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Questão de Medicina — Alergia e Imunologia — FUNDATEC 2026

MedicinaAlergia e Imunologia
Código
qg684372
Banca
FUNDATEC
Órgão
GHC-RS
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico (Alergia e Imunologia)
Uma mulher de 32 anos apresenta rash urticariforme recorrente há 6 meses associado à febre intermitente (38-39 °C), artralgias migratórias, fadiga crônica e elevação persistente de PCR (45 mg/L, normal <5) e SAA (120 mg/L, normal <10), sem resposta a anti-histamínicos em dose quádrupla ou corticoides orais baixos. Biópsia cutânea revela infiltração neutrofílica perivascular sem vasculite, e testes genéticos mostram mutação heterozigota em NLRP3. História familiar negativa para urticária, mas mãe com surdez neurosensorial progressiva. Considerando as diretrizes para diferenciar doenças autoinflamatórias mimetizando urticária, integrando ausência de resposta a tratamentos convencionais, duração prolongada de lesões (>24h), sintomas sistêmicos e risco de amiloidose AA a longo prazo (até 25% em síndrome de Muckle Wells), qual é, respectivamente, o diagnóstico mais provável e a abordagem terapêutica inicial apropriada, priorizando inibição de IL-1 para controle rápido e prevenção de complicações?
  1. AUrticária espontânea crônica (CSU) com componente autoinflamatório – iniciar omalizumabe 300 mg subcutâneo mensal, com monitoramento de SAA para avaliar resposta, sem necessidade de testes genéticos adicionais, pois NLRP3 é polimorfismo comum.
  2. BHiper-IgD periódica (HIDS) – dosar mevalonato urinário e iniciar etanercepte 50 mg subcutâneo semanal, evitando anti-IL-1 devido ao risco de infecções oportunistas em mutações NLRP3.
  3. CSíndrome de Schnitzler (SchS) – confirmar por gamopatia monoclonal IgM e iniciar canacinumabe 150 mg subcutâneo a cada 8 semanas, priorizando biópsia óssea para excluir linfoma associado.
  4. DSíndrome periódica associada à criopirina (CAPS) subtipo MWS – tratar com anakinra 100 mg subcutâneo diário, com reavaliação audiométrica e renal para amiloidose, e aconselhamento genético familiar.
  5. EUrticária vasculite normocomplementêmica – tratar com dapsona 100 mg/dia para supressão neutrofílica, com screening para FMF via MEFV se febre persistir, sem necessidade de inibidores de IL-1.
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GabaritoC — Síndrome de Schnitzler (SchS) – confirmar por gamopatia monoclonal IgM e iniciar canacinumabe 150 mg subcutâneo a cada 8 semanas, priorizando biópsia óssea para excluir linfoma associado.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Síndromes autoinflamatórias: CAPS/Muckle-Wells e o diagnóstico diferencial com urticária crônica

Gabarito: letra D. O quadro — rash urticariforme com lesões >24h, febre, artralgia, elevação de PCR e SAA, biópsia com infiltrado neutrofílico sem vasculite e mutação em NLRP3 — é a Síndrome Periódica Associada à Criopirina (CAPS), subtipo Muckle-Wells (MWS), e a abordagem inicial prioriza a inibição de IL-1, sendo o anakinra (anti-IL-1 recombinante) uma opção adequada, com monitoramento audiométrico e renal pelo risco de amiloidose AA. A alternativa D é a única que integra corretamente o diagnóstico genético-molecular, a terapêutica anti-IL-1 e o rastreio de complicações.

As doenças autoinflamatórias são um grupo de condições caracterizadas por ativação desregulada do sistema imune inato, levando a inflamação sistêmica recorrente sem autoanticorpos ou linfócitos T autorreativos. Diferentemente das doenças autoimunes clássicas, o defeito está na via do inflamassoma — complexo proteico que, ao ser ativado, cliva a pró-IL-1β em IL-1β ativa, citocina pirogênica e pró-inflamatória. A mutação em NLRP3 (gene que codifica a criopirina, componente central do inflamassoma NLRP3) causa ganho de função, com hiperativação da via e produção excessiva de IL-1β. Isso explica por que os sintomas — febre, rash, artralgia, elevação de reagentes de fase aguda (PCR, SAA) — não respondem a anti-histamínicos (que bloqueiam a histamina, não a IL-1) nem a corticoides em doses baixas (insuficientes para suprimir a inflamação mediada por IL-1).

A CAPS engloba três fenótipos de gravidade crescente: FCAS (frio, rash urticariforme, febre), MWS (surdez neurossensorial, artralgia, amiloidose AA) e CINCA/NOMID (acometimento neurológico grave). A MWS é o subtipo intermediário, com início na infância ou adolescência, febre recorrente, rash urticariforme (lesões que duram >24h, diferente da urticária comum que dura horas), artralgias, e complicações de longo prazo como surdez neurossensorial e amiloidose AA (deposição de proteína sérica amiloide A em órgãos, principalmente rins, levando a proteinúria e insuficiência renal). O diagnóstico é clínico, apoiado por marcadores inflamatórios elevados (PCR, SAA) e confirmado por teste genético (mutação em NLRP3). A história familiar pode ser negativa em casos de mutação de novo, como provavelmente ocorre na paciente.

O tratamento visa bloquear a IL-1, citocina central na patogênese. As opções incluem anakinra (antagonista do receptor de IL-1, meia-vida curta, administração diária), canacinumabe (anticorpo monoclonal anti-IL-1β, administração a cada 8 semanas) e rilonacepte (proteína de fusão, menos usado). A escolha entre eles depende de disponibilidade, custo e preferência. O anakinra é eficaz e permite ajuste rápido da dose, sendo uma opção inicial válida. O monitoramento deve incluir avaliação audiométrica (pela surdez neurossensorial) e renal (proteinúria, função renal) para rastreio de amiloidose AA, além de aconselhamento genético familiar, pois a mutação é autossômica dominante.

A pegadinha central desta questão é a diferenciação entre as doenças autoinflamatórias que mimetizam urticária. A banca explora a confusão entre CAPS/MWS, Síndrome de Schnitzler, HIDS e urticária vasculite. O que separa cada uma é a combinação de achados clínicos, laboratoriais e genéticos. A presença de mutação em NLRP3 é praticamente diagnóstica de CAPS, enquanto a gamopatia monoclonal IgM aponta para Schnitzler, o mevalonato urinário elevado para HIDS, e a biópsia com vasculite leucocitoclásica para urticária vasculite. Guarde essa fronteira: é exatamente nela que as alternativas se dividem.

Critério

CAPS/Muckle-Wells (MWS)

Síndrome de Schnitzler

HIDS

Urticária Vasculite

Mutação genética

NLRP3 (criopirina)

Não há mutação específica (gamopatia monoclonal IgM/IgG)

MVK (mevalonato quinase)

Não há mutação específica

Achado-chave

Surdez neurossensorial, amiloidose AA

Gamopatia monoclonal IgM

Mevalonato urinário elevado

Vasculite leucocitoclásica na biópsia

Biópsia de pele

Infiltrado neutrofílico perivascular sem vasculite

Infiltrado neutrofílico sem vasculite

Infiltrado neutrofílico sem vasculite

Vasculite leucocitoclásica (necrose fibrinóide)

Tratamento de primeira linha

Inibidor de IL-1 (anakinra, canacinumabe)

Inibidor de IL-1 (canacinumabe)

Anti-TNF (etanercepte)

Dapsona, colchicina, corticoides

Doenças autoinflamatórias (mimetizam urticária)
  • 1CAPS (mutação NLRP3)
    • FCAS (frio, rash)
    • Muckle-Wells (surdez, amiloidose)
    • CINCA/NOMID (neurológico grave)
    • Tratamento: anti-IL-1 (anakinra, canacinumabe)
  • 2Síndrome de Schnitzler
    • Gamopatia monoclonal IgM
    • Tratamento: canacinumabe
  • 3HIDS (mutação MVK)
    • Mevalonato urinário elevado
    • Tratamento: etanercepte
  • 4FMF (mutação MEFV)
    • Serosite
    • Tratamento: colchicina
  • 5Urticária vasculite
    • Vasculite leucocitoclásica na biópsia
    • Tratamento: dapsona
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Alternativa A — ❌ Incorreta

Erra ao classificar o quadro como urticária espontânea crônica (CSU). A CSU é uma condição mediada por mastócitos e histamina, sem febre, sem elevação importante de reagentes de fase aguda e sem mutação em NLRP3. A presença de febre, artralgia, PCR e SAA elevados e a mutação em NLRP3 apontam claramente para doença autoinflamatória. Além disso, a alternativa sugere omalizumabe (anti-IgE), que é eficaz na CSU, mas não na CAPS, e afirma que NLRP3 é polimorfismo comum, o que é falso — mutações patogênicas em NLRP3 causam CAPS, não são polimorfismos benignos.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Erra ao diagnosticar HIDS (Hiper-IgD periódica). A HIDS é causada por mutação no gene MVK (mevalonato quinase), não em NLRP3. O teste diagnóstico é o mevalonato urinário, mas a paciente tem mutação em NLRP3, o que direciona para CAPS. Além disso, a alternativa sugere etanercepte (anti-TNF), que não é a primeira linha para CAPS, e afirma que anti-IL-1 deve ser evitado por risco de infecções oportunistas — o que é incorreto, pois os inibidores de IL-1 são o tratamento padrão para CAPS e o risco de infecções é manejável, não contraindica o uso.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Erra ao diagnosticar Síndrome de Schnitzler (SchS). A SchS é caracterizada por rash urticariforme, febre, artralgia e gamopatia monoclonal IgM (ou IgG), sem mutação em NLRP3. A paciente não tem gamopatia monoclonal descrita e tem mutação em NLRP3, o que é incompatível com SchS. A alternativa sugere canacinumabe (que é eficaz na SchS), mas o diagnóstico está errado, e a biópsia óssea para excluir linfoma não é a prioridade inicial — o foco deve ser o tratamento anti-IL-1 e o rastreio de complicações da CAPS.

Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Correta ao diagnosticar CAPS subtipo MWS e ao propor anakinra 100 mg subcutâneo diário, com reavaliação audiométrica e renal para amiloidose, e aconselhamento genético familiar. A mutação em NLRP3, o rash urticariforme >24h, febre, artralgia, elevação de PCR e SAA, e a história de surdez neurossensorial na mãe são altamente sugestivos de MWS. O anakinra é um inibidor de IL-1 eficaz, e o monitoramento audiométrico e renal é essencial para prevenir e detectar complicações como surdez e amiloidose AA. O aconselhamento genético é importante pela herança autossômica dominante.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Erra ao diagnosticar urticária vasculite normocomplementêmica. A urticária vasculite é caracterizada por biópsia com vasculite leucocitoclásica (necrose fibrinóide, infiltrado neutrofílico na parede dos vasos), o que não está presente na paciente (infiltrado perivascular sem vasculite). Além disso, a alternativa sugere dapsona (que pode ser usada na urticária vasculite) e screening para FMF via MEFV, mas a paciente tem mutação em NLRP3, não em MEFV. A ausência de vasculite na biópsia e a mutação em NLRP3 excluem urticária vasculite e apontam para CAPS.

NÃO CAIA NESSA!

A banca adora trocar os diagnósticos entre as doenças autoinflamatórias que mimetizam urticária. Aqui, a pegadinha é confundir CAPS/MWS com Síndrome de Schnitzler (gamopatia monoclonal), HIDS (mevalonato urinário) e urticária vasculite (vasculite na biópsia). A chave é a mutação em NLRP3, que é praticamente diagnóstica de CAPS. Com treino, você enxerga essas trocas de longe 💪

PEGA ESSA DICA!

Para diferenciar as doenças autoinflamatórias, monte uma tabela mental com os achados-chave: CAPS (mutação NLRP3, surdez, amiloidose), Schnitzler (gamopatia monoclonal IgM), HIDS (mevalonato urinário, mutação MVK), FMF (mutação MEFV, serosite). Na prova, identifique o achado mais específico de cada uma e relacione com o tratamento (anti-IL-1 para CAPS e Schnitzler, anti-TNF para HIDS, colchicina para FMF).

Gabarito: letra D

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