Questão de Medicina — Cirurgia Geral — FUNDATEC 2026
Medicina›Cirurgia Geral
Código
qg684465
Banca
FUNDATEC
Órgão
GHC-RS
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico (Cirurgia Oncológica)
Homem, 62 anos, com disfagia progressiva e perda ponderal. Endoscopia apresenta lesão estenosante em esôfago distal, biópsia mostra carcinoma espinocelular e TC sem metástases. Realizou-se esofagectomia com reconstrução por tubo gástrico, com dissecção cuidadosa e ligadura seletiva dos vasos esofágicos para evitar sangramento e manter perfusão. Pós-operatório imediato estável. Sobre a vascularização do esôfago descrita na última edição do “Sabiston Textbook of Surgery” (Townsend et al., 2021), assinale a alternativa INCORRETA.
AO esôfago cervical recebe a maior parte do suprimento sanguíneo das artérias tireoidianas inferiores.
BO músculo cricofaríngeo, que marca a entrada do esôfago, é suprido pela artéria tireóidea superior.
CO esôfago torácico recebe suprimento diretamente de 4 a 6 artérias esofágicas provenientes da aorta, além de ramos esofágicos das artérias brônquicas direita e esquerda.
DO esôfago abdominal recebe suprimento sanguíneo da artéria gástrica esquerda e das artérias frênicas inferiores pareadas.
EAs artérias que fornecem sangue ao esôfago penetram diretamente na parede muscular.
Revelar gabarito e comentário▾
GabaritoE — As artérias que fornecem sangue ao esôfago penetram diretamente na parede muscular.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Vascularização do esôfago: anatomia cirúrgica
Gabarito: letra E. A alternativa incorreta é a que afirma que as artérias que fornecem sangue ao esôfago penetram diretamente na parede muscular — na verdade, elas percorrem longitudinalmente na submucosa antes de penetrar a muscular, formando um plexo que garante irrigação segmentar. As demais alternativas (A, B, C e D) descrevem corretamente o suprimento arterial das porções cervical, torácica e abdominal do esôfago, conforme a anatomia cirúrgica clássica do Sabiston Textbook of Surgery.
A vascularização do esôfago é um tema central em cirurgia esofágica, especialmente na esofagectomia, pois a preservação da perfusão do tubo gástrico ou do esôfago remanescente é crítica para evitar deiscência de anastomose. O esôfago é um órgão tubular que atravessa três regiões anatômicas — cervical, torácica e abdominal — e cada uma recebe suprimento arterial de fontes diferentes, o que reflete sua embriologia segmentar. Essa irrigação segmentar é o motivo pelo qual a dissecção cirúrgica deve ser cuidadosa: a ligadura seletiva dos vasos esofágicos, como descrita no enunciado, visa evitar sangramento sem comprometer a perfusão do órgão.
No esôfago cervical, o suprimento principal vem das artérias tireoidianas inferiores, que são ramos do tronco tireocervical. O músculo cricofaríngeo, que marca a transição faringoesofágica (o esfíncter esofágico superior), é suprido pela artéria tireóidea superior, um ramo da carótida externa. Essa distinção é sutil e frequentemente cobrada: a tireóidea inferior irriga o esôfago cervical propriamente dito, enquanto a tireóidea superior irriga o cricofaríngeo, que é o limite superior do órgão.
No esôfago torácico, o suprimento vem diretamente da aorta torácica, através de 4 a 6 artérias esofágicas, além de ramos das artérias brônquicas direita e esquerda. Essas artérias formam um plexo na superfície do esôfago e penetram a parede em pontos específicos, não de forma difusa. No esôfago abdominal, o suprimento é feito pela artéria gástrica esquerda (que também é um ramo do tronco celíaco) e pelas artérias frênicas inferiores pareadas, que irrigam a porção distal e a junção esofagogástrica.
A característica mais importante da vascularização esofágica — e o ponto central desta questão — é que as artérias, após penetrarem a parede, formam um plexo submucoso que corre longitudinalmente ao longo do órgão. Esse plexo é o que permite a irrigação segmentar e é crucial na cirurgia: quando se mobiliza o esôfago, a preservação desse plexo submucoso é essencial para a viabilidade da anastomose. As artérias não penetram diretamente na muscular; elas primeiro formam o plexo na submucosa e, a partir dele, ramos penetram a muscular para irrigar as camadas mais externas.
A pegadinha desta questão está na letra E: o candidato pode confundir a irrigação segmentar com uma penetração direta na parede muscular. Na verdade, o padrão é a formação de um plexo submucoso longitudinal, que é a base da irrigação colateral do esôfago. Esse conhecimento é diretamente aplicável na prática cirúrgica, pois a dissecção cuidadosa e a ligadura seletiva dos vasos, como descritas no enunciado, visam justamente preservar esse plexo.
Característica
Descrição Correta (Sabiston)
Descrição Incorreta (Pegadinha)
Penetração na parede
Formam um plexo submucoso longitudinal antes de emitir ramos para a muscular
Penetram diretamente na parede muscular
Irrigação resultante
Segmentar, com irrigação colateral via plexo submucoso
Irrigação direta e difusa na muscular
Implicação cirúrgica
Dissecção cuidadosa preserva o plexo e a perfusão da anastomose
Ligadura seletiva seria desnecessária se houvesse penetração direta
Vascularização do esôfago: Cervical (Tireoidianas inferiores, Cricofaríngeo: tireóidea superior); Torácico (4-6 artérias esofágicas da aorta, Ramos das brônquicas); Abdominal (Gástrica esquerda, Frênicas inferiores); Plexo submucoso (Corre longitudinalmente, Penetra direto na muscular)
Alternativa A — ✅ Correta
O esôfago cervical recebe a maior parte do suprimento sanguíneo das artérias tireoidianas inferiores. Isso está correto: a porção cervical do esôfago é irrigada principalmente por ramos das artérias tireoidianas inferiores, que são ramos do tronco tireocervical. Essa é a descrição clássica da anatomia cirúrgica, e a alternativa está em conformidade com o Sabiston.
Alternativa B — ✅ Correta
O músculo cricofaríngeo, que marca a entrada do esôfago, é suprido pela artéria tireóidea superior. Correto: o cricofaríngeo, que forma o esfíncter esofágico superior, recebe suprimento da artéria tireóidea superior, um ramo da carótida externa. Essa distinção entre a tireóidea superior (para o cricofaríngeo) e a inferior (para o esôfago cervical) é um detalhe anatômico importante e frequentemente cobrado.
Alternativa C — ✅ Correta
O esôfago torácico recebe suprimento diretamente de 4 a 6 artérias esofágicas provenientes da aorta, além de ramos esofágicos das artérias brônquicas direita e esquerda. Correto: a porção torácica do esôfago é irrigada por artérias esofágicas diretas da aorta torácica (tipicamente 4 a 6), complementadas por ramos das artérias brônquicas. Essa é a descrição padrão da vascularização do esôfago torácico.
Alternativa D — ✅ Correta
O esôfago abdominal recebe suprimento sanguíneo da artéria gástrica esquerda e das artérias frênicas inferiores pareadas. Correto: a porção abdominal do esôfago e a junção esofagogástrica são irrigadas pela artéria gástrica esquerda (ramo do tronco celíaco) e pelas artérias frênicas inferiores. Essa é a descrição clássica da vascularização da porção distal do esôfago.
Alternativa E — ❌ Incorreta ⟵ GABARITO
As artérias que fornecem sangue ao esôfago penetram diretamente na parede muscular. Esta é a alternativa incorreta. As artérias esofágicas, após atingirem a superfície do órgão, formam um plexo submucoso que corre longitudinalmente antes de emitir ramos que penetram a muscular. Essa organização em plexo submucoso é fundamental para a irrigação segmentar e para a viabilidade do órgão durante a cirurgia. A afirmação de que as artérias penetram diretamente na muscular é falsa — elas primeiro formam o plexo submucoso, e só então ramos menores penetram as camadas musculares.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a confusão entre a irrigação segmentar e a penetração direta na parede. O candidato pode pensar que, por ser segmentar, cada artéria penetra diretamente na muscular — mas a realidade é que há um plexo submucoso longitudinal que distribui o sangue antes da penetração muscular. Esse plexo é o que permite a irrigação colateral e é crucial na cirurgia de esofagectomia.
PEGA ESSA DICA!
Para memorizar a vascularização do esôfago, lembre-se dos três segmentos e suas fontes: cervical (tireóidea inferior), torácico (aorta e brônquicas) e abdominal (gástrica esquerda e frênicas). E lembre-se sempre do plexo submucoso — é ele que explica por que a dissecção cuidadosa preserva a perfusão.
Gabarito: letra E — a única alternativa incorreta, pois as artérias esofágicas formam um plexo submucoso antes de penetrar a parede muscular.