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Questão de Medicina — Farmacologia e Anestesiologia — FUNDATEC 2026

MedicinaFarmacologia e Anestesiologia
Código
qg684445
Banca
FUNDATEC
Órgão
GHC-RS
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico (Anestesiologia)
Em relação às reações sistêmicas dos anestésicos locais, assinale a alternativa correta.
  1. AA excessiva absorção sistêmica da bupivacaína durante a anestesia regional protege o sistema cardiovascular.
  2. BA ropivacaína, anestésico local do tipo amina, tem características farmacológicas semelhantes à bupivacaína, exceto a sua lipossolubilidade, que é aproximadamente o dobro da segunda.
  3. CA depressão miocárdica dose-dependente causada pelos anestésicos locais não pode ser atribuída à sua inferência com a sinalização do cálcio iônico intracelular da musculatura miocárdica.
  4. DA bupivacaína não está associada a alterações mais intensas na repolarização do tecido de condução do miocárdio ventricular quando comparada com a lidocaína.
  5. EEm concentrações plasmáticas elevadas, a bupivacaína bloqueia os canais de cálcio e potássio, além dos canais de sódio voltagem-dependentes.
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GabaritoE — Em concentrações plasmáticas elevadas, a bupivacaína bloqueia os canais de cálcio e potássio, além dos canais de sódio voltagem-dependentes.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Reações sistêmicas dos anestésicos locais

Gabarito: letra E. Em concentrações plasmáticas elevadas, a bupivacaína bloqueia não apenas os canais de sódio voltagem-dependentes, mas também os canais de cálcio e de potássio — é esse bloqueio adicional que explica sua cardiotoxicidade mais acentuada em relação à lidocaína. As demais alternativas invertem ou negam mecanismos farmacológicos bem estabelecidos.

Os anestésicos locais atuam bloqueando de forma reversível os canais de sódio voltagem-dependentes, impedindo a despolarização da membrana neuronal e, consequentemente, a propagação do potencial de ação. Quando absorvidos sistemicamente, porém, esses fármacos podem atingir concentrações plasmáticas elevadas e produzir toxicidade, afetando principalmente o sistema nervoso central e o sistema cardiovascular. A cardiotoxicidade é dose-dependente e se manifesta com depressão miocárdica, arritmias e, nos casos graves, colapso cardiovascular.

A bupivacaína é uma amida de longa duração, cerca de quatro vezes mais potente e mais tóxica que a lidocaína. Sua toxicidade cardiovascular é particularmente relevante porque, em altas concentrações, ela bloqueia também os canais de cálcio e de potássio, além dos canais de sódio. O bloqueio dos canais de cálcio interfere na sinalização do cálcio intracelular nos miócitos, contribuindo para a depressão miocárdica; o bloqueio dos canais de potássio prolonga a repolarização, favorecendo arritmias. Esse mecanismo múltiplo explica por que a bupivacaína está associada a alterações mais intensas na repolarização do tecido de condução ventricular quando comparada à lidocaína.

A ropivacaína, também uma amida, foi desenvolvida como alternativa à bupivacaína por apresentar menor cardiotoxicidade. Embora tenha características farmacológicas semelhantes, sua lipossolubilidade é menor que a da bupivacaína — não o dobro. A potência anestésica está diretamente relacionada à lipossolubilidade: quanto mais lipossolúvel, maior a difusão para as fibras nervosas e maior a potência. Portanto, a bupivacaína, por ser mais lipossolúvel, é mais potente que a ropivacaína.

A toxicidade sistêmica dos anestésicos locais é um evento grave e potencialmente fatal, mas prevenível. A profilaxia envolve técnica adequada de injeção, com aspirações prévias para evitar injeção intravascular acidental, e o uso da menor dose e concentração eficazes. O reconhecimento precoce dos sinais de toxicidade — dormência perioral, distúrbios visuais e auditivos, agitação, convulsões — é essencial para o manejo imediato, que inclui suporte avançado de vida e, na cardiotoxicidade por bupivacaína, a infusão de emulsão lipídica.

A questão explora justamente o mecanismo de cardiotoxicidade da bupivacaína, um dos pontos mais cobrados em farmacologia de anestésicos locais. A alternativa correta é a única que descreve com precisão o bloqueio múltiplo de canais iônicos em concentrações plasmáticas elevadas. As demais alternativas contêm erros conceituais que serão analisados individualmente.

1Mecanismo de ação
Bloqueio reversível dos canais de Na⁺
Impede despolarização neuronal
2Toxicidade sistêmica
SNC (agitação, convulsão)
Cardiovascular (depressão miocárdica, arritmia)
3Bupivacaína (amida, alta lipossolubilidade)
Alta potência
Alta cardiotoxicidade
Bloqueia Na⁺, Ca²⁺ e K⁺
4Ropivacaína (amida)
Menor lipossolubilidade
Menor potência
Menor cardiotoxicidade
5Lidocaína (amida)
Menor afinidade por K⁺
Mais segura
Anestésicos locais
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Anestésicos locais: Mecanismo de ação (Bloqueio reversível dos canais de Na⁺, Impede despolarização neuronal); Toxicidade sistêmica (SNC (agitação, convulsão), Cardiovascular (depressão miocárdica, arritmia)); Bupivacaína (amida, alta lipossolubilidade) (Alta potência, Alta cardiotoxicidade, Bloqueia Na⁺, Ca²⁺ e K⁺); Ropivacaína (amida) (Menor lipossolubilidade, Menor potência, Menor cardiotoxicidade); Lidocaína (amida) (Menor afinidade por K⁺, Mais segura)

Alternativa A — ❌ Incorreta

A excessiva absorção sistêmica da bupivacaína durante a anestesia regional não protege o sistema cardiovascular — pelo contrário, é a causa da cardiotoxicidade. A absorção sistêmica eleva a concentração plasmática do fármaco, que então bloqueia canais de sódio, cálcio e potássio no miocárdio, levando à depressão miocárdica, arritmias e colapso cardiovascular. A alternativa inverte completamente o efeito: a absorção excessiva é um fator de risco, não de proteção.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A ropivacaína é um anestésico local do tipo amida (não amina), e suas características farmacológicas são semelhantes às da bupivacaína, exceto pela lipossolubilidade, que é menor — aproximadamente metade, não o dobro. A potência anestésica é proporcional à lipossolubilidade: como a bupivacaína é mais lipossolúvel, é mais potente. A alternativa erra tanto na classificação química (amida, não amina) quanto na relação de lipossolubilidade entre os dois fármacos.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A depressão miocárdica dose-dependente causada pelos anestésicos locais pode sim ser atribuída à interferência com a sinalização do cálcio iônico intracelular na musculatura miocárdica. Em concentrações elevadas, a bupivacaína bloqueia os canais de cálcio, reduzindo o influxo de cálcio e comprometendo a contratilidade miocárdica. A alternativa nega exatamente o mecanismo que contribui para a cardiotoxicidade.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A bupivacaína está associada a alterações mais intensas na repolarização do tecido de condução do miocárdio ventricular quando comparada à lidocaína. Isso ocorre porque, além do bloqueio dos canais de sódio, ela bloqueia também os canais de potássio, prolongando a repolarização e favorecendo arritmias ventriculares. A lidocaína, por sua vez, tem menor afinidade pelos canais de potássio e é mais segura do ponto de vista cardiovascular. A alternativa inverte a relação de cardiotoxicidade entre os dois fármacos.

Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Em concentrações plasmáticas elevadas, a bupivacaína bloqueia os canais de cálcio e de potássio, além dos canais de sódio voltagem-dependentes. Esse bloqueio múltiplo é a base da cardiotoxicidade da bupivacaína: o bloqueio dos canais de sódio compromete a despolarização, o bloqueio dos canais de cálcio reduz a contratilidade miocárdica e o bloqueio dos canais de potássio prolonga a repolarização, predispondo a arritmias. É exatamente esse mecanismo que torna a bupivacaína mais cardiotóxica que a lidocaína.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a inversão de relações farmacológicas: na alternativa B, troca a lipossolubilidade (a ropivacaína é menos lipossolúvel, não o dobro); na alternativa D, inverte a cardiotoxicidade (a bupivacaína é mais arritmogênica que a lidocaína). Fique atento a comparações entre fármacos — a banca adora inverter quem tem mais ou menos de determinada propriedade.

PEGA ESSA DICA!

Para memorizar a cardiotoxicidade dos anestésicos locais, lembre-se da regra: potência e toxicidade andam juntas com a lipossolubilidade. Quanto mais lipossolúvel, mais potente e mais tóxico. A bupivacaína é o exemplo clássico: alta lipossolubilidade → alta potência → alta cardiotoxicidade (bloqueia Na⁺, Ca²⁺ e K⁺). A ropivacaína foi criada justamente para ser menos lipossolúvel e, portanto, menos cardiotóxica.

Gabarito: letra E

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