Questão de Medicina — Alergia e Imunologia — FUNDATEC 2026
MedicinaAlergia e Imunologia
- Código
- qg684380
- Banca
- FUNDATEC
- Órgão
- GHC-RS
- Ano
- 2026
- Nível
- Superior
- Cargo
- Médico (Alergia e Imunologia)
Um homem de 45 anos apresenta anafilaxia grave (hipotensão, urticária generalizada, angioedema orofaríngeo e broncoespasmo) 10 minutos após infusão intravenosa de cefazolina perioperatória para cirurgia ortopédica eletiva. História prévia de rash maculopapular não pruriginoso a amoxicilina há 20 anos, sem anafilaxia. Testes laboratoriais durante o episódio mostram triptase sérica elevada (45 ng/mL, normal <11.4), mas IgE específica para penicilina G/V e cefazolina negativa 6 semanas após. Biópsia cutânea revela degranulação de mastócitos sem infiltração eosinofílica. Considerando os mecanismos imunológicos de reações imediatas a betalactâmicos (IgE-dependente vs. não IgE mediada por ativação direta de mastócitos/basófilos) e a necessidade de testes diagnósticos padronizados para evitar diagnóstico errôneo com riscos substanciais (ex.: uso desnecessário de alternativas de amplo espectro), qual é a abordagem diagnóstica mais apropriada para confirmar hipersensibilidade imediata e guiar futura antibioticoterapia, integrando evidências de sensibilidade limitada de testes in vitro/in vivo e padrão-ouro para provocação?
- AIniciar provocação oral gradativa com amoxicilina em ambiente controlado após testes cutâneos negativos, como padrão-ouro para confirmação, dado que testes in vitro têm baixa sensibilidade em reações imediatas e há o risco de diagnóstico errôneo sem provocação.
- BRealizar teste cutâneo intradérmico com cefazolina diluída, seguido de IgE específica para cefalosporinas; se negativos, considerar reação não imunológica e liberar uso de betalactâmicos sem provocação, pois triptase elevada sugere ativação mastocitária não-IgE.
- CDosar anticorpos anti-FcεRI e anti-IgE para diferenciar anafilaxia autoimune; se positivos, evitar todos os betalactâmicos perpetuamente, sem necessidade de provocação devido ao mecanismo não dependente da droga.
- DRealizar teste de ativação de basófilos (BAT) com cefazolina in vitro como teste primário, pois é mais sensível que IgE específica em reações não IgE mediadas, e, se negativo, prosseguir com dessensibilização rápida para cefazolina em futuras cirurgias.
- EMonitorar triptase seriada pós-evento e repetir IgE específica em 6 meses; se normalizada, atribuir a reação idiossincrática farmacológica não imunológica, liberando cefalosporinas de primeira geração sem testes adicionais.