Questão de Português — Interpretação de Textos — Avança SP 2026
- Código
- qg656664
- Banca
- Avança SP
- Órgão
- Prefeitura de Votorantim - SP
- Ano
- 2026
- Nível
- Superior
- ACatacrese
- BIronia
- CMetáfora
- DPleonasmo
- EMetonímia
GabaritoC — Metáfora
Gabarito: letra C. A palavra "confissão" está empregada em sentido figurado, pois a literatura não é literalmente uma confissão, mas é comparada a uma, sem o uso de conectivo comparativo (como, tal qual). Isso caracteriza a metáfora, figura de palavra que consiste em empregar um termo no lugar de outro por uma relação de semelhança implícita.
A frase de Fernando Pessoa — "A literatura, como toda a arte, é uma confissão de que a vida não basta" — estabelece uma comparação implícita entre literatura e confissão. O autor não diz que a literatura parece uma confissão, mas que ela é uma confissão, transferindo à literatura uma característica que não lhe é própria no sentido literal. Essa transferência de sentido é a essência da metáfora.
Para resolver a questão, é preciso dominar a diferença entre metáfora e comparação: na comparação, há um conectivo comparativo explícito (como, tal qual, feito); na metáfora, a comparação é subentendida, sem conectivo. Além disso, é importante distinguir metáfora de metonímia (que se baseia em relação de contiguidade, como parte-todo, autor-obra) e de catacrese (metáfora já desgastada pelo uso, como "pé da mesa").
A banca explora justamente essas confusões. A alternativa C é a única que nomeia corretamente a figura presente no trecho.
A catacrese é uma metáfora já cristalizada no uso cotidiano, como "braço da cadeira" ou "pé da mesa". No trecho, "confissão" não é um termo desgastado; ao contrário, é uma imagem poética criada pelo autor. Portanto, não há catacrese.
A ironia consiste em dizer o contrário do que se pretende, com intenção crítica ou humorística. No trecho, não há qualquer inversão de sentido ou tom irônico; o autor faz uma afirmação séria e reflexiva. Logo, a ironia não se aplica.
A metáfora é a figura que emprega uma palavra em sentido figurado, por semelhança, sem conectivo comparativo. Em "a literatura é uma confissão", o autor transfere à literatura o sentido de "confissão" (ato de revelar algo íntimo), criando uma comparação implícita. A passagem do texto que sustenta isso é:
"A literatura, como toda a arte, é uma confissão de que a vida não basta."
A palavra "confissão" não é usada em seu sentido denotativo (ato de declarar pecados a um sacerdote), mas em sentido conotativo, para expressar que a literatura revela a insuficiência da vida. Essa é a essência da metáfora.
O pleonasmo é a repetição de uma ideia para reforço, como "subir para cima" ou "vi com meus próprios olhos". No trecho, não há repetição de sentido; há uma única imagem metafórica. Portanto, pleonasmo não se aplica.
A metonímia é a substituição de um termo por outro com relação de contiguidade (parte pelo todo, autor pela obra, causa pelo efeito). No trecho, "confissão" não mantém relação de contiguidade com "literatura"; a relação é de semelhança, o que caracteriza metáfora, não metonímia.
A banca tenta confundir metáfora com comparação (que exigiria conectivo) e com metonímia (que exige contiguidade). A ausência de conectivo comparativo e a relação de semelhança são as pistas decisivas.
Ao identificar figuras de linguagem, pergunte: há conectivo comparativo? Se sim, é comparação; se não, é metáfora. Há relação de contiguidade? Se sim, é metonímia. A palavra está em sentido figurado e desgastada? Se sim, é catacrese.
Gabarito: letra C.
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