Questão de Medicina — Alergia e Imunologia — FUNDATEC 2026
Medicina›Alergia e Imunologia
Código
qg684384
Banca
FUNDATEC
Órgão
GHC-RS
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico (Alergia e Imunologia)
Um paciente de 42 anos com asma grave de início na idade adulta (aos 35 anos), sem polipose nasal ou alergia perene comprovada, apresenta controle inadequado apesar de glicocorticoide inalatório em alta dose associado a beta-agonista de ação prolongada e antagonista muscarínico de ação prolongada (passo 5 GINA). Os biomarcadores incluem contagem de eosinófilos no sangue periférico (BEC) de 220 células/µL, fração de óxido nítrico exalado (FeNO) de 35 ppb e IgE total de 120 UI/mL. Não há histórico de aspergilose broncopulmonar alérgica ou granulomatose eosinofílica com poliangeíte. Considerando os critérios para seleção de biológicos em asma grave não dependente de glicocorticoides orais crônicos, integrando fenótipos inflamatórios tipo 2, evidências de eficácia em subpopulações eosinofílicas e preferências por autoadministração, qual é o biológico inicial mais apropriado?
AOmalizumabe, pois o IgE total está dentro da faixa-alvo e pode modular respostas alérgicas mesmo sem sensibilização perene comprovada.
BMepolizumabe, dado o BEC moderadamente elevado, com preferência por anti-IL-5 em fenótipos eosinofílicos sem elevação marcada de FeNO.
CDupilumabe, uma vez que o BEC entre 150-300 células/µL e FeNO ≥25 ppb indicam inflamação tipo 2 mista, com evidência superior em redução de exacerbações nesse perfil.
DTezepelumabe, recomendado para fenótipos com BEC e FeNO baixos a moderados, independentemente de vias tipo 2, priorizando pacientes sem eosinofilia proeminente.
EBenralizumabe, preferível por sua ação em receptores IL-5 com depleção eosinofílica rápida, especialmente em adultos com BEC acima de 150 células/µL e histórico de exacerbações.
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GabaritoC — Dupilumabe, uma vez que o BEC entre 150-300 células/µL e FeNO ≥25 ppb indicam inflamação tipo 2 mista, com evidência superior em redução de exacerbações nesse perfil.
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Asma grave e seleção de biológicos: fenótipos T2 e critérios de elegibilidade
Gabarito: letra C. O paciente apresenta asma grave não controlada em passo 5 do GINA, com BEC de 220 células/µL e FeNO de 35 ppb, configurando inflamação tipo 2 (T2) mista (eosinofílica e não eosinofílica). O dupilumabe, anticorpo monoclonal anti-receptor de IL-4/IL-13, é o biológico mais apropriado nesse cenário, pois atua na via T2 de forma mais ampla, com evidência de redução de exacerbações em pacientes com BEC entre 150-300 células/µL e FeNO ≥ 25 ppb, além de ser autoadministrável. A escolha se baseia nos critérios de elegibilidade do Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas (PCDT) do Ministério da Saúde para asma grave, que priorizam a fenotipagem T2 e a resposta esperada aos biológicos.
A asma grave é definida como aquela que permanece não controlada apesar do tratamento otimizado com altas doses de corticoide inalatório associado a um LABA, ou que requer corticoide oral para manter o controle. No paciente em questão, o uso de passo 5 do GINA (CI alta dose + LABA + LAMA) sem controle adequado confirma o diagnóstico de asma grave. A fenotipagem é essencial para a escolha do biológico, e os biomarcadores T2 (IgE, eosinófilos no sangue periférico e FeNO) são os principais indicadores de inflamação T2 alta.
O fenótipo T2 alto é caracterizado por inflamação eosinofílica e/ou alérgica, mediada por citocinas como IL-4, IL-5 e IL-13. A IL-5 é crucial para a diferenciação, ativação e sobrevivência dos eosinófilos, enquanto a IL-4 e a IL-13 estão envolvidas na produção de IgE e na hiperresponsividade brônquica. Os biológicos disponíveis para asma grave atuam em diferentes alvos dessa via: omalizumabe (anti-IgE), mepolizumabe (anti-IL-5), benralizumabe (anti-receptor de IL-5), dupilumabe (anti-receptor de IL-4/IL-13) e tezepelumabe (anti-TSLP).
A escolha do biológico deve considerar os critérios de elegibilidade do PCDT, que incluem valores específicos de biomarcadores. Para o omalizumabe, exige-se asma alérgica grave com IgE total entre 30 e 1.500 UI/mL e confirmação de atopia. Para o mepolizumabe, exige-se asma eosinofílica grave com BEC ≥ 300 células/µL (adultos) ou ≥ 150 células/µL (em uso de corticoide oral). Para o benralizumabe, exige-se BEC ≥ 300 células/µL (adultos) ou ≥ 150 células/µL (em uso de corticoide oral). Para o dupilumabe, exige-se asma alérgica grave com fenótipo T2 alto, pelo menos uma exacerbação grave no ano anterior e confirmação de alergia mediada por IgE (IgE específica positiva ou IgE total ≥ 30 UI/mL). O tezepelumabe é indicado para asma grave independentemente do fenótipo T2, mas geralmente é reservado para casos sem resposta a outros biológicos.
No caso apresentado, o paciente tem BEC de 220 células/µL, FeNO de 35 ppb e IgE total de 120 UI/mL, sem polipose nasal ou alergia perene comprovada. O BEC de 220 células/µL não atinge o limiar de 300 células/µL exigido para mepolizumabe e benralizumabe em adultos sem uso de corticoide oral. O FeNO de 35 ppb indica inflamação T2 alta, e o IgE total de 120 UI/mL está dentro da faixa para omalizumabe, mas a ausência de sensibilização alérgica comprovada (teste cutâneo ou IgE específica positiva) contraindica seu uso. O dupilumabe, por sua vez, é indicado para pacientes com fenótipo T2 alto, mesmo sem alergia comprovada, e o BEC entre 150-300 células/µL com FeNO ≥ 25 ppb é um perfil que se beneficia de seu uso, com evidência de redução de exacerbações. Além disso, o dupilumabe é autoadministrável, o que atende à preferência do paciente.
A pegadinha desta questão está em considerar o BEC de 220 células/µL como suficiente para anti-IL-5 (mepolizumabe ou benralizumabe), quando o limiar para adultos sem corticoide oral é de 300 células/µL. O dupilumabe, por outro lado, tem critérios mais flexíveis, incluindo BEC ≥ 150 células/µL e FeNO ≥ 25 ppb, e não exige confirmação de atopia, sendo a escolha mais adequada para este perfil de inflamação T2 mista.
Critério
Omalizumabe (A)
Mepolizumabe (B)
Dupilumabe (C)
Tezepelumabe (D)
Benralizumabe (E)
Alvo biológico
Anti-IgE
Anti-IL-5
Anti-receptor de IL-4/IL-13
Anti-TSLP
Anti-receptor de IL-5
Critério de elegibilidade (PCDT)
Asma alérgica grave com atopia comprovada (IgE específica positiva ou teste cutâneo) e IgE total 30–1.500 UI/mL
Asma eosinofílica grave com BEC ≥ 300 células/µL (adultos sem corticoide oral)
Asma grave com fenótipo T2 alto, ≥1 exacerbação grave no ano anterior e IgE total ≥ 30 UI/mL (não exige atopia comprovada)
Asma grave independente do fenótipo T2 (reservado para casos sem resposta a outros biológicos)
Asma eosinofílica grave com BEC ≥ 300 células/µL (adultos sem corticoide oral)
Enquadramento do paciente (BEC 220, FeNO 35, IgE 120, sem atopia)
Não elegível (sem sensibilização alérgica comprovada)
Não prioritário (biomarcadores T2 elevados; reservado para T2 baixo ou falha prévia)
Não elegível (BEC < 300 células/µL)
Via de administração
Subcutânea (não autoadministrável)
Subcutânea (não autoadministrável)
Subcutânea (autoadministrável)
Subcutânea (não autoadministrável)
Subcutânea (não autoadministrável)
Biológicos na asma grave (PCDT): Omalizumabe (anti-IgE) (Exige atopia comprovada, IgE total 30–1.500 UI/mL); Mepolizumabe (anti-IL-5) (BEC ≥ 300 (adulto sem corticoide oral)); Benralizumabe (anti-receptor IL-5) (BEC ≥ 300 (adulto sem corticoide oral)); Dupilumabe (anti-receptor IL-4/13) (BEC ≥ 150 e FeNO ≥ 25 ppb, Não exige atopia comprovada); Tezepelumabe (anti-TSLP) (Independente do fenótipo T2, Reservado após falha de outros)
Alternativa A — ❌ Incorreta
O omalizumabe é um anti-IgE indicado para asma alérgica grave com confirmação de atopia (teste cutâneo positivo ou IgE específica positiva para aeroalérgeno). O paciente não tem alergia perene comprovada, e o IgE total de 120 UI/mL, embora dentro da faixa-alvo (30-1.500 UI/mL), não é suficiente para indicar o omalizumabe sem evidência objetiva de sensibilização alérgica. A alternativa erra ao afirmar que o omalizumabe pode modular respostas alérgicas mesmo sem sensibilização comprovada, pois o PCDT exige confirmação de alergia mediada por IgE.
Alternativa B — ❌ Incorreta
O mepolizumabe é um anti-IL-5 indicado para asma eosinofílica grave com BEC ≥ 300 células/µL em adultos sem uso de corticoide oral. O paciente tem BEC de 220 células/µL, abaixo do limiar, portanto não é elegível para mepolizumabe. A alternativa erra ao considerar o BEC moderadamente elevado como suficiente, ignorando o ponto de corte de 300 células/µL estabelecido no PCDT.
Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO
O dupilumabe é um anticorpo monoclonal anti-receptor de IL-4/IL-13, que bloqueia a via T2 de forma mais ampla, incluindo a produção de IgE e a inflamação eosinofílica. O paciente tem BEC de 220 células/µL (entre 150-300) e FeNO de 35 ppb (≥ 25 ppb), indicando inflamação T2 mista. O dupilumabe é indicado para asma grave com fenótipo T2 alto, mesmo sem alergia comprovada, e tem evidência de redução de exacerbações nesse perfil. Além disso, é autoadministrável, atendendo à preferência do paciente. A alternativa está correta ao integrar os biomarcadores e a evidência de eficácia.
Alternativa D — ❌ Incorreta
O tezepelumabe é um anti-TSLP indicado para asma grave independentemente do fenótipo T2, mas geralmente é reservado para pacientes sem resposta a outros biológicos ou com biomarcadores T2 baixos. O paciente tem biomarcadores T2 elevados (BEC 220, FeNO 35), portanto não é o perfil prioritário para tezepelumabe. A alternativa erra ao afirmar que é recomendado para fenótipos com BEC e FeNO baixos a moderados, pois o paciente tem FeNO elevado e BEC moderado, e o tezepelumabe não é a primeira escolha nesse cenário.
Alternativa E — ❌ Incorreta
O benralizumabe é um anti-receptor de IL-5 que causa depleção eosinofílica rápida, indicado para asma eosinofílica grave com BEC ≥ 300 células/µL em adultos sem uso de corticoide oral. O paciente tem BEC de 220 células/µL, abaixo do limiar, portanto não é elegível para benralizumabe. A alternativa erra ao afirmar que é preferível para BEC acima de 150 células/µL, pois o PCDT exige BEC ≥ 300 células/µL para adultos sem corticoide oral.