Questão de Medicina — Farmacologia e Anestesiologia — FUNDATEC 2026
- Código
- qg684441
- Banca
- FUNDATEC
- Órgão
- GHC-RS
- Ano
- 2026
- Nível
- Superior
- Cargo
- Médico (Anestesiologia)
- AV – F – V.
- BV – V – F.
- CF – F – V.
- DF – V – V.
- EF – V – F.
GabaritoC — F – F – V.
Gabarito: letra C (F – F – V). A primeira assertiva é falsa porque o broncoespasmo pós-operatório pode sim ser desencadeado por sangue, vômito, reação alérgica ou condição pulmonar prévia — não é exclusivamente decorrente de edema e embolia pulmonares. A segunda é falsa porque anti-inflamatórios não esteroidais (AINEs) não são recomendados para controle da dor em pacientes asmáticos, pois podem precipitar broncoespasmo (asma induzida por AINEs). A terceira é verdadeira: em pacientes com DPOC, as vias aéreas podem permanecer vulneráveis por cerca de 24 horas após o procedimento, e a hipoventilação pode ocorrer até o terceiro dia de pós-operatório.
O broncoespasmo no pós-operatório é uma complicação respiratória que resulta de broncoconstrição aguda, geralmente em pacientes com hiper-reatividade brônquica (asma, DPOC). As causas são múltiplas: irritação das vias aéreas por secreções, sangue, vômito aspirado, reação alérgica a medicamentos (como antibióticos, relaxantes musculares, látex), intubação traqueal, manipulação cirúrgica, dor, ansiedade, e a própria condição pulmonar prévia do paciente. A afirmação de que seria "exclusivamente" decorrente de edema e embolia pulmonares é um erro grosseiro — edema e embolia são outras complicações, não as únicas causas de broncoespasmo. A palavra "exclusivamente" já denuncia a falsidade, pois a medicina raramente admite causa única para um sintoma multifatorial.
Quanto aos AINEs, a relação com asma é bem estabelecida: cerca de 5% a 10% dos asmáticos apresentam sensibilidade a esses fármacos, que podem desencadear broncoespasmo agudo (síndrome de Samter, quando associada a polipose nasal e intolerância ao ácido acetilsalicílico). O mecanismo envolve a inibição da ciclo-oxigenase-1 (COX-1), que desvia o metabolismo do ácido araquidônico para a via da lipoxigenase, aumentando a produção de leucotrienos — potentes broncoconstritores. Por isso, em pacientes asmáticos, a dor pós-operatória deve ser manejada preferencialmente com paracetamol, dipirona ou opioides, evitando AINEs. A assertiva inverte completamente essa recomendação, afirmando que os AINEs "protegem" do broncoespasmo, quando na verdade podem provocá-lo.
A terceira assertiva aborda a vulnerabilidade das vias aéreas em pacientes com DPOC no pós-operatório. É verdade que, após anestesia e cirurgia, esses pacientes podem manter hiper-reatividade brônquica e maior risco de broncoespasmo por aproximadamente 24 horas. Além disso, a hipoventilação — decorrente de dor, efeito residual de anestésicos, opioides e imobilização — pode persistir até o terceiro dia de pós-operatório, aumentando o risco de atelectasia e pneumonia. Essa janela de vulnerabilidade é um conceito importante no manejo perioperatório de pacientes com doença pulmonar obstrutiva crônica.
A pegadinha central desta questão está na segunda assertiva: a banca explora a crença comum de que anti-inflamatórios seriam benéficos por reduzirem inflamação, mas no asmático sensível eles são gatilho de broncoespasmo. O candidato que não conhece a "asma induzida por AINEs" tende a marcar como verdadeira. Já na primeira, o termo "exclusivamente" é o sinal de alerta — qualquer assertiva com palavras como "sempre", "nunca" ou "exclusivamente" deve ser analisada com desconfiança, pois raramente refletem a realidade médica.
A assertiva afirma que o broncoespasmo pós-operatório "não pode ser decorrente de sangue, vômito, reação alérgica ou condição pulmonar prévia, sendo exclusivamente decorrente de edema e embolia pulmonares". Isso é duplamente errado. Primeiro, sangue e vômito aspirados são causas clássicas de broncoespasmo por irritação mecânica e química das vias aéreas. Segundo, reação alérgica (a medicamentos, látex) e condição pulmonar prévia (asma, DPOC) são fatores de risco bem documentados. O erro está no "exclusivamente": edema e embolia pulmonares são complicações distintas, não as únicas causas de broncoespasmo. A palavra "exclusivamente" torna a assertiva falsa por generalização indevida.
A assertiva recomenda AINEs para controle da dor pós-operatória em asmáticos, afirmando que "protegem de broncospasmo agudo". Isso é exatamente o oposto da verdade. Em pacientes asmáticos sensíveis, os AINEs podem precipitar broncoespasmo agudo por inibição da COX-1 e desvio para produção de leucotrienos. A recomendação correta é evitar AINEs nesses pacientes e usar alternativas como paracetamol, dipirona ou opioides. A assertiva inverte a relação causal: em vez de proteger, os AINEs são gatilho potencial de broncoespasmo.
A assertiva afirma que, no pós-operatório, as vias aéreas de pacientes com DPOC podem permanecer vulneráveis por cerca de 24 horas, e a hipoventilação pode ocorrer até o terceiro dia. Isso está correto. A hiper-reatividade brônquica pós-anestésica persiste aproximadamente 24 horas, e a hipoventilação — por dor, efeito de opioides e anestésicos residuais — pode se estender até o terceiro dia. Esse é um conceito fundamental no manejo perioperatório de pacientes com DPOC, orientando monitorização respiratória prolongada e estratégias de analgesia que não deprimam a ventilação.
Para questões de broncoespasmo pós-operatório, lembre-se do mnemônico CAUSA: Condição pulmonar prévia (asma/DPOC), Aspiração (sangue/vômito), Uso de medicamentos (AINEs, betabloqueadores), Secreções, Anestésicos/intubação. Se a assertiva trouxer "exclusivamente", "sempre" ou "nunca", desconfie — a medicina é cheia de exceções. E para asmáticos, AINEs são contraindicados: prefira paracetamol, dipirona ou opioides.
Gabarito: letra C (F – F – V).
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