Questão de Medicina — Hematologia — FUNDATEC 2026
- Código
- qg684423
- Banca
- FUNDATEC
- Órgão
- GHC-RS
- Ano
- 2026
- Nível
- Superior
- Cargo
- Médico (Anestesiologia)
- AV – F – V.
- BV – V – F.
- CF – V – F.
- DF – F – V.
- EF – F – F.
GabaritoC — F – V – F.
Gabarito: letra C (F – V – F). A primeira assertiva é falsa porque o uso de EPO em pacientes com doença renal crônica (DRC) associa-se sim ao aumento do risco de complicações cardiovasculares, especialmente quando a hemoglobina alvo ultrapassa 13 g/dL; a segunda é verdadeira, pois a EPO pode desencadear retinopatia da prematuridade em crianças prematuras; e a terceira é falsa, porque a eritropoese é limitada pela concentração de ferro, sendo a deficiência de ferro a principal causa de resposta inadequada ao tratamento com EPO.
A eritropoetina é um hormônio glicoproteico produzido principalmente pelos rins (em resposta à hipóxia tecidual) que estimula a medula óssea a produzir eritrócitos. Na doença renal crônica, há deficiência relativa de EPO, o que contribui para a anemia. A reposição com EPO sintética (alfaepoetina) corrige a anemia, melhora a qualidade de vida e reduz a necessidade de transfusões. No entanto, o tratamento não é isento de riscos, e é exatamente sobre esses efeitos adversos que a questão versa.
O principal efeito adverso em adultos é o aumento do risco cardiovascular. Estudos demonstraram que manter a hemoglobina acima de 13 g/dL está associado a maior morbimortalidade, incluindo eventos cardiovasculares adversos. Por isso, a faixa terapêutica recomendada é entre 10 e 12 g/dL. Além disso, a EPO pode causar ou agravar hipertensão arterial, especialmente em pacientes com DRC, exigindo monitorização frequente da pressão arterial.
Em crianças prematuras, a EPO é usada para tratar a anemia da prematuridade, mas pode desencadear retinopatia da prematuridade, uma condição que afeta a retina e pode levar à cegueira. Esse risco é bem documentado e exige acompanhamento oftalmológico.
A eritropoese depende tanto da EPO quanto do ferro. A deficiência de ferro é a causa mais comum de resposta inadequada ao tratamento com EPO, pois o ferro é essencial para a síntese de hemoglobina. Portanto, a afirmação de que a eritropoese não é limitada pela concentração de ferro é incorreta.
A banca explora a inversão de conceitos: na primeira assertiva, nega o risco cardiovascular (que existe); na terceira, afirma que a eritropoese não depende de ferro (quando depende). Fique atento a essas inversões — o candidato que conhece os efeitos adversos da EPO identifica os erros rapidamente.
A afirmação de que o uso de EPO não se associa ao aumento do risco de complicações cardiovasculares é falsa. O texto oficial é claro: "o uso de doses mais altas de EPO, que resultam em elevações da hemoglobina sérica acima de 13 g/dL, pode estar associado a maior risco de eventos cardiovasculares adversos". Portanto, o risco existe, especialmente com alvos de hemoglobina elevados.
A EPO pode desencadear retinopatia da prematuridade em crianças prematuras. Esse é um efeito adverso bem documentado, que exige monitorização oftalmológica em prematuros tratados com EPO. A assertiva está correta.
A eritropoese é limitada pela concentração de ferro. O texto oficial afirma que "a deficiência de ferro ou a sua reduzida disponibilidade são as principais causas de falha ao tratamento" com EPO. Portanto, a assertiva está incorreta.
Conclusão: A sequência correta é F – V – F, correspondente à letra C.
Gabarito: letra C
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