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Questão de Medicina — Alergia e Imunologia — FUNDATEC 2026

MedicinaAlergia e Imunologia
Código
qg684393
Banca
FUNDATEC
Órgão
GHC-RS
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico (Alergia e Imunologia)
Paciente com conjuntivite alérgica sazonal refratária não respondeu adequadamente a três semanas de terapia consistente com um anti-histamínico tópico com propriedades estabilizadoras de mastócitos e apresenta sintomas oculares graves persistentes sem evidência de olho seco concomitante ou conjuntivite tóxica. A partir desse quadro, qual é a abordagem terapêutica mais apropriada, considerando os riscos potenciais e a necessidade de supervisão especializada?
  1. AIniciar imediatamente imunoterapia sublingual (SLIT) com extratos alergênicos, sem necessidade de referência a oftalmologista, pois a imunoterapia modula a resposta imune de forma semipermanente e é superior aos corticosteroides tópicos em casos refratários.
  2. BPrescrever um curso curto de corticosteroides tópicos “soft” como loteprednol, com duração máxima de duas semanas, sob supervisão de oftalmologista, e considerar referência simultânea a alergista para identificação de alérgenos e possível imunoterapia alergênica.
  3. CSubstituir o anti-histamínico tópico por AINEs tópicos como cetorolaco, uma vez que eles inibem a conversão de ácido araquidônico em prostaglandinas, oferecendo alívio superior em inflamação ocular refratária sem riscos de elevação da pressão intraocular.
  4. DRecomendar o uso prolongado de descongestionantes/vasoconstritores tópicos combinados com anti-histamínicos orais não sedativos, como fexofenadina, para controlar a hiperemia e o prurido, evitando corticosteroides devido ao risco de perfuração corneana.
  5. EIniciar ciclosporina tópica off label em concentrações variadas, sem supervisão oftalmológica, pois ensaios randomizados demonstram sua superioridade aos corticosteroides em modular a inflamação crônica sem riscos.
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GabaritoB — Prescrever um curso curto de corticosteroides tópicos “soft” como loteprednol, com duração máxima de duas semanas, sob supervisão de oftalmologista, e considerar referência simultânea a alergista para identificação de alérgenos e possível imunoterapia alergênica.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Conjuntivite alérgica refratária: abordagem terapêutica

Gabarito: letra B. Em conjuntivite alérgica grave refratária ao tratamento tópico inicial, a conduta apropriada é um curso curto de corticoide tópico "soft" (como loteprednol), com duração máxima de duas semanas, sob supervisão oftalmológica, associado à referência ao alergista para investigação etiológica e possível imunoterapia. Essa abordagem equilibra eficácia anti-inflamatória e segurança ocular, evitando os riscos de uso prolongado de corticosteroides e de outras classes sem evidência robusta.

A conjuntivite alérgica é uma inflamação da conjuntiva mediada por hipersensibilidade, tipicamente do tipo I (IgE), desencadeada por alérgenos ambientais como pólen, ácaros e pelos. O quadro clássico inclui prurido intenso, hiperemia, quemose (edema conjuntival) e lacrimejamento, frequentemente associado a rinite alérgica. O tratamento escalonado começa com medidas não farmacológicas (compressas frias, evitar alérgenos, lubrificantes) e evolui para anti-histamínicos tópicos com estabilizadores de mastócitos (olopatadina, azelastina, cetotifeno), que são a primeira linha para casos leves a moderados. Quando o paciente não responde adequadamente após algumas semanas, como no caso descrito, o próximo passo é considerar anti-inflamatórios mais potentes, como corticosteroides tópicos, mas com cautela.

O uso de corticosteroides tópicos oculares é eficaz, porém carrega riscos significativos: elevação da pressão intraocular (podendo desencadear glaucoma), formação de catarata, e aumento da suscetibilidade a infecções, incluindo herpes simples. Por isso, a orientação é restringir seu uso a cursos curtos (geralmente até duas semanas) e sempre sob supervisão de um oftalmologista, que pode monitorar a pressão intraocular e a integridade corneana. Corticosteroides "soft" como o loteprednol foram desenvolvidos para minimizar esses riscos, sendo metabolizados rapidamente no olho, mas ainda assim exigem acompanhamento especializado. A referência simultânea ao alergista é fundamental para identificar os alérgenos responsáveis (por teste cutâneo ou IgE específica) e avaliar a indicação de imunoterapia alergênica, que pode modificar a história natural da doença, reduzindo a necessidade de medicações sintomáticas a longo prazo.

A imunoterapia (sublingual ou subcutânea) é uma ferramenta valiosa na doença alérgica respiratória e ocular, mas não é a primeira escolha no manejo agudo de um quadro refratário grave. Ela atua modulando a resposta imune a longo prazo, com efeito que se estabelece ao longo de meses, e não substitui o controle imediato da inflamação. Além disso, seu início não deve ser feito sem avaliação especializada, e não é isenta de riscos, incluindo reações locais e, raramente, anafilaxia. Portanto, a sequência lógica é: controlar a crise com corticoide tópico sob supervisão, e em paralelo, investigar e tratar a causa alérgica de base.

Outras opções terapêuticas, como AINEs tópicos, descongestionantes e imunossupressores, têm papéis limitados ou riscos que as tornam inadequadas como primeira linha nesse cenário. AINEs tópicos (cetorolaco) podem ajudar no prurido e na inflamação leve, mas não são superiores aos corticosteroides em casos graves e não são isentos de efeitos adversos (como ceratite). Descongestionantes/vasoconstritores tópicos são apenas sintomáticos, com risco de conjuntivite medicamentosa e taquifilaxia se usados por tempo prolongado. Ciclosporina tópica é uma opção para casos crônicos graves, como ceratoconjuntivite vernal, mas seu uso off label sem supervisão é inapropriado, e não há evidência de superioridade sobre corticosteroides no manejo agudo.

A pegadinha central desta questão é a tentação de escolher uma alternativa que parece "mais definitiva" (como imunoterapia ou ciclosporina) sem considerar a necessidade de controle agudo e a segurança. A banca explora o conhecimento de que corticosteroides tópicos são eficazes, mas também o receio de seus efeitos colaterais, levando o candidato a descartá-los precocemente. A alternativa correta reconhece o papel do corticoide "soft" em curso curto, com a devida supervisão, e integra a abordagem multidisciplinar com o alergista.

Critério

Alternativa A (SLIT imediata)

Alternativa B (Corticoide "soft" + alergista)

Alternativa C (AINEs tópicos)

Alternativa D (Descongestionantes + anti-histamínico oral)

Alternativa E (Ciclosporina off label)

Controle da inflamação aguda

Inadequado (efeito a longo prazo)

Adequado (curso curto de corticoide)

Limitado (eficácia inferior em casos graves)

Inadequado (apenas sintomático)

Inadequado (sem evidência no manejo agudo)

Supervisão especializada

Ausente (sem referência ao oftalmologista)

Presente (supervisão oftalmológica + alergista)

Não especificada

Não especificada

Ausente (off label sem supervisão)

Riscos potenciais

Reações locais, anafilaxia (rara)

Elevação da PIO, catarata (monitorados em curso curto)

Ceratite, queimação

Conjuntivite medicamentosa, taquifilaxia

Irritação, infecções (sem monitoramento)

Papel na terapia de longo prazo

Modula resposta imune (complementar)

Referência ao alergista para possível imunoterapia

Nenhum

Nenhum

Possível em casos crônicos, mas não no agudo

Adequação ao caso refratário grave

Incorreta (não resolve o quadro agudo)

Correta (gabarito)

Incorreta (eficácia inferior)

Incorreta (risco de rebote)

Incorreta (sem supervisão e evidência)

Conjuntivite alérgica refratária
  • 1Tratamento escalonado
    • 1ª linha: anti-histamínico + estabilizador
    • 2ª linha: corticoide tópico "soft"
      • curso curto (≤ 2 semanas)
      • supervisão oftalmológica
    • 3ª linha: imunoterapia (alergista)
  • 2Riscos do corticoide tópico
    • Glaucoma (pressão intraocular)
    • Catarata
    • Infecções (herpes)
  • 3Opções inadequadas
    • AINEs tópicos (eficácia limitada)
    • Descongestionantes (rebote)
    • Ciclosporina off label (sem supervisão)
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Alternativa A — ❌ Incorreta

Iniciar imunoterapia sublingual imediatamente, sem referência ao oftalmologista, é inadequado. A imunoterapia é uma terapia de longo prazo, que não resolve a inflamação aguda refratária, e seu início requer avaliação especializada para identificar os alérgenos e monitorar riscos. Além disso, não é superior aos corticosteroides tópicos no controle imediato de um quadro grave; são abordagens complementares, não substitutas.

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Esta alternativa está correta porque propõe o uso de corticoide tópico "soft" (loteprednol) por um curso curto (máximo duas semanas), sob supervisão de oftalmologista, o que é a conduta recomendada para conjuntivite alérgica grave refratária. A supervisão é essencial para monitorar pressão intraocular e complicações. A referência simultânea ao alergista para identificação de alérgenos e possível imunoterapia é a abordagem completa e adequada, tratando tanto o sintoma agudo quanto a causa de base.

Alternativa C — ❌ Incorreta

AINEs tópicos como cetorolaco não são superiores aos corticosteroides em inflamação ocular refratária grave. Embora inibam a ciclo-oxigenase e reduzam prostaglandinas, seu efeito anti-inflamatório é mais limitado, e não são isentos de riscos (podem causar ceratite, sensação de queimação). A afirmação de que não há riscos de elevação da pressão intraocular é verdadeira, mas isso não os torna a melhor escolha; a eficácia inferior é o ponto decisivo.

Alternativa D — ❌ Incorreta

O uso prolongado de descongestionantes/vasoconstritores tópicos é contraindicado pelo risco de conjuntivite medicamentosa (hiperemia de rebote) e taquifilaxia. Eles são apenas sintomáticos e não tratam a inflamação alérgica subjacente. A alternativa também evita corticosteroides por medo de perfuração corneana, mas esse risco é mais associado ao uso prolongado e sem supervisão, não a um curso curto sob acompanhamento. A conduta proposta não é adequada para um caso grave refratário.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Iniciar ciclosporina tópica off label sem supervisão oftalmológica é inapropriado. Embora a ciclosporina seja usada em casos crônicos graves (como ceratoconjuntivite vernal), não há evidência de superioridade sobre corticosteroides no manejo agudo, e seu uso off label requer acompanhamento especializado para monitorar efeitos adversos (como irritação, infecções). A falta de supervisão é um erro grave, pois qualquer terapia ocular potente deve ser monitorada.

Gabarito: letra B

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