Questão de Medicina — Cirurgia Geral — FUNDATEC 2026
Medicina›Cirurgia Geral
Código
qg684400
Banca
FUNDATEC
Órgão
GHC-RS
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico (Anestesiologia Cardiovascular)
Considerando a correção de aneurisma de aorta abdominal por via endovascular, assinale a alternativa correta.
AÉ preferida apenas para realização de cirurgias de emergência.
BAumenta o tempo de internação na unidade de terapia intensiva.
CExige maior necessidade de transfusões sanguíneas.
DApresenta menor taxa de mortalidade 30 dias após a cirurgia.
EResulta em maior tempo de internação total.
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GabaritoD — Apresenta menor taxa de mortalidade 30 dias após a cirurgia.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Correção endovascular de aneurisma de aorta abdominal (EVAR)
Gabarito: letra D. O reparo endovascular (EVAR) apresenta menor taxa de mortalidade perioperatória (incluindo os 30 dias) quando comparado ao reparo cirúrgico aberto, com sobrevida equivalente a longo prazo — é exatamente essa vantagem que a alternativa D espelha. As demais alternativas invertem as desvantagens: o EVAR não é restrito a emergências, não aumenta tempo de UTI, não exige mais transfusões e não prolonga a internação total; na verdade, reduz esses parâmetros.
O EVAR (endovascular aneurysm repair) é uma técnica minimamente invasiva para tratar o aneurisma de aorta abdominal (AAA). Em vez de uma grande incisão abdominal e clampeamento da aorta, o cirurgião acessa o sistema arterial por punção ou dissecção das artérias femorais e, sob fluoroscopia, introduz uma endoprótese (stent recoberto) que exclui o aneurisma da circulação, direcionando o fluxo sanguíneo pelo interior da prótese. Essa abordagem evita a laparotomia, o clampeamento aórtico e a necessidade de anastomose cirúrgica, o que reduz drasticamente o trauma cirúrgico.
A principal vantagem do EVAR é justamente a menor morbidade e mortalidade perioperatória. Estudos randomizados (como o EVAR-1 e o DREAM) demonstraram que a mortalidade aos 30 dias é significativamente menor no grupo endovascular (cerca de 1–2%) em comparação ao grupo aberto (cerca de 4–5%). Essa diferença se deve à ausência de incisão abdominal, menor sangramento, menor dor pós-operatória e menor estresse fisiológico. No entanto, essa vantagem inicial se dilui ao longo do tempo: a sobrevida em longo prazo é equivalente, e o EVAR exige acompanhamento rigoroso com exames de imagem periódicos para detectar vazamentos endovasculares (endoleaks) ou deslocamento da prótese.
Na prática, o EVAR é indicado preferencialmente para pacientes com anatomia favorável (colo proximal adequado, angulação aceitável, acesso ilíaco-femoral pérvio) e que possam aderir ao seguimento radiológico. É particularmente vantajoso em pacientes de alto risco cirúrgico, idosos ou com múltiplas comorbidades, nos quais a cirurgia aberta teria mortalidade elevada. Em contrapartida, a cirurgia aberta permanece indicada em casos de anatomia desfavorável, aneurismas justarrenais ou quando o paciente não pode realizar o acompanhamento pós-operatório.
A banca explora aqui a confusão entre as vantagens e desvantagens do EVAR versus a cirurgia aberta. O candidato que não domina o tema pode achar que a técnica minimamente invasiva é "pior" em algum aspecto, mas a realidade é exatamente o oposto: o EVAR é superior no curto prazo (menor mortalidade, menor internação, menos transfusões) e equivalente no longo prazo. Guarde essa lógica: menor invasão → menor morbidade perioperatória → menor mortalidade aos 30 dias → menor tempo de internação e menor necessidade de transfusão.
EVAR vs. Cirurgia aberta
1EVAR (endovascular)
Menor mortalidade em 30 dias
Menor tempo de UTI/internação
Menos transfusões
Menor morbidade perioperatória
Exige seguimento radiológico
2Cirurgia aberta
Maior mortalidade perioperatória
Maior sangramento
Maior tempo de internação
Indicada em anatomia desfavorável
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Alternativa A — ❌ Incorreta
Afirma que o EVAR é preferido apenas para cirurgias de emergência. Isso é falso: o EVAR é amplamente utilizado em cirurgias eletivas (programadas), sendo inclusive a primeira escolha em muitos centros para pacientes com anatomia favorável. Em emergências (aneurisma roto), o EVAR também pode ser usado, mas não é sua única indicação. A banca tenta restringir indevidamente o escopo da técnica.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Afirma que o EVAR aumenta o tempo de internação na UTI. Na verdade, o EVAR reduz o tempo de UTI e o tempo de internação total, pois é menos invasivo, com menor dor, menor sangramento e recuperação mais rápida. A cirurgia aberta, com laparotomia e clampeamento aórtico, exige mais tempo de UTI e de hospitalização.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Afirma que o EVAR exige maior necessidade de transfusões sanguíneas. O oposto é verdadeiro: o EVAR, por ser endovascular, causa menor sangramento e, consequentemente, menor necessidade de transfusão em comparação à cirurgia aberta, que envolve incisão ampla e manipulação aórtica.
Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Esta é a correta. O EVAR apresenta menor taxa de mortalidade em 30 dias quando comparado ao reparo aberto. Essa é a vantagem mais bem documentada da técnica, confirmada por ensaios clínicos randomizados. A mortalidade perioperatória do reparo aberto eletivo é de 2–6%, enquanto a do EVAR é significativamente menor (em torno de 1–2% nos estudos).
Alternativa E — ❌ Incorreta
Afirma que o EVAR resulta em maior tempo de internação total. Novamente, o EVAR reduz o tempo de internação, pois a recuperação é mais rápida, com menor dor e menor necessidade de cuidados intensivos. A cirurgia aberta exige internação mais prolongada.
Gabarito: letra D — o EVAR apresenta menor mortalidade em 30 dias, sendo essa a vantagem central da técnica endovascular sobre a cirurgia aberta.