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Questão de Medicina — Farmacologia e Anestesiologia — FUNDATEC 2026

MedicinaFarmacologia e Anestesiologia
Código
qg684397
Banca
FUNDATEC
Órgão
GHC-RS
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico (Anestesiologia Cardiovascular)
Em relação à hipotermia profunda e à Parada Circulatória Total (PCT), assinale a alternativa correta.
  1. AA hipotermia é considerada leve quando for < 25ºC.
  2. BExistem meios de medir diretamente a temperatura cerebral.
  3. CPara uma CPT de 20-30 minutos, provavelmente uma temperatura de 14ºC–20ºC seja adequada.
  4. DA hipotermia protege da hiperviscosidade.
  5. EA hipotermia proposital com esfriamento sistêmico não realiza neuroproteção durante a isquemia global completa.
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GabaritoC — Para uma CPT de 20-30 minutos, provavelmente uma temperatura de 14ºC–20ºC seja adequada.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Hipotermia profunda e Parada Circulatória Total (PCT)

Gabarito: letra C. Para uma parada circulatória total de 20 a 30 minutos, a temperatura de 14°C a 20°C é a faixa adequada, pois reduz drasticamente o metabolismo cerebral e protege o sistema nervoso central durante a isquemia global. As demais alternativas apresentam erros conceituais ou de valores, como a classificação da hipotermia leve e a afirmação de que a hipotermia protege da hiperviscosidade.

A hipotermia profunda é uma técnica utilizada em cirurgias cardíacas complexas, especialmente em procedimentos que exigem a interrupção total do fluxo sanguíneo cerebral, como a correção de aneurismas da aorta e malformações arteriovenosas. O objetivo é reduzir a temperatura corporal central para níveis que diminuam o consumo de oxigênio e glicose pelo cérebro, prolongando o tempo seguro de isquemia. A cada grau Celsius de redução da temperatura, o metabolismo cerebral diminui cerca de 6% a 7%, o que permite períodos mais longos de parada circulatória sem danos neurológicos permanentes.

A classificação da hipotermia é um ponto crucial e frequentemente cobrado. A hipotermia leve é definida como temperatura entre 32°C e 35°C, a moderada entre 28°C e 32°C, e a profunda abaixo de 28°C. A alternativa A erra ao afirmar que a hipotermia leve é < 25°C, confundindo os limites estabelecidos. A temperatura cerebral, por sua vez, não pode ser medida diretamente na prática clínica; utiliza-se a temperatura central (esofágica, vesical, retal ou de artéria pulmonar) como proxy, o que torna a alternativa B incorreta.

A hipotermia, embora reduza o metabolismo, não protege contra a hiperviscosidade. Na verdade, o resfriamento aumenta a viscosidade sanguínea, o que pode prejudicar a microcirculação e favorecer a formação de trombos. Esse é um dos efeitos adversos da hipotermia, que deve ser manejado com hemodiluição e monitorização cuidadosa. A alternativa D inverte esse conceito, afirmando que a hipotermia protege da hiperviscosidade, quando na realidade a agrava.

A neuroproteção é o principal benefício da hipotermia terapêutica durante a isquemia global. Ao reduzir o metabolismo cerebral, a hipotermia diminui a liberação de neurotransmissores excitatórios, a produção de radicais livres e a resposta inflamatória, protegendo os neurônios da lesão isquêmica. A alternativa E nega esse efeito, afirmando que a hipotermia proposital não realiza neuroproteção, o que contradiz a fisiopatologia e a prática clínica.

A alternativa C é a correta porque estabelece a faixa de temperatura adequada para uma parada circulatória total de 20 a 30 minutos. Nessa faixa, o metabolismo cerebral é reduzido a aproximadamente 10% do normal, permitindo um período seguro de isquemia sem danos neurológicos significativos. Temperaturas mais altas não oferecem proteção suficiente, enquanto temperaturas mais baixas aumentam o risco de complicações como arritmias e coagulopatias.

Alternativa A — ❌ Incorreta

A hipotermia leve é definida como temperatura entre 32°C e 35°C, não < 25°C. A alternativa confunde os limites da classificação, apresentando um valor que corresponde à hipotermia profunda. A classificação correta é: leve (32-35°C), moderada (28-32°C) e profunda (< 28°C).

Alternativa B — ❌ Incorreta

Não existem meios de medir diretamente a temperatura cerebral na prática clínica. Utiliza-se a temperatura central (esofágica, vesical, retal ou de artéria pulmonar) como estimativa indireta. A alternativa sugere uma capacidade diagnóstica que não está disponível.

Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Para uma parada circulatória total de 20 a 30 minutos, a temperatura de 14°C a 20°C é a faixa adequada. Nessa faixa, o metabolismo cerebral é drasticamente reduzido, permitindo um período seguro de isquemia global sem danos neurológicos permanentes. É a faixa utilizada em cirurgias que exigem parada circulatória total.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A hipotermia aumenta a viscosidade sanguínea, não protege contra ela. O resfriamento causa hemoconcentração e aumento da viscosidade, o que pode prejudicar a microcirculação e favorecer trombose. A alternativa inverte o efeito real da hipotermia.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A hipotermia proposital com esfriamento sistêmico realiza neuroproteção durante a isquemia global completa. Ao reduzir o metabolismo cerebral, diminui a lesão isquêmica, a liberação de neurotransmissores excitatórios e a resposta inflamatória. A alternativa nega um dos principais benefícios da hipotermia terapêutica.

Gabarito: letra C

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