Questão de Medicina — Alergia e Imunologia — FUNDATEC 2026
Medicina›Alergia e Imunologia
Código
qg684394
Banca
FUNDATEC
Órgão
GHC-RS
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico (Alergia e Imunologia)
No contexto da dermatite atópica, sobre o microbioma cutâneo, assinale a alternativa correta.
AEstafilococos coagulase-negativos não patogênicos produzem peptídeos antimicrobianos que inibem o crescimento de Staphylococcus aureus patogênico, e essas cepas protetoras estão deficientes na dermatite atópica.
BA disbiose cutânea na dermatite atópica é primariamente causada por um aumento excessivo de fungos como Candida albicans, levando à inflamação crônica.
CO microbioma cutâneo na dermatite atópica promove a produção excessiva de defensinas beta, o que agrava a barreira epitelial danificada.
DA aplicação de petrolato na pele afetada pela dermatite atópica reduz a concentração de peptídeos antimicrobianos, exacerbando a suscetibilidade a infecções.
EA microbiota cutânea em pacientes com dermatite atópica é caracterizada por uma diversidade aumentada de bactérias Gram-negativas, que modulam favoravelmente a homeostase imune.
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GabaritoA — Estafilococos coagulase-negativos não patogênicos produzem peptídeos antimicrobianos que inibem o crescimento de Staphylococcus aureus patogênico, e essas cepas protetoras estão deficientes na dermatite atópica.
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Dermatite atópica e o microbioma cutâneo
Gabarito: letra A. Na dermatite atópica, a disbiose cutânea é marcada pela redução de estafilococos coagulase-negativos comensais que produzem peptídeos antimicrobianos (como as lantibióticas) capazes de inibir o Staphylococcus aureus patogênico — exatamente o que a alternativa A descreve. As demais alternativas invertem ou distorcem o papel do microbioma nessa doença.
A dermatite atópica (DA) é uma doença inflamatória crônica da pele, de base genética e imunológica, cuja fisiopatologia envolve três pilares interligados: (1) disfunção da barreira cutânea, (2) resposta imune aberrante (predominância Th2) e (3) disbiose do microbioma cutâneo. O microbioma cutâneo é o conjunto de microrganismos (bactérias, fungos, vírus) que colonizam a pele de forma comensal. Em condições normais, essa comunidade exerce proteção contra patógenos por vários mecanismos: competição por nutrientes e sítios de adesão, produção de substâncias antimicrobianas e modulação da resposta imune local.
Na pele saudável, os estafilococos coagulase-negativos (como Staphylococcus epidermidis, S. hominis e S. lugdunensis) são os colonizadores dominantes. Essas cepas comensais produzem peptídeos antimicrobianos (AMPs) — incluindo as lantibióticas — que inibem seletivamente o crescimento de Staphylococcus aureus, o principal patógeno associado à DA. Na dermatite atópica, ocorre uma disbiose: há redução da diversidade microbiana, com diminuição dos estafilococos coagulase-negativos protetores e aumento da colonização por *S. aureus. Esse desequilíbrio contribui para a inflamação crônica, pois o *S. aureus atua como superantígeno, estimulando células T e agravando a doença. A alternativa A captura precisamente esse mecanismo: as cepas protetoras estão deficientes na DA.
A alternativa B erra ao atribuir a disbiose primariamente a um aumento de Candida albicans. Embora fungos possam estar presentes na pele atópica, o principal agente microbiano implicado na patogênese é o S. aureus (bactéria), não a Candida. A alternativa C inverte a relação: na DA, há redução de peptídeos antimicrobianos (como as defensinas beta e as catelicidinas) na pele lesada, e não produção excessiva — essa redução contribui para a suscetibilidade a infecções. A alternativa D afirma que o petrolato reduz a concentração de peptídeos antimicrobianos, o que é incorreto: o petrolato é um emoliente que restaura a barreira cutânea e não tem efeito direto de redução de AMPs. A alternativa E afirma que há diversidade aumentada de Gram-negativas, mas o oposto é verdadeiro: na DA há redução da diversidade microbiana e predomínio de S. aureus (Gram-positivo), não aumento de Gram-negativas.
A pegadinha central desta questão é a inversão de papéis: a banca troca o microrganismo protetor pelo patogênico, inverte o sentido da produção de peptídeos antimicrobianos e da diversidade microbiana. O candidato que memoriza apenas que "há disbiose na DA" sem entender quem diminui e quem aumenta tende a errar. O critério decisivo é: na DA, diminuem os comensais protetores (estafilococos coagulase-negativos) e aumenta o patógeno *S. aureus* — é essa assimetria que separa a alternativa correta das incorretas.
Microbioma cutâneo na DA: Pele saudável (CoNS protetores (S. epidermidis, S. hominis), Produzem AMPs (lantibióticas), Inibem S. aureus); Disbiose na DA (↓ CoNS protetores, ↑ S. aureus (superantígeno), ↓ AMPs (defensinas β, catelicidinas), ↓ Diversidade microbiana); Papel do petrolato (Restaura barreira cutânea, Não reduz AMPs)
Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A alternativa descreve com precisão o mecanismo de proteção do microbioma cutâneo na DA: os estafilococos coagulase-negativos comensais produzem peptídeos antimicrobianos (lantibióticas) que inibem o S. aureus patogênico, e essas cepas protetoras estão deficientes na dermatite atópica. Isso está alinhado com a literatura: a disbiose na DA é caracterizada pela perda desses comensais protetores e pelo aumento da colonização por S. aureus, que piora a inflamação.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Afirma que a disbiose é primariamente causada por aumento de Candida albicans. O principal agente microbiano implicado na patogênese da DA é o Staphylococcus aureus (bactéria Gram-positiva), não a Candida. Embora fungos possam estar presentes, não são o fator primário da disbiose. A banca troca o agente bacteriano pelo fúngico.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Afirma que o microbioma promove produção excessiva de defensinas beta, agravando a barreira. Na DA, ocorre o oposto: há redução dos peptídeos antimicrobianos (defensinas beta e catelicidinas) na pele lesada, o que contribui para a suscetibilidade a infecções. A produção excessiva não é o mecanismo; a deficiência é que agrava o quadro.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Afirma que o petrolato reduz a concentração de peptídeos antimicrobianos. O petrolato é um emoliente que restaura a barreira cutânea, reduzindo a perda de água transepidérmica e melhorando a função do estrato córneo. Não há evidência de que reduza AMPs; pelo contrário, ao restaurar a barreira, pode indiretamente favorecer a recuperação da pele.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Afirma que há diversidade aumentada de bactérias Gram-negativas. Na DA, há redução da diversidade microbiana e predomínio de S. aureus (Gram-positivo), não aumento de Gram-negativas. A diversidade reduzida é um marcador de disbiose, e o aumento de Gram-negativas não é característico da DA.
NÃO CAIA NESSA!
A banca inverte os polos da disbiose: troca o comensal protetor pelo patógeno, inverte a produção de peptídeos antimicrobianos (diz "excesso" quando é "deficiência") e inverte a diversidade microbiana (diz "aumentada" quando é "reduzida"). O candidato que decora apenas "há disbiose" sem saber quem diminui e quem aumenta cai nas alternativas B, C e E. Lembre-se: na DA, diminuem os estafilococos coagulase-negativos protetores e aumenta o *S. aureus* — essa é a chave.
PEGA ESSA DICA!
Para questões de microbioma na dermatite atópica, monte mentalmente o quadro: comensais protetores (CoNS) ↓ · S. aureus ↑ · AMPs ↓ · diversidade ↓. Se a alternativa inverter qualquer uma dessas setas, está errada. Essa lógica também se aplica a outras doenças inflamatórias de barreira, como a psoríase.