Questão de Medicina — Cirurgia Geral — FUNDATEC 2026
Medicina›Cirurgia Geral
Código
qg684460
Banca
FUNDATEC
Órgão
GHC-RS
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico (Cirurgia Oncológica)
De acordo com as recomendações e descrições do manejo/diagnóstico das lesões torácicas, assinale a alternativa correta.
AA lesão torácica mais comum em trauma é, em geral, uma lesão cardíaca penetrante, motivo pelo qual a toracotomia é o exame inicial mais importante para o diagnóstico.
BA história clínica, o exame físico e o raio X de tórax seguem fundamentais. Além disso, exames adicionais como eFAST, TC e angiografia por TC são frequentemente usados para avaliar lesão torácica.
CUm hemotórax retido deve ser manejado inicialmente com observação clínica e repetição de raio X, reservando videotoracoscopia ou toracotomia apenas se houver instabilidade hemodinâmica.
DA toracotomia anterolateral esquerda no terceiro ou quarto espaço intercostal é descrita como uma abordagem voltada principalmente ao tratamento de lesões do pulmão direito e com pouca utilidade para intervenções cardíacas diretas.
EUm débito de tubo torácico de 1.500 mL de sangue por hora, ou 200 mL na inserção, geralmente justifica toracotomia urgente.
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GabaritoB — A história clínica, o exame físico e o raio X de tórax seguem fundamentais. Além disso, exames adicionais como eFAST, TC e angiografia por TC são frequentemente usados para avaliar lesão torácica.
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Trauma torácico: diagnóstico e manejo inicial
Gabarito: letra B. A alternativa correta reflete a abordagem clássica e atual do trauma torácico: a história clínica, o exame físico e a radiografia de tórax continuam sendo a base diagnóstica, complementados por exames como eFAST, tomografia computadorizada (TC) e angiografia por TC quando indicados. As demais alternativas contêm erros conceituais ou de conduta que as tornam incorretas.
O trauma torácico é definido como qualquer lesão muscular, óssea ou de órgãos da cavidade torácica, abrangendo um amplo espectro que inclui acometimento de costelas, pulmões, coração, esôfago, traqueia, aorta torácica e outras estruturas. A maioria dos traumas torácicos é contusa e não necessita de procedimentos emergenciais; dados americanos indicam que menos de 10% dos traumas contusos requerem intervenção do emergencista ou cirurgião. Já o trauma penetrante, que compõe cerca de 20% dos óbitos relacionados ao trauma, necessita de intervenção cirúrgica em até 30% dos casos.
A avaliação inicial segue os princípios do ATLS (Advanced Trauma Life Support), priorizando via aérea, ventilação e circulação. Durante a avaliação primária, procedimentos como toracocentese e toracostomia podem ser realizados no departamento de emergência. As principais lesões com comprometimento à vida que devem ser reconhecidas são: obstrução de via aérea, lesões da árvore traqueobrônquica, pneumotórax hipertensivo, tamponamento cardíaco e hemotórax maciço.
Na avaliação secundária, a radiografia de tórax permanece como exame de triagem fundamental, capaz de identificar a maioria das lesões torácicas. A tomografia de tórax é o padrão-ouro para diagnóstico de lesões de costela e contusão pulmonar, apresentando acurácia superior à radiografia. Com contraste endovenoso, permite avaliar outras lesões associadas, como lacerações hepáticas ou hemotórax. O protocolo eFAST (Extended Focused Assessment with Sonography for Trauma) foi desenvolvido para, além de diagnosticar líquido livre em cavidade peritoneal, avaliar pneumotórax e derrame pleural. A angiografia por TC é excelente para o rastreio de lesões da aorta, com sensibilidade e especificidade próximas a 100% quando a aorta é bem contrastada.
A alternativa B sintetiza exatamente essa abordagem: a tríade clássica (história, exame físico e raio X) continua fundamental, e os exames adicionais (eFAST, TC e angio-TC) são ferramentas frequentemente utilizadas para complementar a avaliação. As demais alternativas apresentam erros específicos que serão detalhados a seguir.
Alternativa A — ❌ Incorreta
Afirma que a lesão torácica mais comum em trauma é a lesão cardíaca penetrante e que a toracotomia é o exame inicial mais importante. Isso está errado por dois motivos: primeiro, a lesão torácica mais comum é a contusa, não a penetrante; segundo, a toracotomia é um procedimento terapêutico de emergência, não um exame diagnóstico inicial. O diagnóstico inicial é feito por exame clínico e radiografia de tórax, com exames complementares como eFAST e TC quando indicados.
Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A alternativa descreve corretamente a abordagem diagnóstica do trauma torácico. A história clínica, o exame físico e a radiografia de tórax seguem sendo a base da avaliação. Exames adicionais como eFAST, TC e angiografia por TC são frequentemente utilizados para avaliar lesões torácicas, conforme descrito no desenvolvimento. O eFAST avalia pneumotórax e derrame pleural; a TC é o padrão-ouro para contusão pulmonar e lesões de costela; a angio-TC é excelente para lesões de aorta.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Afirma que hemotórax retido deve ser manejado inicialmente com observação clínica e repetição de raio X, reservando videotoracoscopia ou toracotomia apenas se houver instabilidade hemodinâmica. Isso está incorreto: o hemotórax retido (sangue residual na cavidade pleural após drenagem) geralmente requer intervenção precoce, como videotoracoscopia, para evitar complicações como empiema ou fibrose pleural. A conduta expectante com observação não é a recomendação padrão para hemotórax retido.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Afirma que a toracotomia anterolateral esquerda no terceiro ou quarto espaço intercostal é uma abordagem voltada principalmente ao tratamento de lesões do pulmão direito e com pouca utilidade para intervenções cardíacas diretas. Isso está errado: a toracotomia anterolateral esquerda é a via de acesso clássica para emergências cardíacas, como tamponamento cardíaco ou ferimentos penetrantes no coração. Ela permite acesso direto ao coração e às estruturas mediastinais, sendo fundamental para intervenções cardíacas de emergência.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Afirma que um débito de tubo torácico de 1.500 mL de sangue por hora, ou 200 mL na inserção, geralmente justifica toracotomia urgente. Isso está incorreto: os critérios clássicos para toracotomia urgente após drenagem torácica são saída de mais de 1.500 mL de sangue imediatamente após a drenagem, ou débito maior que 200 mL/h por 3 horas consecutivas. A alternativa troca os critérios: 200 mL na inserção não é indicação isolada de toracotomia; o correto é 1.500 mL imediatos ou 200 mL/h por 3 horas.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a confusão entre os critérios de toracotomia no hemotórax. O candidato pode memorizar "1.500 mL" e "200 mL" sem fixar as condições exatas: 1.500 mL imediatos após a drenagem OU 200 mL/h por 3 horas consecutivas. A alternativa E inverte esses critérios, tornando-os incorretos. Fique atento a essa armadilha clássica.
PEGA ESSA DICA!
Para questões de trauma torácico, memorize os critérios de toracotomia urgente: débito imediato > 1.500 mL ou débito contínuo > 200 mL/h por 3 horas. Além disso, lembre-se de que a toracotomia anterolateral esquerda é a via de acesso para emergências cardíacas, não para o pulmão direito. Esses são pontos recorrentes em provas de cirurgia.