram um sujeito ordinários" — o artigo "um" e o substantivo "sujeito" estão no singular, mas o adjetivo "ordinários" está no plural; o correto seria "uns sujeitos ordinários". A alternativa troca a concordância nominal, criando uma mistura incoerente.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Erro de concordância verbal e nominal: "vós não estivésseis" está correto, mas "passaste a demonstrar" — o verbo "passaste" está na 2ª pessoa do singular (tu), enquanto o sujeito é "vós" (2ª pessoa do plural), o correto seria "passastes". Além disso, "tu era uns sujeitos ordinário" — o verbo "era" está na 3ª pessoa do singular, mas o sujeito "tu" exige "eras"; e "uns sujeitos ordinário" mistura plural com singular. A alternativa extrapola ao usar "vós" e "tu" de forma inconsistente.
NÃO CAIA NESSA!
A banca mistura pessoas do discurso e flexões para confundir. A chave é verificar se TODOS os elementos (verbo, artigo, substantivo, adjetivo) concordam com o sujeito a que se referem.
PEGA ESSA DICA!
Ao reescrever, sublinhe o sujeito de cada oração e pergunte: "o verbo está na mesma pessoa e número?" e "os nomes estão no mesmo gênero e número?". Isso elimina as alternativas erradas rapidamente.
Gabarito: letra C — a única que mantém a concordância verbal e nominal íntegra, preservando o sentido do texto original.