Questão de Medicina — Alergia e Imunologia — FUNDATEC 2026
Medicina›Alergia e Imunologia
Código
qg684376
Banca
FUNDATEC
Órgão
GHC-RS
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico (Alergia e Imunologia)
De acordo com as diretrizes EAACI sobre anafilaxia, assinale a alternativa que apresenta a correta recomendação para o manejo inicial de uma reação anafilática em um paciente adulto com hipotensão e urticária generalizada após picada de inseto, considerando a priorização de intervenções para estabilização hemodinâmica e prevenção de progressão.
AIniciar adrenalina intramuscular imediatamente na dose de 0,3-0,5 mg, com repetição a cada 5-15 minutos se necessário, e posicionar o paciente em decúbito dorsal com elevação das pernas para suporte hemodinâmico.
BAdministrar anti-histamínicos H1 intravenosos como primeira linha, seguidos de corticosteroides para prevenção de recidiva tardia, sem necessidade de adrenalina se a hipotensão for leve.
CPriorizar antagonistas H2 como cimetidina para controle de sintomas gastrointestinais, reservando adrenalina apenas para casos com envolvimento respiratório grave.
DRecomendar observação por 4-6 horas sem medicação inicial, pois a maioria das reações a picadas de inseto se resolve espontaneamente sem intervenção farmacológica.
EUsar beta-agonistas inalados como albuterol para alívio imediato da dispneia, adiando adrenalina até confirmação de choque anafilático por triptase elevada.
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GabaritoA — Iniciar adrenalina intramuscular imediatamente na dose de 0,3-0,5 mg, com repetição a cada 5-15 minutos se necessário, e posicionar o paciente em decúbito dorsal com elevação das pernas para suporte hemodinâmico.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Anafilaxia: manejo inicial e priorização de intervenções
Gabarito: letra A. Na anafilaxia, a adrenalina intramuscular é a primeira linha de tratamento e não deve ser adiada — a dose recomendada para adultos é de 0,3–0,5 mg, repetida a cada 5–15 minutos se necessário, associada ao posicionamento em decúbito dorsal com elevação das pernas para suporte hemodinâmico. Essa conduta está alinhada às diretrizes da EAACI e da Sociedade Brasileira de Cardiologia, que priorizam a estabilização hemodinâmica imediata.
A anafilaxia é uma reação alérgica sistêmica aguda, mediada por IgE, que pode envolver pele, vias aéreas, sistema cardiovascular e trato gastrointestinal. No cenário descrito — paciente adulto com hipotensão e urticária generalizada após picada de inseto — estamos diante de uma reação grave, com risco de progressão para choque distributivo e parada cardiorrespiratória. O choque anafilático caracteriza-se por vasodilatação e aumento da permeabilidade capilar, com redução da pré-carga e hipovolemia relativa, o que explica a necessidade de reposição volêmica e do uso precoce de vasopressor.
A adrenalina é o fármaco de escolha porque atua como agonista alfa e beta-adrenérgico: promove vasoconstrição periférica (revertendo a hipotensão), broncodilatação, e inibe a liberação de mediadores inflamatórios pelos mastócitos. Por isso, qualquer atraso na sua administração aumenta a morbimortalidade. A via intramuscular no vasto lateral da coxa é preferida por proporcionar absorção mais rápida e previsível que a subcutânea, e a dose de 0,3–0,5 mg (1:1.000) é a recomendada para adultos, podendo ser repetida a cada 5–15 minutos conforme a resposta clínica.
O posicionamento em decúbito dorsal com elevação das pernas (Trendelenburg modificado) é uma medida adjuvante que melhora o retorno venoso e a pré-carga, contribuindo para a estabilização hemodinâmica enquanto a adrenalina age. Essa medida é especialmente importante em pacientes hipotensos, pois a posição ortostática ou sentada pode agravar o colapso cardiovascular.
É fundamental distinguir o papel dos demais medicamentos: anti-histamínicos H1 e corticosteroides são adjuvantes, não substituem a adrenalina. Os anti-histamínicos aliviam urticária e prurido, mas não revertem hipotensão, estridor ou broncoespasmo. Os corticosteroides podem prevenir reações bifásicas tardias, mas têm início de ação lento (horas) e não têm efeito imediato. Beta-agonistas inalados (como albuterol) são úteis para broncoespasmo, mas não tratam a hipotensão. Antagonistas H2 (como cimetidina) podem ser usados como coadjuvantes, mas nunca como primeira linha.
A observação por 4–6 horas sem medicação é conduta inadequada diante de hipotensão — a gravidade do quadro exige intervenção imediata. A diretriz da SBC recomenda observação de pelo menos 4 horas após a resolução dos sintomas, mas isso é após o tratamento, não em substituição a ele.
A pegadinha central desta questão é a tentativa de rebaixar a adrenalina a um papel secundário ou condicioná-la a critérios como "hipotensão leve" ou "confirmação por triptase". A adrenalina é sempre a primeira linha na anafilaxia, independentemente da gravidade aparente — a hipotensão, mesmo leve, já indica risco de progressão.
Guarde o critério decisivo: na anafilaxia, a prioridade é a adrenalina IM imediata + posicionamento + oxigênio + volume. Qualquer alternativa que coloque outra droga antes da adrenalina, ou que a adie, está incorreta. É exatamente nessa hierarquia que as alternativas se dividem.
1Adrenalina IM 0,3–0,5 mg
2Repetir a cada 5–15 min
3Decúbito dorsal + pernas elevadas
4Oxigênio e volume (cristaloide)
5Adjuvantes (H1, corticoide)
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Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Esta alternativa espelha a recomendação das diretrizes: adrenalina IM 0,3–0,5 mg imediatamente, com repetição a cada 5–15 minutos se necessário, e posicionamento em decúbito dorsal com elevação das pernas. A dose está correta para adultos, a via está correta (IM), o intervalo de repetição está correto, e a medida postural é adjuvante adequado para hipotensão. É a conduta completa e priorizada corretamente.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Erro: coloca anti-histamínicos H1 intravenosos como primeira linha e condiciona a adrenalina à gravidade da hipotensão. Anti-histamínicos não revertem hipotensão nem obstrução de vias aéreas — são adjuvantes, nunca substitutos da adrenalina. A adrenalina deve ser administrada imediatamente em qualquer anafilaxia, independentemente do grau de hipotensão. A frase "sem necessidade de adrenalina se a hipotensão for leve" é perigosa e contraria a diretriz.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Erro: prioriza antagonistas H2 (cimetidina) para sintomas gastrointestinais e reserva adrenalina apenas para envolvimento respiratório grave. H2 podem ser coadjuvantes, mas não têm papel na estabilização hemodinâmica. A adrenalina é indicada em toda anafilaxia, não apenas em casos respiratórios graves — a hipotensão é indicação absoluta.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Erro: recomenda observação sem medicação inicial. Diante de hipotensão, a conduta expectante é inaceitável — a anafilaxia pode progredir rapidamente para choque e PCR. A observação de 4–6 horas é recomendada APÓS o tratamento e resolução dos sintomas, não como substituta da intervenção.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Erro: usa beta-agonistas inalados (albuterol) para dispneia e adia adrenalina até confirmação por triptase. Albuterol trata broncoespasmo, mas não hipotensão. A triptase sérica é um marcador útil, mas não deve retardar o tratamento — a adrenalina é administrada com base no quadro clínico, sem aguardar exames.
NÃO CAIA NESSA!
A banca tenta fazer você acreditar que anti-histamínicos ou beta-agonistas podem substituir a adrenalina, ou que a adrenalina pode ser adiada até confirmação diagnóstica. Na anafilaxia, a adrenalina IM é sempre a primeira linha — qualquer alternativa que a rebaixe ou condicione está errada. Fique atento a termos como "primeira linha", "sem necessidade", "reservando", "adiando" — eles sinalizam a inversão da hierarquia correta.
PEGA ESSA DICA!
Na prova, memorize a sequência: 1) adrenalina IM 0,3–0,5 mg (adulto) no vasto lateral, repetir 5–15 min; 2) posicionar em decúbito dorsal com pernas elevadas; 3) oxigênio e volume (cristaloide 1.000 mL); 4) adjuvantes (anti-histamínicos, corticoide, broncodilatador) — nunca antes da adrenalina. Se a alternativa colocar qualquer droga antes da adrenalina, descarte-a.