Questão de Medicina — Farmacologia e Anestesiologia — FUNDATEC 2026
- Código
- qg684439
- Banca
- FUNDATEC
- Órgão
- GHC-RS
- Ano
- 2026
- Nível
- Superior
- Cargo
- Médico (Anestesiologia)
- AV – V – F.
- BV – F – V.
- CV – V – V.
- DF – F – V.
- EF – V – F.
GabaritoB — V – F – V.
Gabarito: letra B — sequência V – F – V. A primeira assertiva está correta (diabetes melito, opioides e refluxo gastroesofágico realmente interferem na motilidade e no esvaziamento gástrico); a segunda está incorreta, pois a hipersecreção gástrica diminui o pH intragástrico, não o aumenta; e a terceira está correta, pois a diminuição do reflexo das vias aéreas, como na alteração do nível de consciência, é um fator de risco clássico para aspiração pulmonar.
A aspiração pulmonar é a passagem de conteúdo gástrico ou orofaríngeo para as vias aéreas inferiores, podendo causar desde pneumonite química até pneumonia aspirativa e abscesso pulmonar. Para que ocorra, dois mecanismos precisam falhar: a barreira anatômica (esfíncter esofágico inferior, epiglote, reflexo de tosse) e/ou a capacidade de clearance pulmonar. Os fatores de risco, portanto, se dividem em dois grandes grupos: os que aumentam o volume e a acidez do conteúdo gástrico (retardo do esvaziamento, hipersecreção) e os que comprometem a proteção das vias aéreas (rebaixamento do nível de consciência, disfagia, alteração do reflexo de tosse).
O diabetes melito é um fator de risco clássico por causar gastroparesia — o esvaziamento gástrico fica lento, aumentando o volume residual. Os opioides, amplamente usados na pré-medicação anestésica, também retardam o esvaziamento gástrico e reduzem a motilidade intestinal. O refluxo gastroesofágico, por sua vez, facilita a regurgitação passiva do conteúdo gástrico para a orofaringe, aumentando o risco de aspiração. Esses três fatores, portanto, atuam diretamente sobre a motilidade e o esvaziamento gástrico, tornando a primeira assertiva verdadeira.
A segunda assertiva explora uma confusão conceitual comum: a hipersecreção gástrica aumenta a produção de ácido clorídrico, o que reduz o pH intragástrico (torna o meio mais ácido). O pH baixo (< 2,5) é justamente o que causa a pneumonite química grave quando o conteúdo é aspirado. Portanto, a afirmação de que a hipersecreção aumenta o pH está invertida — é exatamente o oposto. A banca trocou o efeito: hipersecreção → pH ↓, não ↑.
A terceira assertiva aborda o outro grande grupo de fatores de risco: a falha dos mecanismos de proteção das vias aéreas. A alteração do nível de consciência (por sedação, anestesia geral, intoxicação, doenças neurológicas) diminui ou abole o reflexo de tosse e a proteção glótica, permitindo que o conteúdo gástrico regurgitado alcance a árvore brônquica. O material de apoio confirma: o rebaixamento do nível de consciência é um fator precipitante importante das síndromes aspirativas, e a pneumonite aspirativa ocorre "usualmente em pacientes com alteração do nível de consciência".
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A distinção que importa aqui é entre os fatores que aumentam o conteúdo gástrico (volume e acidez) e os que comprometem a proteção das vias aéreas. A primeira e a terceira assertivas pertencem a grupos diferentes, mas ambas são verdadeiras; a segunda é a única falsa, pois inverte a relação entre secreção ácida e pH. É exatamente essa inversão que a banca explora: o candidato que sabe que a hipersecreção aumenta a acidez (diminui o pH) acerta; o que confunde "aumento da secreção" com "aumento do pH" erra.
Diabetes melito, opioides e refluxo gastroesofágico são, de fato, fatores que interferem na motilidade e no esvaziamento gástrico. O diabetes causa gastroparesia (retardo do esvaziamento por neuropatia autonômica); os opioides reduzem a motilidade gastrointestinal e retardam o esvaziamento; o refluxo gastroesofágico facilita a regurgitação do conteúdo gástrico para a orofaringe. Todos aumentam o volume de conteúdo gástrico disponível para aspiração, sendo fatores de risco reconhecidos.
A hipersecreção gástrica diminui o pH intragástrico, tornando o meio mais ácido — não o aumenta. O ácido clorídrico secretado pelas células parietais reduz o pH, e é justamente o pH baixo (< 2,5) que causa a pneumonite química grave na aspiração. A banca inverteu o efeito: hipersecreção → pH ↓, não ↑. O erro está na direção da relação entre secreção ácida e pH.
A diminuição do reflexo das vias aéreas, como ocorre na alteração do nível de consciência, é um fator de risco clássico para aspiração pulmonar. Sem o reflexo de tosse e a proteção glótica adequados, o conteúdo gástrico regurgitado alcança as vias aéreas inferiores sem barreira. O rebaixamento do nível de consciência é citado como fator precipitante importante das síndromes aspirativas, e a pneumonite aspirativa ocorre tipicamente em pacientes com alteração do nível de consciência.
Conclusão: corretas a 1ª e a 3ª assertivas; incorreta apenas a 2ª. Portanto, a sequência correta é V – F – V, correspondente à letra B.
A banca inverte o efeito da hipersecreção gástrica: afirma que ela aumenta o pH, quando na verdade o diminui (torna o meio mais ácido). O candidato que confunde "aumento da secreção" com "aumento do pH" cai na armadilha. Lembre-se: hipersecreção → mais ácido → pH menor → maior risco de pneumonite química se aspirado.
Para questões de aspiração pulmonar, separe mentalmente os fatores em dois grupos: (1) os que aumentam o conteúdo gástrico (volume, acidez, retardo do esvaziamento) e (2) os que comprometem a proteção das vias aéreas (rebaixamento do nível de consciência, disfagia, alteração do reflexo de tosse). Essa divisão ajuda a julgar assertivas rapidamente.
Gabarito: letra B
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