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Questão de Medicina — Oncologia — FUNDATEC 2026

MedicinaOncologia
Código
qg684451
Banca
FUNDATEC
Órgão
GHC-RS
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico (Cirurgia Oncológica)
Com base nos princípios do manejo não operatório (NOM) e na avaliação de resposta ao tratamento neoadjuvante para pacientes com câncer retal, assinale a alternativa correta.
  1. AA realização de biópsias de rotina na área da cicatriz retal é indispensável para confirmar o diagnóstico de resposta clínica completa (cCR), mesmo quando todos os critérios endoscópicos e radiológicos são integralmente preenchidos.
  2. BO uso do DNA tumoral circulante (ctDNA) já possui papel clínico comprovado e deve ser utilizado como principal marcador na vigilância intensiva para detecção de recorrência.
  3. CCaso o paciente apresente uma resposta clínica quase completa (nCR) e deseje evitar a cirurgia, a equipe multidisciplinar pode considerar um período adicional de observação de 8 semanas antes de realizar uma nova reavaliação.
  4. DEm caso de suspeita de tumor residual ou recrescimento tumoral durante o acompanhamento, a cirurgia radical só deve ser indicada após a confirmação histopatológica por biópsia, de modo a evitar procedimentos desnecessários.
  5. EPara a definição de resposta clínica completa, basta que a ressonância magnética comprove a ausência de restrição à difusão e de linfonodos suspeitos, sendo o toque retal e a endoscopia considerados exames apenas opcionais.
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GabaritoC — Caso o paciente apresente uma resposta clínica quase completa (nCR) e deseje evitar a cirurgia, a equipe multidisciplinar pode considerar um período adicional de observação de 8 semanas antes de realizar uma nova reavaliação.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Manejo não operatório (NOM) e avaliação de resposta ao tratamento neoadjuvante no câncer retal

Gabarito: letra C. A alternativa correta é a que afirma que, em caso de resposta clínica quase completa (nCR), a equipe multidisciplinar pode considerar um período adicional de observação de 8 semanas antes de uma nova reavaliação, caso o paciente deseje evitar a cirurgia. As demais alternativas contêm erros conceituais sobre biópsias de rotina, papel do ctDNA, indicação de cirurgia e critérios para definir resposta clínica completa (cCR).

O manejo não operatório (NOM) é uma estratégia cada vez mais utilizada no tratamento do câncer retal, especialmente após terapia neoadjuvante (quimiorradioterapia ou terapia neoadjuvante total - TNT). O objetivo é preservar o órgão (reto) em pacientes que atingem resposta clínica completa (cCR), evitando a morbidade da cirurgia radical (excisão total do mesorreto - ETM). A avaliação da resposta é feita de forma multimodal, combinando toque retal, endoscopia (com ou sem biópsia) e ressonância magnética (RM). A definição de cCR é baseada em critérios clínicos, endoscópicos e radiológicos, e a confirmação histológica por biópsia não é obrigatória quando todos os critérios são preenchidos, pois a biópsia pode ser falsamente negativa (devido à fibrose ou à localização superficial do tumor residual) e pode causar ulceração que dificulta a interpretação subsequente.

A resposta clínica quase completa (nCR) é uma situação intermediária, em que há suspeita de doença residual mínima, mas não há critérios claros de cCR. Nesses casos, a conduta recomendada é a reavaliação após um período de observação, geralmente de 8 a 12 semanas, para permitir que a resposta continue a evoluir. Essa janela de tempo é baseada no fato de que a regressão tumoral pode ser lenta e continuar por meses após o término da radioterapia. A decisão de aguardar é compartilhada com o paciente, especialmente se ele deseja evitar a cirurgia, e deve ser tomada por uma equipe multidisciplinar.

O DNA tumoral circulante (ctDNA) é um biomarcador promissor, mas ainda não tem papel clínico comprovado para guiar a vigilância intensiva no NOM. Seu uso é experimental e não substitui os métodos convencionais de acompanhamento (endoscopia, RM, toque retal). A cirurgia radical, em caso de suspeita de tumor residual ou recrescimento, pode ser indicada sem confirmação histopatológica prévia, pois a biópsia pode ser negativa mesmo na presença de doença (falso-negativo), e o atraso na cirurgia pode comprometer o prognóstico. A definição de cCR não pode ser feita apenas por RM; o toque retal e a endoscopia são essenciais para avaliar a mucosa e a presença de ulceração ou irregularidade.

A banca explora a confusão entre os critérios de resposta e a necessidade de confirmação histológica. O candidato pode pensar que a biópsia é sempre necessária, mas no NOM, a cCR é definida por critérios clínicos e de imagem, e a biópsia de rotina não é recomendada. Da mesma forma, a indicação de cirurgia em caso de suspeita de recrescimento não depende de biópsia, pois o risco de falso-negativo é alto. A alternativa C é a única que reflete a conduta correta para nCR, com um prazo específico (8 semanas) que é um dos intervalos aceitos na prática clínica.

Alternativa A — ❌ Incorreta

A alternativa afirma que a realização de biópsias de rotina na área da cicatriz retal é indispensável para confirmar cCR, mesmo quando todos os critérios endoscópicos e radiológicos são preenchidos. Isso é incorreto. No NOM, a cCR é definida por critérios clínicos (toque retal), endoscópicos (ausência de ulceração, nódulos ou irregularidade) e radiológicos (RM sem restrição à difusão, sem linfonodos suspeitos). A biópsia de rotina não é recomendada, pois pode ser falsamente negativa (devido à fibrose ou à localização profunda do tumor) e pode causar ulceração que dificulta a avaliação subsequente. A biópsia é reservada para casos de suspeita de recrescimento, mas não é indispensável para confirmar cCR.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A alternativa afirma que o ctDNA já possui papel clínico comprovado e deve ser utilizado como principal marcador na vigilância intensiva para detecção de recorrência. Isso é incorreto. O ctDNA é um biomarcador promissor, mas ainda está em fase de investigação e não tem papel clínico comprovado para guiar a vigilância no NOM. A vigilância intensiva é baseada em exames clínicos (toque retal), endoscopia e RM, que são os métodos padrão. O ctDNA pode ser útil em estudos clínicos, mas não é o principal marcador na prática clínica atual.

Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A alternativa afirma que, em caso de resposta clínica quase completa (nCR) e desejo do paciente de evitar a cirurgia, a equipe multidisciplinar pode considerar um período adicional de observação de 8 semanas antes de uma nova reavaliação. Isso está correto. A nCR é uma situação intermediária, e a conduta recomendada é a reavaliação após um período de observação, geralmente de 8 a 12 semanas, para permitir que a resposta continue a evoluir. Essa janela é baseada no fato de que a regressão tumoral pode ser lenta. A decisão é compartilhada com o paciente e tomada por equipe multidisciplinar.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A alternativa afirma que, em caso de suspeita de tumor residual ou recrescimento tumoral durante o acompanhamento, a cirurgia radical só deve ser indicada após a confirmação histopatológica por biópsia, de modo a evitar procedimentos desnecessários. Isso é incorreto. A biópsia pode ser falsamente negativa, e o atraso na cirurgia pode comprometer o prognóstico. Em caso de suspeita clínica ou radiológica de recrescimento, a cirurgia radical pode ser indicada sem confirmação histopatológica, especialmente se a suspeita for forte. A biópsia é útil, mas não é obrigatória para indicar a cirurgia.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A alternativa afirma que, para a definição de resposta clínica completa, basta que a RM comprove a ausência de restrição à difusão e de linfonodos suspeitos, sendo o toque retal e a endoscopia considerados exames apenas opcionais. Isso é incorreto. A definição de cCR é multimodal, exigindo a combinação de toque retal, endoscopia e RM. O toque retal avalia a presença de ulceração ou irregularidade na mucosa, e a endoscopia avalia a superfície do tumor. A RM avalia a profundidade da invasão e a presença de linfonodos. Nenhum exame isolado é suficiente para definir cCR.

Gabarito: letra C

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