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Questão de Medicina — Alergia e Imunologia — FUNDATEC 2026

MedicinaAlergia e Imunologia
Código
qg684390
Banca
FUNDATEC
Órgão
GHC-RS
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico (Alergia e Imunologia)
No manejo da urticária crônica espontânea durante a gravidez, qual das seguintes abordagens farmacológicas iniciais é mais apropriada, considerando a segurança materna e fetal?
  1. AIniciar omalizumabe como terapia de primeira linha, pois dados humanos preliminares indicam segurança superior aos anti-histamínicos orais.
  2. BRecomendar doses elevadas de cetirizina isoladamente, uma vez que é o anti-histamínico preferencial em gestantes devido à sua cinética favorável.
  3. CSugerir loratadina, cetirizina ou fexofenadina em doses padrão ou mais altas, se necessário, como opções iniciais de tratamento.
  4. DPrescrever prednisona oral imediatamente para controle de surtos graves, independentemente do trimestre gestacional.
  5. EEvitar anti-histamínicos orais e optar por ciclosporina, que modula a resposta imune sem riscos teratogênicos comprovados.
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GabaritoC — Sugerir loratadina, cetirizina ou fexofenadina em doses padrão ou mais altas, se necessário, como opções iniciais de tratamento.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Urticária crônica espontânea na gestação: abordagem farmacológica

Gabarito: letra C. No manejo da urticária crônica espontânea (UCE) durante a gravidez, a abordagem inicial mais apropriada é o uso de anti-histamínicos de segunda geração (loratadina, cetirizina ou fexofenadina) em doses padrão ou, se necessário, doses mais altas, pois são considerados seguros e são a primeira linha de tratamento, conforme diretrizes de alergia e imunologia. As demais alternativas propõem terapias que não são de primeira linha ou apresentam riscos potenciais.

A urticária crônica espontânea é definida pela presença de pápulas (urticas), angioedema ou ambos por mais de seis semanas, sem um gatilho identificável. Durante a gestação, o manejo exige equilíbrio entre o controle dos sintomas maternos e a segurança fetal. A primeira linha de tratamento, tanto em gestantes quanto na população geral, são os anti-histamínicos de segunda geração (não sedativos), como loratadina, cetirizina e fexofenadina. Esses medicamentos têm perfil de segurança bem estabelecido na gestação, sendo preferidos aos de primeira geração (sedativos) devido à menor incidência de efeitos colaterais e à ausência de associação com malformações. As diretrizes da EAACI/GA2LEN/EDF/WAO e de sociedades de alergia recomendam que, se a dose padrão não for suficiente, a dose possa ser aumentada (até quatro vezes) para controle dos sintomas, mesmo na gestação, sempre com acompanhamento médico.

O omalizumabe, anticorpo monoclonal anti-IgE, é uma opção para UCE refratária a anti-histamínicos, mas não é primeira linha. Embora dados preliminares em humanos não mostrem aumento de malformações, a experiência é limitada e seu uso na gestação deve ser reservado para casos selecionados, quando os benefícios superam os riscos. A ciclosporina, imunossupressor, também é uma terapia de segunda/terceira linha, com perfil de segurança menos favorável na gestação, associada a risco de baixo peso ao nascer e prematuridade, não sendo indicada como opção inicial. Corticoides sistêmicos, como a prednisona, podem ser usados em surtos graves por curto período, mas não como primeira linha, devido ao risco de complicações maternas (hiperglicemia, hipertensão) e fetais (baixo peso, prematuridade) com uso prolongado ou em altas doses, especialmente no primeiro trimestre.

A alternativa C está correta porque reflete exatamente a recomendação das diretrizes: iniciar com anti-histamínico de segunda geração em dose padrão ou aumentada, se necessário. A alternativa A erra ao colocar o omalizumabe como primeira linha, quando ele é reservado para casos refratários. A alternativa B erra ao recomendar "doses elevadas" de cetirizina "isoladamente" como preferencial, sem mencionar as outras opções igualmente válidas e sem justificar a superioridade. A alternativa D erra ao indicar prednisona imediatamente, sem tentar anti-histamínicos e sem considerar os riscos. A alternativa E erra ao evitar anti-histamínicos e optar por ciclosporina, que é uma terapia de segunda linha com riscos conhecidos.

A pegadinha central desta questão é a hierarquia terapêutica: a banca tenta confundir o candidato oferecendo opções que são válidas em contextos específicos (omalizumabe para refratários, corticoide para surtos graves, ciclosporina para casos graves) como se fossem primeira linha. O candidato deve lembrar que, na UCE, a primeira linha é sempre o anti-histamínico de segunda geração, e as demais são escalonadas conforme a resposta.

Urticária crônica espontânea na gestação
  • 11ª linha: anti-histamínico 2ª geração
    • Loratadina, cetirizina, fexofenadina
    • Dose padrão ou aumentada (até 4x)
    • Seguros na gestação
  • 22ª linha: omalizumabe
    • Anti-IgE, casos refratários
    • Experiência limitada na gestação
  • 33ª linha: ciclosporina
    • Imunossupressor, casos graves
    • Riscos: baixo peso, prematuridade
  • 4Surtos graves: corticoide sistêmico
    • Uso curto, não é 1ª linha
    • Riscos: hiperglicemia, hipertensão, baixo peso
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Alternativa A — ❌ Incorreta

O omalizumabe é um anticorpo monoclonal anti-IgE aprovado para UCE refratária a anti-histamínicos. Embora dados preliminares em humanos não mostrem aumento de malformações, a experiência é limitada e a segurança não é "superior" aos anti-histamínicos. As diretrizes recomendam anti-histamínicos como primeira linha; o omalizumabe é uma opção para casos não controlados, não devendo ser iniciado como terapia inicial, especialmente na gestação, onde a prudência é maior.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A cetirizina é um anti-histamínico de segunda geração válido, mas a alternativa erra ao recomendar "doses elevadas" como primeira escolha e ao afirmar que é o "preferencial" devido à cinética favorável. Não há evidência de que a cetirizina seja superior à loratadina ou fexofenadina na gestação. A recomendação é iniciar com dose padrão e aumentar se necessário, não iniciar já com doses elevadas. Além disso, a escolha entre os anti-histamínicos de segunda geração deve considerar a resposta individual e a tolerabilidade, não uma suposta superioridade cinética.

Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Esta alternativa reflete a recomendação das diretrizes de alergia: iniciar com anti-histamínico de segunda geração (loratadina, cetirizina ou fexofenadina) em dose padrão ou, se necessário, doses mais altas. Esses medicamentos são considerados seguros na gestação, com vasta experiência de uso e baixo risco de malformações. A possibilidade de aumentar a dose é uma estratégia recomendada para controle dos sintomas quando a dose padrão é insuficiente, sempre sob orientação médica.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A prednisona oral é um corticoide sistêmico que pode ser usado em surtos graves de urticária, mas não como primeira linha. O uso de corticoides na gestação, especialmente no primeiro trimestre e em doses elevadas ou por período prolongado, está associado a riscos como baixo peso ao nascer, prematuridade e aumento do risco de fissuras orais (com uso no primeiro trimestre). A abordagem inicial deve ser com anti-histamínicos; corticoides são reservados para casos refratários ou exacerbações graves, por curto período e com cautela.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A ciclosporina é um imunossupressor usado em UCE grave refratária, mas não é primeira linha e não é isenta de riscos na gestação. Estudos associam seu uso a maior risco de baixo peso ao nascer, prematuridade e hipertensão materna. A alternativa erra ao sugerir evitar anti-histamínicos, que são a base do tratamento, e ao apresentar a ciclosporina como opção inicial, quando ela é uma terapia de terceira linha, reservada para casos muito graves e refratários, com monitorização rigorosa.

Gabarito: letra C

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