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Questão de Medicina — Alergia e Imunologia — FUNDATEC 2026

MedicinaAlergia e Imunologia
Código
qg684379
Banca
FUNDATEC
Órgão
GHC-RS
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico (Alergia e Imunologia)
Uma mulher de 38 anos desenvolve DRESS grave (exantema maculopapular generalizado, eosinofilia de 1.800/µL, hepatite com transaminases 4x o limite superior e linfocitose com linfoblastos circulantes) após 3 semanas de tratamento com fenitoína para epilepsia pós-traumática. Após resolução com corticoides e retirada da droga, inicia piperacilina/tazobactama para infecção urinária complicada 4 semanas depois, evoluindo com exantema eritrodérmico, febre e agranulocitose no dia 7 de terapia. Testes in vitro (LTT) positivos para fenitoína, piperacilina e tazobactama; testes cutâneos negativos para betalactâmicos relacionados. Análise imunológica revela T-células CD4+ CD25dim PD-1+ CD38+ persistentes na circulação após 6 meses. Considerando o conceito de MDH como síndrome de hiperresponsividade T-cell persistente mediada por p-i, distinguindo de reações flare-up ou reatividade cruzada, e evidências de dupla sensibilização em combinações fixas (30–40% em LTT), qual é o mecanismo imunológico primário que explica a dupla reação à piperacilina/tazobactama no contexto de MDH sequencial, integrando ausência de deficiência regulatória T (Treg normal) e risco de evoluções graves como SJS/TEN em DHR subsequentes?
  1. AReatividade cruzada hapteno-dependente entre fenitoína e betalactâmicos, com expansão policlonal células T CD8+ citotóxica, levando à agranulocitose por apoptose neutrofílica; recomendar evitação de todos os antiepilépticos aromáticos sem testes adicionais.
  2. BAtivação massiva de células T inicial por p-i HLA à fenitoína, resultando em hiperresponsividade persistente (PD-1+/CD38+) que baixa limiar para p-i TCR à piperacilina e tazobactama, sem reatividade cruzada; monitorar linfoblastos circulantes para prever reações futuras.
  3. CDeficiência funcional Treg (CD4+ CD25bright FoxP3+) induzida por reativação viral (HHV-6) em DRESS, facilitando sensibilização hapteno-IgE à tazobactama; priorizar imunossupressores como metotrexato para prevenção de MDH distante.
  4. DFarmacologia não imunológica por inibição COX em combinação, mimetizando intolerância AINE com mastocitose; usar BAT para confirmar ativação basófila não IgE e liberar betalactâmicos após resolução.
  5. EReação autoimune por mimetismo molecular entre epilépticos e betalactâmicos, com autoanticorpos anti-HLA; realizar HLA tipagem (B*15:02) para prever SJS/TEN e optar por dessensitização rápida à piperacilina em cirurgias futuras.
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GabaritoB — Ativação massiva de células T inicial por p-i HLA à fenitoína, resultando em hiperresponsividade persistente (PD-1+/CD38+) que baixa limiar para p-i TCR à piperacilina e tazobactama, sem reatividade cruzada; monitorar linfoblastos circulantes para prever reações futuras.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

DRESS e o conceito de MDH: hiperresponsividade T-cell persistente mediada por p-i

Gabarito: letra B. A dupla reação à piperacilina/tazobactama após DRESS por fenitoína é explicada pela ativação massiva inicial de células T por p-i HLA à fenitoína, que gera uma hiperresponsividade persistente (PD-1+/CD38+) e baixa o limiar para ativação por p-i TCR a outras drogas — sem reatividade cruzada entre elas. O conceito central é o de MDH (Multiple Drug Hypersensitivity), uma síndrome de hiperresponsividade T-cell persistente, distinta de flare-up ou reatividade cruzada.

O DRESS (Drug Reaction with Eosinophilia and Systemic Symptoms) é uma reação de hipersensibilidade tardia, grave e potencialmente fatal, tipicamente associada a fármacos como antiepilépticos aromáticos (fenitoína, carbamazepina, fenobarbital), alopurinol, sulfonamidas e dapsona. O quadro clínico clássico inclui exantema maculopapular extenso, eosinofilia, linfocitose com linfócitos atípicos (linfoblastos circulantes), febre e envolvimento visceral — hepatite, nefrite, pneumonite —, como descrito no caso. O mecanismo imunológico subjacente é a ativação de células T por interação farmacológica direta com moléculas de HLA e TCR, sem necessidade de formação de hapteno — o chamado modelo p-i (pharmacological interaction). A droga se liga de forma não covalente e reversível ao complexo HLA-peptídeo, estimulando clones de células T específicos. Essa ativação massiva inicial leva a uma expansão oligoclonal de células T efetoras e de memória que persistem na circulação por meses, mesmo após a retirada da droga — fenótipo CD4+ CD25dim PD-1+ CD38+ descrito no caso. Essa persistência é a base do conceito de MDH: o sistema imune fica em estado de hiperresponsividade, e a exposição subsequente a uma droga estruturalmente não relacionada pode desencadear uma nova reação grave, por um mecanismo de p-i independente, sem reatividade cruzada. A ausência de deficiência de Treg (CD4+ CD25bright FoxP3+) no caso reforça que o problema não é falha regulatória, mas sim hiperativação persistente. A distinção entre MDH e reatividade cruzada é crucial: na reatividade cruzada, a segunda droga compartilha epítopos estruturais com a primeira (ex.: penicilinas e cefalosporinas); na MDH, as drogas são diferentes e a reação é mediada por clones T distintos, ambos ativados pelo estado de hiperresponsividade. A dupla sensibilização em combinações fixas (30–40% em LTT) é um dado que reforça a MDH: o LTT (teste de transformação linfocitária) positivo para fenitoína, piperacilina e tazobactama indica sensibilização a múltiplas drogas, sem reatividade cruzada entre elas. A agranulocitose no dia 7 de terapia com piperacilina/tazobactama é uma manifestação grave de hipersensibilidade tardia, possivelmente mediada por células T citotóxicas, e não uma reação cruzada com a fenitoína. O risco de evoluções graves como SJS/TEN em DHR subsequentes é real e deve ser monitorado, mas a prevenção não se baseia em evitação de todos os antiepilépticos aromáticos sem testes, nem em dessensibilização rápida, nem em imunossupressão empírica. A conduta correta é reconhecer o mecanismo de MDH, monitorar a persistência da hiperresponsividade (linfoblastos circulantes, fenótipo PD-1+/CD38+) e evitar novas exposições a drogas de alto risco, com testes in vitro (LTT) para orientar escolhas futuras.

A pegadinha central desta questão é a distinção entre MDH e reatividade cruzada. A banca explora a confusão entre esses dois conceitos: na MDH, a segunda reação é a uma droga diferente, sem reatividade cruzada, mas facilitada pelo estado de hiperresponsividade persistente; na reatividade cruzada, a segunda droga compartilha estrutura com a primeira. A alternativa correta (B) captura exatamente isso: ativação massiva inicial por p-i HLA à fenitoína, hiperresponsividade persistente (PD-1+/CD38+) que baixa o limiar para p-i TCR à piperacilina e tazobactama, sem reatividade cruzada. As demais alternativas erram ao invocar reatividade cruzada hapteno-dependente, deficiência de Treg, mecanismo não imunológico ou mimetismo molecular com autoanticorpos.

Critério

MDH (Multiple Drug Hypersensitivity)

Reatividade Cruzada

Relação entre as drogas

Drogas estruturalmente não relacionadas

Drogas compartilham epítopos estruturais

Mecanismo imunológico

Ativação de clones T distintos por p-i, facilitada por hiperresponsividade persistente (PD-1+/CD38+)

Reconhecimento do mesmo epítopo por células T sensibilizadas

Papel do estado imune

Estado de hiperresponsividade persistente (após DRESS) baixa o limiar para nova ativação

Não depende de hiperresponsividade prévia; reação direta ao epítopo compartilhado

Teste in vitro (LTT)

Positivo para múltiplas drogas diferentes (ex.: fenitoína, piperacilina, tazobactama)

Positivo para drogas da mesma classe (ex.: penicilinas e cefalosporinas)

Conduta

Evitar novas drogas de alto risco; monitorar linfoblastos circulantes

Evitar toda a classe de drogas com epítopo comum

1Mecanismo
Ativação massiva por p-i HLA
Hiperresponsividade persistente (PD-1+/CD38+)
Baixo limiar para p-i TCR a outras drogas
2Distinções
Sem reatividade cruzada
Sem deficiência de Treg
Sem mimetismo molecular
3Conduta
Evitar drogas de alto risco
Testes in vitro (LTT)
Monitorar linfoblastos circulantes
MDH (Multiple Drug Hypersensitivity)
LEVELsoulevel.com.br
MDH (Multiple Drug Hypersensitivity): Mecanismo (Ativação massiva por p-i HLA, Hiperresponsividade persistente (PD-1+/CD38+), Baixo limiar para p-i TCR a outras drogas); Distinções (Sem reatividade cruzada, Sem deficiência de Treg, Sem mimetismo molecular); Conduta (Evitar drogas de alto risco, Testes in vitro (LTT), Monitorar linfoblastos circulantes)

Alternativa A — ❌ Incorreta

Afirma reatividade cruzada hapteno-dependente entre fenitoína e betalactâmicos. Isso é falso: fenitoína e betalactâmicos são estruturalmente distintos, e a reação à piperacilina/tazobactama não é por reatividade cruzada, mas por MDH — hiperresponsividade persistente que baixa o limiar para ativação por p-i a outras drogas. Além disso, a fenitoína ativa células T por p-i HLA, não por hapteno. A recomendação de evitar todos os antiepilépticos aromáticos sem testes adicionais é excessiva e não baseada em evidência.

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Descreve corretamente o mecanismo: ativação massiva de células T por p-i HLA à fenitoína, resultando em hiperresponsividade persistente (PD-1+/CD38+) que baixa o limiar para p-i TCR à piperacilina e tazobactama, sem reatividade cruzada. A monitorização de linfoblastos circulantes é uma medida razoável para prever reações futuras, dado o estado de hiperresponsividade persistente.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Afirma deficiência funcional de Treg (CD4+ CD25bright FoxP3+) induzida por reativação viral (HHV-6). O caso explicitamente diz que a Treg é normal. A reativação de HHV-6 é um fenômeno associado ao DRESS, mas não é o mecanismo primário da dupla reação, e a priorização de imunossupressores como metotrexato para prevenção de MDH distante não é conduta estabelecida.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Propõe mecanismo não imunológico por inibição de COX, mimetizando intolerância a AINE. Isso não se aplica: a reação é claramente imunológica (LTT positivo, eosinofilia, linfocitose, agranulocitose). O BAT (teste de ativação de basófilos) não é o teste adequado para reações tardias mediadas por células T, e liberar betalactâmicos após resolução seria arriscado.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Invoca mimetismo molecular entre epilépticos e betalactâmicos com autoanticorpos anti-HLA. Não há evidência de autoanticorpos anti-HLA nesse contexto. A tipagem HLA (B*15:02) é relevante para prever SJS/TEN com carbamazepina em populações asiáticas, mas não é o mecanismo da dupla reação aqui, e a dessensibilização rápida à piperacilina não é indicada em caso de reação grave tardia.

Gabarito: letra B

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